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HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA E IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS
Paula Caroline Meira Rocha

Última alteração: 18-10-18

Resumo


A construção de grandes hidrelétricas na Amazônia tem sido apresentada como indispensável para garantir o crescimento do país. No entanto, exemplos recentes de instalação dessas usinas estão mostrando que, na realidade, elas não passam de uma falsa solução, e estão longe de serem limpas ou sustentáveis.

A construção de hidrelétricas causa impactos ambientais altamente significativos e muitas vezes irreversíveis, tais como a perda de biodiversidade e a extinção de espécies pelo alagamento de áreas com vegetação nativa e florestadas, a destruição de habitats, a perda de área agricultável, o remanejamento de grandes populações, a interferência em áreas indígenas e áreas com populações tradicionais, a alteração no regime hídrico e morfologia dos corpos d’águas, etc.

Estudos apontam que embora hidrelétricas sejam apresentadas como “energia verde” (que significa uma fonte de energia sem emissões de gases de efeito estufa), as barragens, na verdade, emitem quantidades consideráveis de gases de efeito estufa em várias formas ao longo da vida destes projetos, emitindo dióxido de carbono, óxido nitroso e metano.

Quanto aos impactos sociais, o que se verifica é que as hidrelétricas existentes e planejadas afetam algumas das partes da Amazônia que concentram as maiores populações de povos indígenas. É necessário levar em conta a relação peculiar que tais povos possuem com as terras que ocupam e que são afetadas por esses empreendimentos, sendo que a maioria dos danos causados à cultura dos povos indígenas são irreversíveis.


Palavras-chave


Hidrelétricas; impactos ambientais; impactos sociais

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