Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

Tamanho da fonte: 
SUICÍDIO NA ADOLESCÊNCIA: UM ESTUDO A PARTIR DA PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO
Jéssika Zaffani Ramires

Última alteração: 25-06-19

Resumo


O presente trabalho consiste em uma revisão bibliográfica acerca do tema suicídio na adolescência a partir do enfoque teórico da psicologia do desenvolvimento. Tendo como objetivo analisar as contribuições da psicologia do desenvolvimento para a compreensão do fenômeno suicídio durante o período da adolescência. A psicologia do desenvolvimento estuda o ser humano em todas as fases da vida, desde a tenra infância até a velhice. Os teóricos dessa área, usualmente, estudam a adolescência a partir de três aspectos do eu: físico, cognitivo e psicossocial e reconhecem que o processo do desenvolvimento dura a vida toda, sendo conhecido como ciclo de vida. Dentre os autores do desenvolvimento escolheu-se Papalia e Feldman para a discussão acerca da temática neste trabalho. A adolescência é um período de transição entre a infância e a vida adulta, momento marcado por mudanças físicas, cognitivas, sociais e emocionais, assumindo diversas formas em diferentes contextos. Ela é demarcada pelo início da puberdade, do processo de maturação, ocorrendo uma transformação na forma de pensar, sentir e agir. Dessa forma, o adolescente pode ficar suscetível a uma série de conflitos psicológicos. Havendo múltiplos fatores que influenciam no comportamento do adolescente, ele pode transgredir as leis, ter comportamentos agressivos, se isolar do convívio social, praticar automutilação e até mesmo cometer um ato suicida. O suicídio configura-se como uma das principais causas de morte na atualidade, tendo ao longo dos anos representado um grande tabu em meio à sociedade, mostrando assim sua relevância de estudo. O suicídio é um fenômeno multifatorial, que é resultado de uma complexa interação biopsicossocial, não sendo simples explicar a razão que leva o sujeito a cometer suicídio. O suicídio é um problema de saúde pública, constituindo-se como a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 20 anos, sendo mais comum ao sexo masculino a efetivação do ato, principalmente pela utilização de métodos mais violentos, como o manuseio de arma de fogo e enforcamento. Quanto ao sexo feminino é mais frequente a tentativa do ato, porém é menos eficaz sua concretização, por utilizarem como método medicamentos e automutilação. A OMS estima que até 2020, aproximadamente 1,53 milhão de pessoas cometerão suicídio, e dez a vinte vezes mais pessoas tentarão suicídio em todo o mundo, representando a média de uma morte a cada 20 segundos e uma tentativa de suicídio a cada 1-2 segundos. A partir da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA (Lei n.º 8.069) em 1990, que passa a garantir direitos e deveres aos adolescentes e crianças, estabelece-se responsabilidades ao Estado e aos cidadãos em relação aos mesmos. Nessa fase do desenvolvimento, nota-se a importância de um suporte familiar e social, para que o adolescente sinta-se amparado para fazer suas escolhas de vida. Sendo um período de transição entre a infância e a vida adulta, muitas vezes o adolescente acaba por passar despercebido por não ser reconhecido como fazendo parte de nenhum desses grupos. Torna-se assim, imprescindível pensar e repensar o compromisso social do psicólogo com a população, e como seria possível promover a importância em se falar da saúde mental no cotidiano. Um trabalho nesse sentido se daria por meio da prevenção e apoio as famílias nos diversos contextos onde o psicólogo está inserido, sendo eles educação, saúde e na sociedade como um todo. Assim, percebe-se a importância de serem realizadas pesquisas sobre a escuta voltada para o adolescente e seu entorno social. Devendo-se questionar o papel da escola e das relações que lá são estabelecidas, para que nesse ambiente o adolescente sinta-se amparado e motivado a estar naquele contexto. Com isso, as contribuições da psicologia para a compreensão do suicídio consistem em debruçar-se sobre o assunto, com o intuito de fomentar a prevenção e o cuidado com aqueles que tentam contra a própria vida e de todos que vivenciam o luto dessas perdas, incentivando a sociedade a refletir sobre as estratégias de prevenção com um enfoque multidisciplinar, entendendo o suicídio como um fenômeno em toda a sua complexidade e como um desafio, não somente da psicologia, mas a sociedade como um todo, visando quebrar os estigmas e tabus que ainda permeiam o assunto.

 

Palavras-chave: suicídio; adolescência; psicologia do desenvolvimento.

 

Referências Bibliográficas:

BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente ECA, 1990.

MOREIRA, Lenice Carrilho de Oliveira; BASTOS, Paulo Roberto Haidamus de Oliveira. Prevalência e fatores associados à ideação suicida na adolescência: revisão de literatura. Psicol. Esc. Educ.,  Maringá ,  v. 19, n. 3, p. 445-453,  Dec.  2015 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572015000300445&lng=en&nrm=iso>. access on  21  May  2019.  http://dx.doi.org/10.1590/2175-3539/2015/0193857.

PAPALIA, D. E.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento físico e cognitivo na adolescência. In: PAPALIA, D. E.; FELDMAN, R. D. O desenvolvimento humano. 12ª ed. – Porto Alegre: AMGH, 2013. p. 384-419.

VIEIRA, Luiza Jane Eyre de Souza et al . "Amor não correspondido": discursos de adolescentes que tentaram suicídio. Ciênc. saúde coletiva,  Rio de Janeiro ,  v. 14, n. 5, p. 1825-1834,  Dec.  2009 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232009000500024&lng=en&nrm=iso>. access on  21  May  2019.  http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232009000500024.