Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

Tamanho da fonte: 
A formação da identidade cristã islandesa após a Era Viking (séc. XI-XIV)
André Araújo Oliveira

Última alteração: 22-11-18

Resumo


Jóns saga helga, saga do santo Jóns é uma documentação que faz parte de um grande grupo de documentos escritos na Islândia conhecidos como Sagas Islandesas. Especificamente essa documentação faz parte do sub-grupo chamado biskupa sögur, sagas de bispo. Os estudos mais recentes defendem que o texto foi compilado pouco após a morte do bispo Jóns Ögmundarson (1052-1121) pelo monge Gunnlaugr Leifsson no monastério beneditino de Þingeyrar no começo do séc. XIII. O texto original foi compilado em latim e posteriormente transcrito para Islandês antigo. As cópias que se tem acesso na atualidade são reproduções das versões em islandês antigo. A análise da documentação se dá no idioma original publicado em 1858. O período analisado inicia-se pouco após a cristianização oficial da ilha na Alþing, Assembleia Geral, do ano de 999, contudo a decisão oficial não influenciou todas as regiões da ilha, nas quais a conversão viria posteriormente. A saga apresenta a vida e posicionamento do bispo perante os conflitos religiosos de sua época, onde o mesmo fundou o segundo bispado da Islândia no quadrante norte da mesma. A pesquisa guiou o trabalho a transpor o período da vida do bispo de forma que se anexou aos estudos outros documentos dos períodos posteriores e anteriores. Essas documentações até o momento desconstruíram a hipótese inicial e reformulou as reflexões e o trabalho como um todo. A hipótese inicial era de que a cristianização por meio do processo de construção da identidade cristã estigmatizou e alterizou os costumes nórdicos. Os estudos e hipóteses atualmente levam a uma reflexão mais complexa do cenário, onde o cristianismo anexou elementos da cultura nórdica a si, de forma que o cristianismo islandês se torna singular nesse período. Elite aristocrática transpôs os elementos do sagrado nórdico para o cristianismo, mantendo sua função de líderes e chefes de culto, chamados de goðar, para os cargos dentro da elite clerical islandesa. Para realizar essas análises documentais utilizamos da análise do discurso de Michel Pêcheux, contudo estamos analisando no momento a possibilidade de mudança de método de análise para enriquecer o debate de modo que possamos problematizar mais a fundo o contexto. A historiografia sobre o tema da cristianização da Islândia é escassa em comparação a outros temas medievais, ou mesmo dentro da Islândia durante a Era Viking (séc. VIII-XI). Como principais expoentes dentro do debate podemos apresentar três autores de diferentes temporalidades. Strömback (1975) foi o primeiro a fazer um trabalho sobre a cristianização da Islândia, mesmo estando inserido dentro da década de 70 o autor não parece ter sido influenciado pela historiografia francesa da terceira geração dos Annales, o texto apresentar um caráter que não busca uma problematização e é quase puramente descritivo. Posteriormente o Vésteinsson (2000) e a Sigurdson (2011) apresentariam estudos problematizadores que analisavam o processo de cristianização até se aproximar a Era Moderna buscando alterações até a consolidação do cristianismo. Nosso trabalho tem sua relevância pois é inédito. Não somente em caráter nacional, pois não se tem qualquer trabalho massivo produzido sobre a Cristianização da Islândia na historiografia nacional, mas também se diferencia do que a historiografia europeia fez até o momento, pois se buscará não as implementações de estruturas externas da ilha, mas a permanência dos costumes nórdicos pré-cristãos no cristianismo.