Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Mostra de Extensão

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Reflexões sobre a Escuta Clínica Psicanalítica em uma Instituição Concreta: a Defensoria Pública de Mato Grosso.
Natany Martins de Jesus, Vinicius Borges Piovezan, Vera Lúcia Blum

Última alteração: 27-09-17

Resumo


Desde 2012, por meio do Projeto Práticas clínicas e pensamento psicanalítico: a Psicologia na Defensoria Pública de Mato Grosso é possível aos estagiários de Psicologia da UFMT desenvolver ações na Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPMT). A DPMT, com seus Núcleos e Coordenadorias é um espaço, cujos lugares são ocupados por diferentes funções materializadas pelas práticas discursivas dos atores institucionais. Se, no início do desenvolvimento do projeto, a escuta clínica tinha como foco o campo discursivo formado pelo estagiário de Direito, estagiário de Psicologia e assistido, a partir de 2016, com a chegada de duas profissionais psicólogas na Instituição, deu-se a ampliação da atuação na DPMT. Novos espaços e lugares puderam ser explorados, fato que viabilizou o trabalho multiprofissional com a concomitante ampliação do campo discursivo da escuta. Essa ampliação provocou questionamentos referentes ao lugar do profissional e estagiário de Psicologia na DPMT. Embora estejamos a caminhar em direção a uma maior integração com os diversos lugares da Instituição, esse caminhar deu a ver o risco contra o qual temos que nos precaver e que ronda nossa estratégia clínica de ação: a pressão em direção à redução da ferramenta clínica à mera psicoterapia, formatada para o tratamento em consultório. O trabalho na Defensoria não é o de fazer psicoterapia, ideia que circula ainda no imaginário dos atores da Instituição. Romper com essa ideia é um dos nossos maiores desafios práticos e teóricos. Mas, se nossa atuação não diz respeito à prática psicoterapêutica, o que é ela afinal? Seria dar a ver o campo de forças em que se instituem os diversos tipos de discursos e seus efeitos sobre o sujeito? Efeitos emancipatórios, efeitos de silenciamento do sujeito? Efeitos instituintes de novas sociabilidades? Efeitos que reproduzem as verdades instituídas? Nossa prática na DPMT tenta trilhar o caminho de uma escuta clínica extensa, que de alguma forma tem uma função terapêutica, isto não se pode negar. Ela não é passiva, embora se encontre à margem e ultrapasse a alçada do campo jurídico. Posto isso, estamos falando de uma atuação clínica que não se limita ao atendimento individual, embora isso também ocorra. A escuta é itinerante e seu efeito é o rompimento de um campo de crenças instituídas para dar lugar ao trabalho do pensamento instituinte de novas sensibilidades e percepções, cujo efeito é uma modificação tanto das condições subjetivas dos atores quanto do sistema de funcionamento institucional.

Palavras-chave


Defensoria; Escuta Clínica Psicanalítica; Instituição.

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