Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Algumas reflexões sobre a inserção da mulher no mercado de trabalho
Fernanda Aparecida Piovesan, Alessandro Vinicius de Paula

Última alteração: 27-09-19

Resumo


RESUMO

Devido a reestruturação da classe trabalhadora nas últimas décadas, observou-se além da inserção, o aumento do trabalho feminino (ANTUNES, 2013 apud PREVITALI, 2013). O trabalho exposto apresenta uma relação entre reflexões teóricas e análises críticas de algumas mídias disponíveis na internet que explanam sobre a participação da mulher no mercado de trabalho contemporâneo. Finazzi-Santos e Siqueira (2011) discutem o trabalho como um espaço que deveria potencializar a sanidade e o sentimento de pertencimento do indivíduo, proporcionando universos para que o sujeito desenvolva a sua criatividade. Espera-se que as pessoas estabeleçam uma relação positiva com o trabalho, objetivando evitar situações opressoras e capazes de reduzi-lo a objetos descartáveis, sem desvalorizar a subjetividade de cada um. Contudo, nos dias atuais, essa relação entre trabalho e vida cotidiana fora do trabalho não é uniforme, especialmente, para as mulheres. A distinção de gênero influencia diretamente na inserção ao mundo do trabalho, nas oportunidades de emprego, na escolha da profissão, na remuneração e outros elementos da vida profissional.  Este trabalho busca evidenciar uma sucinta crítica a inserção da mulher ao mercado de trabalho, uma vez que as mesmas compõem tal mercado e sofrem discriminações em decorrência das desigualdades e diferenças entre gêneros. Apresenta-se a análise de algumas mídias para ilustrar essa situação de diferenças de gênero no mundo do trabalho. A primeira mídia trazida para debate refere-se ao 5º Boletim Especial sobre Mulheres no Mercado de Trabalho, produzido na Universidade La Salle (OBSERVATÓRIO DE LA SALLE: TRABALHO, GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS, 2018). Tal material apresenta alguns dados gerais sobre a participação da mulher no mercado de trabalho formal, referente aos últimos 10 anos. O material foi elaborado com os dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e expõe informações sobre o mercado de trabalho formal brasileiro nos anos de 2008, 2016 e 2017 e faz um comparativo da quantidade e a remuneração de vínculos geral e o recorte feminino na apresentação dos dados. Também exibe os vínculos femininos no mercado de trabalho formal no Brasil, que passaram de 41% no ano de 2008 para 44% no ano de 2016 e destaca o fenômeno das mulheres que ocupam 60% dos vínculos profissionais com ensino superior. A segunda mídia refere-se a charge da norte-americana Liza Donnelly. Na obra, a desenhista retrata uma mulher em uma entrevista de emprego, que questiona ao seu possível empregador: “Você está me contratando porque custo pouco, porque sou qualificada ou porque custou pouco e sou qualificada?”. É possível a associação da charge com os dados do 5º Boletim Especial sobre Mulheres no Mercado de Trabalho, uma vez que as mulheres ocupam cerca de 60% dos cargos, possuem mão de obra qualificada, mas continuam a receber menos que os homens. A terceira mídia selecionada para o debate é uma reportagem sobre a Diferença do Rendimento do Trabalho de Mulheres e Homens nos Grupos Ocupacionais, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2019) demonstra que as mulheres ainda ganham 20,5% a menos que os homens (MORAES, 2019). Esse estudo demonstra que houve uma queda na desigualdade salarial entre os anos de 2012 e 2018, mas as mulheres ainda continuam ganhando menos que os homens em todo o país. A quarta mídia compete a um vídeo intitulado “A mulher no mercado de trabalho / Desigualdades de gênero no mercado de trabalho”, publicado em 2016 pelo canal Mulheres na Luta e apresenta três mulheres que debatem sobre o tema. As últimas mídias dizem respeito a análise das músicas “Cor de Rosa Choque” e “Desconstruindo Amélia” interpretadas pelas cantoras Rita Lee e Pitty, respectivamente. Todas as mídias e os referenciais teóricos utilizados para debater permitem constatar como as mulheres ainda encontram dificuldades de inserção, valorização e visibilidade no mercado de trabalho. Percebe-se a necessidade da luta do coletivo feminino pela igualdade de direitos e acesso democrático ao mercado de emprego. Na atual sociedade de consumo sem reflexão, as lutas no mundo laboral têm papel de reivindicar melhores condições de trabalho e vida - especialmente, para o gênero feminino, uma vez que a mulher expressa grande parcela da força ativa no mercado de trabalho brasileiro, e possui como direito, ser valorizada pela execução das suas funções.

PALAVRAS-CHAVE: Diferenças de Gênero, Trabalho Feminino, Psicologia Organizacional e do Trabalho.

 

REFERÊNCIAS:

DONNELLY, L. Charge 4. Disponível em <https://nacoesunidas.org/onu-mulheres-ecartunistas-divulgam-charges-para-criticar-desigualdades-de-genero/> Acesso em 16 mar. 2019.

FINAZZI-SANTOS, M. A.; SIQUEIRA, M. V. S. Considerações sobre trabalho e suicídio: um estudo de caso. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 36, n. 123, 2011.

LEE, R. Cor de rosa choque. Rio de Janeiro: Som Livre, 1982. (3 min). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=9wCCEAa2bDU> Acesso em 12 de jun. 2019.

LEMOS, C. G. et al. Carreira profissional e relações de gênero: um estudo comparativo em estudantes universitários. Boletim de Psicologia, v. 55, n. 123, p. 129-148, 2005.

MORAES, J. Mulheres ainda ganham 20,5% a menos do que homens, diz IBGE. Disponível em: <https://noticias.r7.com/economia/mulheres-ainda-ganham-205-a-menos-doque-homens-diz-ibge-08032019 > Acesso em: 29 mar. 2019.

MULHERES DE LUTA. A mulher no mercado de trabalho/Desigualdade de gênero no mercado de trabalho. 2016. (3m15s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=xSyXSiEyics> Acesso em 16 mar. 2019.

OBSERVATÓRIO DE LA SALLE: TRABALHO, GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS. 5º Boletim Especial. Mulheres no Mercado de Trabalho. Universidade La Salle, 2018.

PITTY. Desconstruindo Amélia. Rio de Janeiro: Deckdisc, 2009. (3:56 min). Acesso em <https://www.youtube.com/watch?v=0zYEasxCGy0> Disponível em: 12 jun. 2019.

PREVITALI, F. S. Ricardo Antunes. Os Sentidos do Trabalho: Ensaio sobre a afirmação e negação do trabalho. Coimbra: CES/Almedina, 2013. Configurações. Revista de sociologia, n. 12, p. 241-245, 2013.