Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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(DES)PRESTÍGIO E (DES)VALORIZAÇÃO DA CARREIRA DOCENTE NOS CURSOS DE LICENCIATURA DO CAMPUS DE RONDONÓPOLIS DA UFMT: UMA ANÁLISE A PARTIR DA TEORIA DOS CAMPOS DE PIERRE BOURDIEU
Karine Porto Lopes Ono

Última alteração: 20-10-18

Resumo


O magistério não figura entre as carreiras mais almejadas da contemporaneidade. Numerosos estudos denunciam a precariedade das condições de trabalho dos professores e a ineficiência das políticas públicas na superação dessas deficiências, bem como indicam o desprestígio e a descaracterização da profissão, que resultam de equívocos sobre a prática docente reproduzidos desde a criação das licenciaturas, na década de 1930. O esquema “3+1” adotado inicialmente priorizava as disciplinas de conteúdo específico da área em detrimento das de natureza pedagógica, fomentando uma interpretação equivocada da formação docente, segundo a qual estas não teriam a mesma relevância daquelas. Promoveu-se, assim, uma hierarquização entre as disciplinas “de conteúdo” e as “pedagógicas”, concepção que admite a suficiência do domínio da área de conhecimento ensinada para fazer um bom professor, limitando sua atuação à lógica da racionalidade técnica e dissociando de sua formação o caráter científico. Pierre Bourdieu, a partir de sua teoria dos campos, investigou o campo científico, desvelando suas leis de funcionamento e possibilitando uma melhor compreensão do mundo acadêmico. Bourdieu compreende a sociedade como um macrocosmo, dentro do qual há uma diversidade de mundos sociais – os campos – que seguem, de modo relativamente autônomo, regras próprias. Os agentes de cada campo ocupam posições em conformidade com a posse dos capitais simbólicos valorizados naquele microcosmo, e, a partir da posição que ocupam, utilizam-se de estratégias de atuação. Assim, há agentes que atuam para a manutenção das regras e os que buscam sua transformação, a fim de mudarem de posição no “jogo”. Todo campo é, portanto, um espaço de forças e disputas. O crédito de todo capital simbólico depende de um reconhecimento dos pares, sendo a regra igualmente aplicável ao capital científico. A posse desse capital confere a seus detentores poderes que lhes possibilitam assumir posições decisivas no que tange às leis do campo. Isto posto, compreendendo cada curso de licenciatura do campus de Rondonópolis da Universidade Federal de Mato Grosso como um agente e o campus como um microcosmo científico, admite-se que há disputas entre os agentes e que os mesmos estão posicionados no campo de uma forma específica. É a partir dessa leitura, apropriando-se de Bourdieu como referencial teórico e metodológico, que esta pesquisa buscará identificar as posições ocupadas pelos referidos cursos, bem como os capitais valorizados e as estratégias adotadas pelos agentes e, com base nisto, investigar de que modo as disciplinas pedagógicas são (des)valorizadas nos cursos de licenciatura do campus de Rondonópolis da Universidade Federal de Mato Grosso e analisar o que essa (des)valorização representa no campo educacional.