Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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INFLUENCIADOR DIGITAL E A MEDIAÇÃO INTERATIVA EM REDE
JOILSON FRANCISCO CONCEIÇÃO, LUCIA HELENA VENDRUSCULO POSSARI

Última alteração: 16-10-18

Resumo


Vivenciamos um momento da comunicação em rede (internet) com a presença dos influenciadores digitais nas múltiplas formas de conexão, exercendo um efeito sobre as pessoas com interesses diversos, que por vezes com opiniões semelhantes e focadas. Um influenciador digital é um gerador de conteúdo com expertise para ser referência e atrair ou levar seguidores a comportamentos que favorecem à interatividade, o que os torna mais influentes entre seu público. Vivemos, assim, uma cultura, a cibercultura. Concebemos como cibercultura a relação entre tecnologia e vida social, que disponibiliza nas redes conceitos, ideias, modelos, influências. Na cibercultura não há o estático, o definitivo, o que há são conexões. É preciso que se aborde também o tempo e o espaço. Na cibercultura, o tempo comprime o espaço. O virtual e a telepresença possibilitam, a primeira: estar sem estar presente, por exemplo, o game, a realidade aumentada; a segunda, estar presente, mediado pelas tecnologias digitais, não no mesmo tempo e no mesmo espaço, mas quando aprouver ao interator decidir. É o ato de navegar, viajar, ser nômade, sem sair de seu lugar e na hora em que deseja/pode/necessita interagir. A cultura da comunicação de nicho e a criação de estratégias de conteúdo por meio da cultura da participação e da convergência de mídia passam a ser premissas da atuação dos influenciadores, que por sua vez criam uma lógica de valor de conteúdo a ponto de torná-los relevante, compartilhável e engajado, reforçando os laços entre as comunidades de fãs ao redor dos influenciadores digitais na rede. A mediação interativa e a produção de conteúdo pelo influenciador digital é o foco da pesquisa e não o objeto tecnológico pelo qual elas são realizadas. As teorias Semiótica e Análise de Discurso transversalizam o processo, a prática e a atualização constante de formas de produção de sentido; a primeira com os pressupostos simbólicos, de poder, de mando, pois quem tem informação tem poder. Mas, as mídias digitais vêm para distribuir esses poderes, ou seja, para serem adaptados aos novos espaços e tempos. A segunda vem para oferecer subsídios teóricos que sustentam que toda relação de interação tem como princípio a adequação de linguagem e que não temos mais emissor e receptor e, sim, coautores. Isto implica falar da interatividade, que se caracteriza principalmente pela intervenção do usuário nos conteúdos que lhe são propostos e com a possibilidade de modificá-los como aprouver aos interlocutores de qualquer sistema. Enseja dizer que os usuários produzem, criam, recriam conteúdos, a fim de serem obtidos efeitos de sentidos sem fim, ou quase. A polifonia, a polissemia são as principais características dos processos interacionais e interativos. A cultura participativa em rede tece laços sociais, outros modos na relação de produção, distribuição e consumo, que neste caso, nas conversações, o influenciador digital assume um papel de mediador e canalizador das principais informações que determinarão o engajamento espelhado do seu seguidor para uma ação específica e desejada.

Palavras-chave


Comunicação; Cibercultura; Influenciador Digital

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