Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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ORIENTAÇÃO VOCACIONAL OU ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL?
Jaqueline Correa Rocha, Rita Eliana Masaro, Fernanda Cândido Magalhães

Última alteração: 21-06-19

Resumo


Orientação Profissional é uma prática de auxílio para escolha e desenvolvimento profissional, desenvolvendo-se ao longo da história conforme demandas da sociedade. Em decorrência das mudanças no mundo do trabalho, a Orientação Profissional adquiriu diferentes terminologias, sendo ela no início denominada Orientação Vocacional e assumindo no contexto brasileiro do século XXI a definição de Orientação Profissional. O objetivo desta revisão da literatura é apresentar divergências entre as terminologias Orientação Vocacional e Orientação Profissional por meio do percurso histórico. Para tanto, utilizou-se o método bibliográfico através de pesquisa na literatura nacional e internacional. Entre os resultados verificamos que Orientação Profissional se tornou o que é após um longo período e seu primeiro registro tem como denominação Orientação Vocacional, mencionado por Frank Parsons, em 1909, representando o início de uma proposta de orientação para a escolha da ocupação num contexto de capitalismo industrial. O termo escolhido representa a ideia de vocação como algo que está dentro de si, como tendência, inclinação, dom ou aquilo que uma pessoa sente que quer fazer. Assim, a Orientação Vocacional era utilizada para definir a profissão mais adequada para cada indivíduo através da identificação das características pessoas, do conjunto de atividades exigidas em cada ocupação e avaliando aptidões do orientando através de técnicas psicométricas. Considerando a demanda cultural da época, a necessidade de mão de obra era alta, portanto esperava-se que a Orientação Vocacional pudesse garantir maior produtividade. Essa forma de trabalhar a partir do diagnóstico da ocupação que mais se adequa ao perfil do indivíduo para gerar mais produtividade se modificou gradativamente a partir da década de 40 quando o foco no diagnóstico é substituído pela construção de escolhas e desenvolvimento de carreira. Assim, por volta dos anos 50 surgem teorias desenvolvimentistas propondo uma Orientação para o desenvolvimento de carreira não apenas para jovens na escolha da ocupação, mas para qualquer pessoa em qualquer período da vida. Desse modo, a Orientação para descoberta de uma vocação é substituída pelo desenvolvimento vocacional, dando base à próxima terminologia, a Orientação Profissional, na qual o orientador estaria disponível para ajudar os orientandos não apenas no momento de escolha, mas no desenvolvimento da vida profissional dos indivíduos. Definir uma nomenclatura, implica considerar o contexto histórico e a base epistemológica que sustenta teoricamente e culturalmente suas práticas. Então, através das teorias fundadas em cada época conceitos são questionados e novas terminologias são adotadas. Nesse caminho, a expressão que melhor representa o contexto brasileiro do século XXI é Orientação Profissional, a qual consiste em um processo de ajuda para realização de escolhas e desenvolvimento profissional e de carreira, podendo ser realizada ao longo da vida objetivando a elaboração de um projeto de vida profissional.  O uso exclusivo de um diagnóstico obtido ao final do processo psicométrico tiraria do indivíduo a oportunidade de elaborar seu processo de escolher seu próprio caminho e chegar a uma decisão autônoma. Ao escolher uma profissão, não se escolhe apenas com o que trabalhar, mas escolhe um sentido para sua vida, tornando-se assim uma escolha existencial para a formação da identidade ocupacional. Ao orientador profissional cabe a tarefa de incentivar reflexões, oferecer um clima facilitador em que possa ampliar a consciência do orientando sobre si mesmo, sua realidade, compartilhar informações sobre diversas ocupações e mercado de trabalho, e auxiliar esse indivíduo a fazer escolhas autênticas. Ao considerar que a presente pesquisa encontra-se em andamento, as considerações parciais mostram que a Orientação Profissional se construiu através de suas bases epistemológicas na Psicologia Vocacional/Ocupacional e utilizou-se de vários termos, conforme o passar dos anos e o desenvolvimento de novas teorias. No entanto, essas definições não pretendem ter caráter conclusivo, mas sim um convite ao debate. Nesse aspecto, o desafio é promover uma experiência significativa em que o processo seja mais amplo que a própria escolha ocupacional, se colocando como construção de algo próprio que dá sentido à existência, mostrando-se temática de grande relevância para tal revisitação para o contexto atual brasileiro, especialmente no âmbito na acadêmico científico que possibilita o balizamento de novas práticas.

Palavras-chave: Orientação Profissional, Orientação Vocacional, Identidade Profissional, Autoconhecimento.

 

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