Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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DRª ANA TSURU: ESTUDO DE CASO SOBRE AS IDENTIDADES PROFISSIONAIS NA FORMAÇÃO ACADÊMICA DE UMA ESTUDANTE DE PSICOLOGIA
Lígia Maria Menezes Carneiro, Daniela B. S. Freire Andrade

Última alteração: 19-06-19

Resumo


O presente estudo intenta discutir e analisar as vivências de uma das extensionistas do sub-projeto de extensão “Binje: em busca de autorias infantis no contexto hospitalar”, proposto pelo projeto guarda-chuva Rede de Apoio à Infância: interfaces com a Psicologia e Pedagogia, do Grupo de Pesquisa em Psicologia da Infância (GPPIN), desde 2010. Tais vivências são consideradas na relação com os marcos institucionais que forjam identidades sociais (DESCHAMPS; MOLINER, 2009). O sub-projeto se desenvolve na enfermaria pediátrica do Hospital Júlio Müller, a partir do paradigma da humanização hospitalar e dedica-se a observar práticas de cuidado à saúde infantil adotadas pela equipe de saúde e pelos acompanhantes, bem como intervir de modo a conferir visibilidade social às crianças assistidas, considerando a importância da mediação social e semiótica por meio da promoção de processos narrativos (BRUNER, 1978 apud KISHIMOTO, 2007). A metodologia do sub-projeto acontece por meio da contação de histórias seguida da realização de oficinas socioafetivas (ANDRADE, 2017), as quais são mediadas pela personagem Dra. Ana Tsuru, com o objetivo de potencializar as significações sobre as vivências associadas ao adoecimento e a hospitalização e aproximar o discurso médico da lógica infantil. De outra forma, preocupa-se em promover a escuta das crianças pelos adultos inspirando-se na noção de adulto atípico (CORSARO, 2005). A mediação da personagem e as oficinas ajudam a criança e, de certa forma o acompanhante, a interpretarem a cultura hospitalar (rotina, artefatos e procedimentos), as emoções frente aos procedimentos médicos (medo, angústia, esperança, relação com o desconhecido), o afastamento de casa (perda da rede de apoio social, situação de risco social), conflitos em torno da adesão ao tratamento e as estratégias de enfrentamento do não familiar. O contorno de uma prática de cuidado à saúde infantil ancorada nos pressupostos da humanização, na teoria das representações sociais e nos estudos sobre aprendizagem e desenvolvimento humano tem possibilitado o processo de tomada de consciência e a formação da atitude de autocuidado em algumas crianças hospitalizadas. As narrativas infantis forjadas na dialogicidade com a personagem da Drª Ana Tsuru revela seu duplo potencial formativo, aspecto que envolve tanto as vivências das crianças hospitalizadas e seus acompanhantes, quanto a formação inicial da acadêmica de psicologia.  O desafio na formação inicial de psicólogos consiste na compreensão da psicologia na sua perspectiva psicossocial. A mesma discute a indissolubilidade entre o sujeito e a cultura, passando pelo pertencimento grupal e pela inserção em culturas institucionais, tais como a família, a escola e o hospital (SANTOS, 2018). A tríade Eu- Objeto - Outro (cultura, grupo) anuncia uma prática que se sustenta tanto na abordagem individual, quanto na abordagem grupal de modo a contemplar diferentes níveis de análise:  subjetivo, intersubjetivo e transubjetivo. A compreensão sobre os processos de significação exige um entendimento sobre a construção social do objeto em questão sendo importante considerar a memória social e os sentidos compartilhados ao longo do processo histórico. Sentido e significado são destacados como unidades regentes por meio da qual coletividades e singularidades dialogam. Este trabalho apresenta um estudo de caso sobre as significações sobre ser Drª Ana Tsuru na formação acadêmica de uma estudante de psicologia, orientando-se pela questão: Em que medida essa vivência acadêmica - ser Drª Ana Tsuru - forja identidades profissionais no âmbito da Psicologia? A metodologia consiste na realização de entrevistas narrativas com uma acadêmica que atuou como Dra Ana Tsuru entre os anos de 2017 a 2019. O conteúdo gerado foi analisado, inicialmente, pela perspectiva compreensiva. Os resultados indicam a significância das vivências acadêmicas com destaque para: 1. a compreensão do que se entende ser uma abordagem psicossocial da Psicologia; 2. a relevância da proximidade da relação teoria e prática; 3. a comunicação  horizontalizada com a criança.

Palavras-chave: Extensão, Identidades sociais, Enfermaria Pediátrica, Abordagem Psicossocial.

REFERÊNCIAS

CORSARO, W. A. Entrada em campo, aceitação e natureza da participação nos estudos etnográficos com crianças pequenas. Educ. Soc., Campinas, v. 26, n. 91, p.443-464, mai./ago. 2005.

DESCHAMPS, J. C.; MOLINER, P. A identidade em Psicologia social: dos processos identitários às representações sociais. Tradução de Lucia M. Endlich Orth. Petrópolis: Vozes, 2009.

KISHIMOTO, T. M.; SANTOS, M. L. R.; BASÍLIO, D. E. Narrativas infantis: um estudo de caso em uma instituição infantil. In: Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 33, n. 03, p.427-444, set./dez. 2007.

SANTOS, R. C. Crianças anunciadas com queixa escolar: estudo sobre significações e implicações na representação de si. Cuiabá, 2018.

______. Rede de apoio à Infância: interfaces com a Psicologia e Pedagogia. Projeto de Extensão, Sistema de Extensão (SIEx). Coordenação de Extensão (CODEX). Universidade Federal de Mato Grosso. Cuiabá, 2017.