Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Mostra de Extensão

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Desvelando a cultura material e imaterial na arte do cuidar: Aprendendo e ensinando numa comunidade quilombola.
Rafael Pereira Cruz, Rafael França Vidal, Leticia Canal Caetano, Neudson Johnson Martinho

Última alteração: 27-09-17

Resumo


Este trabalho é um recorte do o projeto de extensão práticas culturais: o cuidado e a educação popular em saúde na luta pela vida em uma comunidade quilombola do Estado de Mato Grosso, o qual é desenvolvido por estudantes de enfermagem, biologia e medicina, objetivando desvelar os aspectos culturais materiais e imateriais que permeiam o cuidar/cuidado em saúde desenvolvido por mulheres quilombolas. A arte de cuidar da saúde entre os diversos povos, permeadas por aspectos culturais materiais e imateriais, os quais se caracterizam saberes, habilidades, crenças, práticas, conhecimentos enraizados no cotidiano das comunidades no que tange a arte de resgatar e manter a saúde, tais como: rezas, rituais religiosos diversas, uso de plantas medicinais ou outros recursos que foram aprendidos de ancestrais da comunidade (Tataravós, avós, pais), passados de geração a geração. As comunidades quilombolas são reconhecidas pela luta em manter sua identidade cultural, isso foi observado através das ações de educação em saúde desenvolvidas na comunidade Mutuca, na qual podemos perceber que apesar das influências europeias e americanas, as mulheres ainda mantêm crença no poder das orações, bênçãos, chás e uso de plantas medicinais diversas, saberes e fazeres que ao longo dos anos foram transmitidos entre as famílias. Observa-se a grande utilização das plantas como fonte de medicamento para a cura de doenças, picadas de cobras ou para manutenção da saúde. Este conhecimento tradicional foi passado majoritariamente pelas mulheres, as quais durante as rodas de conversa mostraram-se empoderadas. O projeto de extensão possibilitou aos estudantes e a comunidade quilombola a compreensão quanto à importância do diálogo para a construção dos saberes, os quais se complementam num movimento circular entre o aprender – ensinar – aprender. Entre diálogos e sorrisos, histórias de vidas e saberes que se entrelaçavam, novas plantas medicinais iam surgindo, pomadas com cera de abelha, infusões, decocções, xaropes, garrafadas, tinturas, simpatias e benzeções, enfim, a saúde ia se desvelando em sua completude, na sua construção social.
Consideramos que ações extensionistas que envolvem educação em saúde e são
multiprofissionais e interdisciplinares, contribuem para a troca de conhecimentos
entre todos os envolvidos, desconstrói pré-conceitos e proporciona novas visões
e possibilidades de cuidar da saúde numa perspectiva mais humanista e
existencial.

Palavras-chave


Educação em saúde; Cultura; Práticas culturais.

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