Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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FATORES ASSOCIADOS À IDEAÇÃO SUICIDA EM GRADUANDOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO – CAMPUS CUIABÁ
Edlaine Araujo da Silva, Andressa Gonzatto, Juliana Ferreira Lemos dos Santos, Tammy Conceição Meireles Mattos Rodrigues, Luiz Fabrizio Stoppiglia

Última alteração: 27-06-19

Resumo


INTRODUÇÃO: O suicídio é a causa da morte de cerca de 877 000 pessoas ao ano (OMS, 2008), e é ainda uma das três principais causas de morte entre os jovens em todo o mundo (OMS, 2012). Trata-se de uma “ação tomada contra si mesmo, com início e fim, por uma pessoa ciente e com conhecimento do desfecho fatal de seu ato”, que decorre de um processo denominado comportamento suicida, envolvendo pensamentos e/ou planejamento de suicídio (ideação suicida), a execução não transcorrida do ato (tentativa de suicídio) até a concretização do ato em si (suicídio) (SANTOS, 2016; VASCONCELOS-RAPOSO, SOARES, SILVA, FERNANDES & TEIXEIRA, 2016). Dentre a faixa etária mais afetada por essa problemática de saúde está a população jovem, entre 15 e 35 anos (OMS, 2014), período da vida que coincide com o dos alunos dentro das Universidades. Apenas nos noticiários que fornecem informações suficientes, pelo menos 6 suicídios completados em Cuiabá envolveram estudantes da UFMT, entre 2015 e 2019; esse número pode ser maior e também não se contabiliza quantas tentativas ocorreram. OBJETIVOS: Esse trabalho pretendeu localizar características comuns dos estudantes da UFMT-Cuiabá que manifestam ideação suicida e já se envolveram em tentativas de suicídio. DESENVOLVIMENTO: Foram solicitadas as autorizações dos coordenadores dos cursos de Graduação, de forma que as coletas fossem feitas com grupos de alunos dentro das salas de aula. A não-resposta de muitos cursos, mesmo após contato pessoal, limitou o alcance do estudo. A amostra final foi composta por 465 estudantes de 19 cursos de graduação da UFMT-Cuiabá, entrevistados no período de novembro/2017 a março/2018. Utilizou-se um questionário de 34 questões fechadas, sendo 14 questões sobre as características sociodemográficas dos participantes e 20 questões sobre o histórico de saúde psicológica, pessoal e familiar. Os dados foram correlacionados através dos testes de qui-quadrado e avaliação de Odds Ratio. ANÁLISE E CONCLUSÃO: Os alunos entrevistados foram majoritariamente solteiros, na faixa etária de até 24 anos, no início ou meio de curso (até o 6º semestre), de crenças católica-evangélica-sem crença e que demonstraram-se satisfeitos com a opção do curso. Foi encontrado maior índice de depressão em estudantes mulheres (43%) entre 17 e 19 anos (39%) das áreas de Humanas e Sociais (39%), solteiras (35%), que moram sozinhas (33%), que estão no primeiro ano do curso (35%) e que não estão satisfeitas com os mesmos (49%). Os maiores índices de ideação suicida foram encontrados também em mulheres (23%), na faixa entre 22 e 24 anos (29%), nas áreas de Humanas e Sociais (39%), solteiras (20%), mas que estão no final do curso (24%) e, igualmente, que não estão satisfeitas com o curso (27%). Em relação à tentativas de suicídio, foi encontrado maior índice em homens (29%) entre 25 e 63 anos (33%) na área de Engenharia e Exatas (35%), não solteiros (75%), que não moram sozinhos (27%), que estão entre o 3° e 6° semestre (30%) e que não estão satisfeitos com o curso (30%). Dentre as estratégias que os alunos usavam para lidar com pensamentos suicidas e observamos que “tentar se distrair” (usada por 44% dos alunos com ideação suicida) ou “conversar com alguém” (usada por 31%) são as preferidas, enquanto “conversar com profissionais de saúde” (usada por 14%) ou “procurar o Serviço de Psicologia de uma universidade” (usada por 9%) são as estratégias menos usadas. Curiosamente, nenhuma das estratégias referidas mostrou-se mais eficaz em prevenir as tentativas de suicídio. A declaração “não busco ajuda por vergonha”, em especial, pareceu ser bastante perigosa, pois apresentou a mais alta taxa de pessoas evoluindo da ideação para a tentativa de suicídio (usada por 1 em cada 2,2 alunos com tentativa de suicídio). Juntos, esses dados parecem fornecer um quadro dos alunos que fazem tentativas de suicídio, e que devem ser abordados mais delicadamente como estratégia de prevenção: são alunos homens, entre 25 e 63 anos, sobretudo na área de Engenharia e Exatas, não solteiros, que não moram sozinhos, que estão entre o 3° e 6° semestre, insatisfeitos com o curso, com quadro de Depressão Maior e fortes sintomas de culpa e dificuldades de concentração, que provavelmente não aparecem nos serviços de saúde por vergonha do seu quadro clínico.

 

PALAVRAS-CHAVE: DROGAS, DEPRESSÃO, ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS

REFERÊNCIAS

OMS. (2008). Integração da saúde mental nos cuidados de saúde primários. Disponível em: <https://www.who.int/eportuguese/publications/Integracao_saude_mental_cuidados_primarios.pdf>. Acesso em 11/10/2018.

OMS. (2014) First WHO report on suicide prevention. Disponível em: <https://www.who.int/mediacentre/news/releases/2014/suicide-prevention-report/en/>. Acesso em 05/03/2019.

SANTOS, H. G. B. (2016). Ideação suicida e fatores associados em estudantes universitários. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade de Enfermagem, Cuiabá, MT.

Vasconcelos-Raposo, J., Soares, A. R., Silva, F., Fernandes, M. G., & Teixeira, C. M. (2016). Níveis de ideação suicida em jovens adultos. Estudos de psicologia, 33(2), 345-354. Disponível em: <https://www.redalyc.org/pdf/3953/395354131016.pdf>. Acesso em 27/10/2017.