Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Processo de implantação e de implementação da Lei nº 10.639/2003 na UFMT no contexto das relações raciais brasileiras
Joílson Gonçalo Ventura

Última alteração: 17-10-18

Resumo


Esta comunicação trata-se de uma pesquisa de mestrado, em andamento, que versa sobre o processo de implementação da Lei 10.639/2003 nos currículos de alguns cursos de Licenciatura e de Bacharelado da UFMT, Campus de Cuiabá, no contexto das Ações Afirmativas e das relações raciais brasileiras. Objetiva-se analisar o processo de implantação e de implementação da disciplina de Educação das Relações Étnico-Raciais nos currículos dos cursos de Licenciatura e de Bacharelado, como Pedagogia, Geografia e Enfermagem, considerando as dinâmicas, os avanços e os desafios desse processo. Consiste em verificar: Como os cursos de Licenciatura e Bacharelado da UFMT tem implantado a disciplina de relações étnico-raciais nos currículos? Quais os desafios e os avanço no processo de implantação e de implementação da disciplina das relações étnico-raciais em alguns cursos de Licenciatura e de Bacharelado da UFMT? Qual a importância da disciplina Educação Relações Étnico-raciais para a formação dos/as acadêmicos/as. A pesquisa, por compreender as relações raciais brasileiras, perpassa pelos estudos sobre as teorias raciais, fundamentadas no contexto do Iluminismo do século XVIII, assim como pela historiografia das teses racialistas europeias do século XVIII e XIX no contexto brasileiro. Para isso, nos fundamentaremos em Schwarcz (1993), Bethencourt (2018), Hofbauer (2006), Costa (2006), Santos (2016) e outros pesquisadores brasileiros e estrangeiros que fundamentam a compreensão da formação do Estado-Nação do Brasil no contexto da ideia de raça. Para fundamentar as matrizes teóricas das relações raciais, discutiremos o pensamento de Gilberto Freyre, a partir de sua obra Casa Grande e Senzala publicada na década de 1930, cuja defesa pressupõe que não há racismo no Brasil, mas sim uma democracia racial. Para além do pensamento freyriano, também entenderemos os estudos da Escola de Chicago, com destaque para os realizados por Donald de Pierson, em Salvador na Bahia e outros pesquisadores como Charles Wagley, Willian Hutchinson, Marvin Harris, Benjamin Zimmerman, Ruth Landes, Franklin Frazier, Melville Hershovits. Em contraposição à Escola Culturalista e da Escola de Chicago é fundamental pesquisar o pensamento de Florestan Fernandes e os estudos de Carlos Hasenbalg e de Nelson Valle Silva em razão da criticidade ao ideal de paraíso racial defendida por Freyre e pela Escola de Chicago. Trataremos também do conceito de branquitude, ao ancorar-se nos estudos de Schucman (2014), Bento (2002) e Cardoso (2017), na medida em que tal fundamentação teórica se insere na discussão dos processos curriculares e materiais pedagógicos e da implementação da Lei 10.639/2003, haja vista as dinâmicas sociais da manutenção de privilégios simbólicos e materiais do grupo branco como legitimador do racismo em toda a estrutura do sistema escolar. O método de pesquisa se baseará numa investigação qualitativa, uma vez que o fenômeno que se deseja compreender está relacionado às questões raciais e sociais com a participação dos sujeitos escolares (professores e alunos); tendo como instrumentos de pesquisa as entrevistas e a análise documental.

Palavras-chave: Lei 10.639/2003. Relações Raciais. Educação Antirracista. UFMT


Palavras-chave


Lei 10.639/2003. Relações Raciais. Educação Antirracista. UFMT

Referências


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