Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

Tamanho da fonte: 
A RELAÇÃO ENTRE AGROTÓXICOS E SUICÍDIO
Hayanne Christine Teixeira Paz Azanki, Thaissa Araujo Rachid Jaudy, Sue Ellen Ferreira Modesto Rey de Figueiredo

Última alteração: 19-06-19

Resumo


Introdução: O suicídio configura-se como morte resultante de uma ação proferida pela vítima direta ou indiretamente (DURKHEIM, 2003 apud GONÇALVES, GONÇALVES E JÚNIOR, 2011). Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS) 1,4% das mortes no mundo é decorrente de suicídio (BRASIL, 2017). Dentre este escore, no Brasil apresentam-se dados referentes ao agravamento no índice de morte por suicídio em regiões rurais, com níveis elevados de utilização direta de agrotóxicos. Deste modo, este trabalho acadêmico visa relacionar o uso de agrotóxicos como fator agravante da ocorrência de suicídio em zonas rurais, fomentando a discussão sobre o tema de saúde mental e ambiente. Desenvolvimento: O suicídio decorre de diversos fatores, como sociais, biológicos e psicológicos. Moreira et al. (2015) infere que comumente aos suicídios está um sujeito em demasiado sofrimento e indisponibilizado de recursos para lidar com a angústia, recorrendo a findar a vida. Baseado em Macedo e Werlang (2007) o ato do suicídio decorre da impossibilidade de figurar a dor psíquica, há um excesso que não é elaborado, desta forma transformasse em ação. Ao não dar sentido a dor, de forma a destina-la a ação, “o ato suicida mostra um fracasso no processamento psíquico de intensas cargas afetivas (KNOBLOCH, 1988; FISCHBEIN, 199; GEREZ-AMBERTIN, 2003 apud MACEDO E WERLANG, 2007, p. 101).” Isto posto, relacionando a influência dos agrotóxicos, como citado em pesquisas, os agrotóxicos interferem no fomento de “quadros depressivos desencadeados por mecanismos neurológicos ou endócrinos (GONÇALVES, GONÇALVES E JÚNIOR, 2011)”. A possibilidade de alteração fisiológica, pode por vias de fato influenciar a modificação de um estado saudável do organismo, para uma enfermidade, algo muda neste sujeito, a ponto de afetar psicologicamente este individuo, a saúde se esvai e em concomitância com diversos fatores, como a vulnerabilidade dos trabalhadores rurais ao acesso a meios de atenção à saúde, podem aferir na tentativa de suicídio. Uma pesquisa realizada no município de Dourados averiguou semelhança entre a exposição de trabalhadores rurais a agrotóxicos e o suicídio, em que apresentou a segunda colocação do estado frente a intoxicações por agrotóxicos, e em primeiro na tentativa de suicídio, por 100 mil habitantes, nos anos de 1992 a 2002 (PIRES, CALDAS E RECENAS, 2005). Outros vetores enfatizados são referentes aos intemperes no âmbito rural como exposto a seguir. A relação entre grau de ruralização e taxas de suicídio indica que o difícil acesso à rede de saúde e de serviços em geral, o declínio econômico das áreas rurais e o uso de agrotóxicos, que desencadeiam quadros depressivos por mecanismos neurológicos ou endócrinos em lavradores, aumentam o risco de suicídio (GONÇALVES, GONÇALVES E JÚNIOR, 2011, p. 293). Em relação aos efeitos anteriormente citados, os agrotóxicos afetam funções neurológicas, emergindo sintomas de intoxicação como “fraqueza, tontura, dores, dificuldade respiratória, colapsos, tremores, convulsões e morte [...] a exposição crônica a estes compostos podem levar ao aparecimento de sintomas de depressão, um fator importante no suicídio (PIRES, CALDAS E RECENAS, 2005, p.812).” Siqueira (2008) aborda a correlação entre trabalhadores rurais que manuseiam agrotóxicos e a incidência de casos de câncer e transtornos mentais, podendo tais afecções agirem como possíveis propulsores para o suicídio.Análise e conclusão: Por fim, a caracterização sumária do suicídio advém de uma série de contribuições, sendo uma delas a vertente fisiológica, a qual damos ênfase neste trabalho. Os efeitos físicos de agentes químicos na saúde humana opera de forma a impactar tanto o orgânico, como o psicológico de um indivíduo, dando vasão a assimilar os índices de suicídios em áreas com utilização em massa de agrotóxicos. Fazendo alusão ao exposto, este sujeito está permeado de excessos, tanto do uso indiscriminado de agrotóxicos, como do demasiado sofrimento psíquico que destina-se ao ato suicida, configurando um indivíduo em vulnerabilidade.

 

 

Palavras-chave: Suicídio; Agrotóxicos; Psicanálise.

 

Referências Bibliográficas:

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de vigilância em saúde. Suicídio. Saber, agir e prevenir. Boletim Epidemiológico. Brasília: MS, 2017. Disponível em: <http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-atencao-a-saude.pdf>. Acesso em: 05 de junho de 2019.

GONÇALVES, Ludmilla; GONÇALVES, Eduardo; JÚNIOR, Lourival Batista de Oliveira. Determinantes espaciais e socioeconômicos do suicídio no Brasil: uma abordagem regional. Belo Horizonte: Nova Economia, v.21, n.2, p.281-316, ago, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-63512011000200005>. Acesso em: 02 de junho de 2019.

MACEDO, M. M. K.; WERLANG, B. S. G. W. Trauma, dor e ato: o olhar da psicanálise sobre uma tentativa de suicídio. Rio de Janeiro: Ágora, v.10, n.1, jun, 2007. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/agora/v10n1/a06v10n1.pdf>. Acesso em: 12 de junho de 2019.

MOREIRA, Daiane Luz; MARTINS, Mariana Cavalcante; GUBERT, Fabiane do Amaral; SOUZA, Fernando Sérgio Pereira de. Perfil de pacientes atendidos por tentativa de suicídio em um centro de assistência toxicológica. Revista Ciencia y Enfermería, v.21, n.2, p.63-75, ago, 2015. Disponível em: <https://scielo.conicyt.cl/pdf/cienf/v21n2/art_07.pdf>. Acesso em: 02 de junho de 2019.

PIRES, Dario Xavier; CALDAS, Eloísa Dutra; RECENA, Maria Celina Piazza. Intoxicações provocadas por agrotóxicos de uso agrícola na microrregião de Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil, no período de 1992 a 2002. Rio de Janeiro: Caderno de Saúde Pública, v.21, n.3, p.804-814, jun, 2005. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2005000300014>. Acesso em: 02 de junho de 2019.

SIQUEIRA, Soraia Lemos de; KRUSE, Maria Henriqueta Luce. Agrotóxicos e saúde humana: contribuições dos profissionais do campo da saúde. São Paulo: Revista Esc Enfermagem USP, v.42, n.3, p,584-590 2008. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/is_digital/is_0408/pdfs/IS28(4)109.pdf>. Acesso em: 12 de junho de 2019.