Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Das definições estéticas a uma arte sem definição
GABRIEL PEREIRA FARIA, Ludmila de Lima Brandão

Última alteração: 31-10-18

Resumo


A estética surge como disciplina filosófica no século XVIII, num cenário de posicionamentos divergentes, em que o racionalismo se encontrava em voga e a experiência sensível fazia-lhe objeção. Se o racionalismo trazia valores idealizados que se originam numa tradição metafísica desde a filosofia antiga, os defensores da percepção sensorial pensavam os valores a partir do sentimento, da atividade criadora do espírito. O nascimento da estética está associado à vida sensível em detrimento do conceito abstrato, puramente racional distante da percepção, do conhecimento sensorial. A divergência sobre a conceitualização do mundo e dos valores que o habitam, estendeu-se sobre a arte; o que é arte, criação artística, gosto, belo e sublime. A experiência estética já na segunda metade do século XIX revelou-se incompatível com critérios exclusivamente racionais isolados da percepção sensível, devido às mudanças históricas e sociais. A arte e a atividade artística acompanharam as transformações históricas e rompem os grilhões teóricos conceituais, se efetivando como um campo de manifestações que provocam os valores estabelecidos e formulam novas possibilidades. A estética enquanto disciplina da filosofia perde seus fundamentos básicos de antever e determinar o fazer artístico, não conseguindo mais explicar a experiência (estética) suscitada pela arte. Mediante o deslocamento do protagonismo da estética para as discussões sobre arte, bem como, a metamorfose do campo artístico e, que ainda ampliou o terreno de manifestações, processos, produções, além de novos materiais e movimento, procedimentos, esta pesquisa propõe uma discussão sobre a estética contemporânea, quanto à sua relevância para a arte e artistas contemporâneos. Os artistas e a arte contemporânea estão sob a égide de uma estética? Na tentativa de responder essa questão lançamos mão de métodos hermenêuticos, analisando literaturas clássicas e contemporâneas, além de materiais jornalísticos, debates de especialistas, e até mesmo, manifestações do público em redes sociais e relações interpessoais. Parece-nos então que a estética que pretende dialogar com a arte atual deve levar em conta a pluralidade e a mudança que produz singularidades em detrimento de identidade, da perspectiva em detrimento da verdade. E atenta ao experimental, para só então arriscar dizer como funciona a arte, ou o que deveria ser o mundo da arte na tarefa de selecionar objetos, ou até mesmo a imaterialidade deles, desde um compartilhamento dos afetos, das experiências, da pulsão. 

Palavras-chave


Estética da pluralidade; Arte contemporânea; mundo da arte.

Referências