Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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HOMOFOBIA NO CONTEXTO ESCOLAR: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Ana Flávia Bezerra Toledo Camargo, Amailson Sandro Barros

Última alteração: 15-06-19

Resumo


Este trabalho trata-se de um recorte de pesquisa de mestrado que se encontra em desenvolvimento e que tem como objetivo geral apresentar a concepção do conceito de bullying homofóbico na educação, a partir dos pressupostos do materialismo histórico-dialético e dos fundamentos teóricos da psicologia histórico-cultural, afim de que sejam formuladas algumas hipóteses sobre como se constitui histórico-socialmente a compreensão do preconceito aos homossexuais. Apresentamos aqui dados parciais da revisão de literatura, tendo como pano de fundo a compreensão da homofobia no contexto escolar. A busca dos materiais sobre a temática, até o presente momento está sendo realizada nos portais de Periódicos Eletrônicos Scielo e Pepsic. Os periódicos pesquisados relacionam-se a três áreas do conhecimento, a saber: ciências sociais, educação e psicologia. A busca dos artigos nesses portais ocorre a partir da garimpagem manual. Para este estudo, também, consideramos o contexto escolar como importante alvo de intervenção, à medida que, conforme Souza, Silva e Santos (2015) as atividades escolares promovem a apropriação de valores e objetivações da humanidade. Inseridas no universo complexo de múltiplas relações sociais, as instituições escolares assumem um duplo caráter que se configura como um contraditório especialmente relevante: o de reproduzir e distribuir conhecimentos a partir de um processo educativo fragmentado e descontextualizado, que em sua essência, contribui para a manutenção e reprodução dos interesses de uma classe dominante, cuja ordem encobre as contradições do modo de produção capitalista e suas reverberações nas relações cotidianas entre os indivíduos. Como por exemplo, na divisão sexual do trabalho e na normatização da sexualidade. Em contrapartida, as escolas também podem se constituir em espaços potencialmente criativos, emancipatórios e de produção de conhecimentos contra-hegemônicos e de modos de vida não alienados e mais solidários. Em que a diversidade e as diferenças possam ser compreendidas socialmente e não naturalizadas. Nesse sentido, fundamentada pelo pensamento crítico e histórico, uma formação libertária, pautada no sujeito integral e na realidade concreta e contraditória de sua existência possibilitaria o entendimento e a superação do conservadorismo, “da moral e dos bons costumes” (re)produzidos na/pela sociedade capitalista, contribuindo para a materialização de uma nova ordem social e outros processos de socialização. Em se tratando de questões como o fenômeno social da homofobia, temática central desse estudo, acreditamos que a escola tem um papel fundamental no processo de enfrentamento e de conscientização sobre este tipo de violência, afim de tornar o espaço escolar um espaço político e democrático, comprometido com a genericidade humana. A escola, de acordo com Souza, Silva e Santos (2015), configura-se ainda como espaço normatizador de padrões de condutas e de subjetividades, e nesse contexto os indivíduos homossexuais sofrem maiores repressões por conta de sua sexualidade. Teixeira-Filho, Rondini e Bessa (2011) pontuam que os estudantes que declaram sua homossexualidade, em geral, vivenciam uma espécie de isolamento social, pois muitos colegas da escola preferem afastá-los para evitar serem reconhecidos também enquanto homoafetivos. A identificação e o reconhecimento da homossexualidade podem acarretar alguns tipos violências contra esses estudantes, como: difamação, violências físicas, verbais e psicológicas. Entre os possíveis agentes dessas violências estão discentes, funcionários e alguns docentes que acabam por legitimar tais práticas, inclusive quando adotam posturas indiferentes a violência sofrida e vivenciada pelos estudantes homossexuais (TEIXEIRA-FILHO; RONDINI; BESSA, 2011). Estudos dos autores supramencionados acima, indicam que essas posturas são sustentadas pelo caráter negativo atribuído à homossexualidade, acarretando em uma adaptação social à qual os sujeitos homossexuais devem se submeter. Essa relação conforma um desenvolvimento particular em que o sujeito terá de desenvolver modos de responder às formas de violência, como, por exemplo, pelo chiste, a graça consigo mesmo, etc. Apesar de algumas discussões terem avançado em relação à orientação de gênero e sexualidade, prevalece a concepção de que a homossexualidade seja um desvio. Teixeira-Filho, Rondini e Toledo (2011) afirmam que quando a violência não ocorre de maneira explícita, os homossexuais convivem com uma violência velada e a um tipo de respeito vinculado à compaixão. Conforme aponta Silva (2011), o contexto escolar ainda aparece como um lugar em que os estudantes homossexuais precisam negar seus modos de vida, sexualidade e subjetividade, se não quiserem ser expostos a situações vexatórias e ainda mais preconceituosas.

Palavras-chave: Contexto escolar; Preconceito; Homossexualidade.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FRY, Peter; MACRAE, Edward. O que é Homossexualidade. São Paulo: Brasiliense, 1985.

OKITA, Hiro. Homossexualidade da opressão à libertação [1981]. São Paulo: Sundermann, 2007.

RONDINI, Carina Alexandra; TEIXEIRA FILHO, Fernando Silva; TOLEDO, Lívia Gonsalves. Concepções homofóbicas de estudantes do ensino médio. Psicologia Usp, São Paulo, v. 28, n. 1, p.57-71, jul. 2017.

SILVA, Marlise Vinagre. Diversidade humana, relações sociais de gênero e luta de classes: emancipação para além da cultura. Em Pauta, Rio de Janeiro, v. 9, n. 28, p.51-63, dez. 2011.

SOUZA, Elaine de Jesus; SILVA, Joilson Pereira da; SANTOS, Claudiene. Homofobia na Escola: As Representações de Educadores/as. Temas em Psicologia, Simão Dias, v. 23, n. 3, p.635-647, ago. 2015.

TEIXEIRA-FILHO, Fernando Silva; RONDINI, Carina Alexandra; BESSA, Juliana Cristina. Reflexões sobre homofobia e educação em escolas do interior paulista. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 37, n. 4, p.725-742, dez. 2011.