Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Mostra de Extensão

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O manejo psicanalítico no atendimento do “sujeito-louco” na Defensoria Pública do Estado do Mato Grosso.
Larissa Nilza Nogueira, Vânia Monteiro Menezes, Roger Adriel Nunes Ribeiro

Última alteração: 27-09-17

Resumo


A reforma psiquiátrica se consolida no Brasil a partir da Lei Nº 10.216, de 6 de abril de 2001 e tem como uma das propostas resgatar a cidadania do louco. Foucault (1987) ressalta que o louco é visto como alguém privado da razão, dando-se assim a exclusão da cidadania. Se por um lado a reforma permitiu o acesso ao direito de assistência e tratamento, por outro ainda manteve o louco à margem da sociedade, com a patologização da loucura. Nesse raciocínio este estudo tem como recorte e objeto o “sujeito-louco”. Apresentado a partir de vivências obtidas no Projeto de Extensão Práticas Clínicas e Pensamento Psicanalítico: a Psicologia na Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso e realizado em um campo institucional que está a serviço da população, para garantir acesso e direitos aos cidadãos. Pôde-se notar que quando o profissional do Direito atende um usuário que apresenta desorganização lógica em seu discurso, o julga com suposto transtorno mental. Dessa maneira, encaminha o caso para a Psicologia, com o intuito de auxiliar na identificação da demanda jurídica. O psicólogo psicanalista possibilita um espaço para que este “sujeito-louco” possa criar narrativas, de forma a incluir e dar voz àquele que é reduzido à condição de alienado social. Frente ao discurso delirante, alucinatório e desorganizado, o trabalho “Psi” é o de “secretariar” – expressão utilizada por Lacan (1955) – reconhecendo a existência do sujeito e a verdade na experiência narrada. É possível perceber a valorização da singularidade visando a autonomia do “sujeito-louco”, na tentativa de melhor compreensão e clarificação da demanda, destacando que a história ali relatada pode ser ouvida, compreendida e, por vezes, sendo necessário devolve-la ao usuário, ou para o profissional do Direito, de modo processado. Os atendimentos ocorrem individualmente ou em conjunto com outros profissionais, não se restringindo a um espaço exclusivo de um saber. Dá-se enfoque ao trabalho em equipe multiprofissional podendo ainda se fazer necessária a interlocução com outros equipamentos da rede pública. Nota-se que o cenário na instituição pôde se modificar, possibilitando ao “sujeito-louco” a circulação e a visibilidade em outros espaços para além daqueles destinados à saúde. Hoje ele passa a ser percebido em um espaço destinado à defesa de direitos e cidadania, propiciando-se integração e sociabilização do sujeito. Entende-se assim que a visibilidade deriva da cidadania, e vice-versa.


Palavras-chave


Loucura; Psicanálise; Instituição Jurídica.

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