Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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As trajetórias e as identidades de professoras negras e brancas no contexto das relações raciais brasileiras
Leydiane Vitória Sales, Sérgio Pereira dos Santos

Última alteração: 17-10-18

Resumo


As trajetórias e as identidades de professoras negras e brancas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), considerando os seus processos de (re)construção de suas identidades, no contexto das relações raciais brasileiras, se constituem como objeto desta pesquisa de mestrado em educação em andamento. Para tanto, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa na qual nos ancoramos na perspectiva etnossociológica, tendo como foco as narrativas de vida, por meio de entrevistas semiestruturadas, e tendo como locus da pesquisa a UFMT, Campus de Cuiabá. Segundo a Secretária de Gestão de Pessoas (SGP) da UFMT dos 1047 professores e professoras da UFMT, 542 se autodeclaram brancos/as, 234 não informaram, 5 se autodeclaram indígenas, 36 se autodeclaram amarela, 200 autodeclararam pardas e 30 se autodeclararam preta. Conforme esses dados podemos verificar que em relação ao número de professores e professoras negras, há uma quantidade maior de professores e professoras brancas na UFMT. Nesse sentido, tecer sobre as dinâmicas das relações raciais brasileiras no que tange a identidade negra, a branquitude, as relações de gênero e as de classe envolve um diálogo importante para entender as nuances da teoria social, principalmente no espaço da UFMT, pois isso se torna mister para problematizar e compreender a (re)construção das identidades raciais e o processo de ascensão social das professoras negras e brancas pelo processo educacional. Contudo, estudar professoras negras e brancas torna-se uma possibilidade de compreender a operacionalidade das relações raciais brasileiras, bem como o “sentimento de posição de grupo” (BLUMER, 2010) envolvendo as práticas misóginas, machistas, classistas e racistas na universidade por meio das narrativas de vida das professoras. Dessa forma, qual foi o percurso traçado pelas mulheres negras e brancas para chegar à universidade como professoras? As professoras negras e brancas tiveram algum obstáculo ou barreira racial e social para chegar e permanecer neste espaço? Se sim, quais foram os marcadores ou atributos sociais fundantes nesse processo? Por meio de um levantamento referente as pesquisas acadêmicas vimos que há uma baixa quantidade de estudos sobre professoras negras e brancas, assim, faz-se necessário trazer a luz das discussões, nas relações raciais brasileiras, sobre a categoria branquitude, a identidade racial branca, pois permite o entendimento dos privilégios simbólicos, psicológicos, materiais dos sujeitos brancos e brancas, haja vista que muito se estudou o negro e a negra na teoria social das relações raciais, mas pouco se estudou o sujeito branco e branca nesse processo desigual. Portanto, problematizar as questões raciais, de gênero e de classe e esse construto identitário das pessoas negras e brancas por meio das narrativas de vida, torna-se uma possibilidade de contribuir com outros estudos e pesquisas acerca no jogo das relações sociorraciais brasileiras, bem como fomentar discussões no espaço institucional como as universidades e descortinar as facetas das assimetrias raciais, de classe e de gênero.

Palavras-chave


Trajetórias de professoras. Negritude. Branquitude; Relações raciais