Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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RESISTÊNCIA LGBT NA MÚSICA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA.
EZEQUIEL da CRUZ MACHADO

Última alteração: 20-10-18

Resumo


O debate que está posto nos tempos atuais, para além dos espaços acadêmicos, recai sobre o lugar ocupado pelo que podemos chamar de diversidade, com enfoque nos sujeitos que compõem o que seria uma comunidade LGBT, mas que também já se concebe como algo próximo a uma comunidade sexo-diversa, na medida em que as transgressões de identidade sexuais e de gênero se fazem para além dos designadores, como os termos lésbica, gay, bi, trans, entre outros. As justificativas para a proposição deste trabalho são as mais diversas e cumulativas. Isto se dá por entendermos que as discussões acerca da Teoria Queer, das identidades de gênero, além das questões que envolvem o que poderíamos chamar de arte engajada em tempos de avanço do poder autoritário, diluído na atual patrulha dos costumes e da crescente arrancada conservadora, são sempre importantes na marcação de posição do espaço acadêmico autônomo e questionador. Essa pesquisa será qualitativa e exploratória. Qualitativa por se tratar de uma pesquisa de realidade social, na qual buscaremos a representatividade das músicas e performance artística da banda As Bahias e a Cozinha Mineira. Também será de caráter exploratório, pois analisaremos o fenômeno do aparecimento de artistas LGBTs, seus trabalhos artísticos e de qual forma estes se apresentam como contestadores, resistentes ou não a uma sociedade preconceituosa, confrontadores ou não dos discursos de ódio que vêm crescendo assustadoramente nas redes sociais e na sociedade como um todo. Nesse sentido, como podemos notar, essa aparição nas mídias evidenciam um propósito. Mas qual? O que a mídia, como “educadora”, quer ensinar aos seus alunos? Michel Foucault, em Arqueologia do Saber, afirma que para compreender os discursos, é necessário ter vista a sua dimensão total. Sabendo-se da parte proposital do discurso, cabe-nos buscar compreender até que ponto essa condição limita ou estimula a construção de um discurso representativo das ideias com as quais os artistas em questão se identificam. Isso pode ser notado na produção cultural da banda As Bahias e a Cozinha Mineira, assim como no discurso midiático. Sabendo que qualquer trabalho que se proponha a refletir sobre o campo artístico em geral, mas em especial sobre a música, as complexidades são múltiplas, na medida em que as reflexões sobre a linguagem requerem um cabedal teórico amplo. Ao buscarmos referências nas áreas de linguagem, arte, gênero, entre outros, fazemos o mínimo para nos cercar de base para que este trabalho possa, na sua finalidade, contribuir para a questão tão urgente das discussões acerca da representatividade LGBT no Brasil.


Palavras-chave


Educação; representatividades; narrativas; performances de gênero.

Referências


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  • KELLNER, Douglas. A cultura da mídia. São Paulo: Edusc, 2001.
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