Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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"Quando a gente percebe que é um grupo": Relato de experiência de estágio básico em contextos socioeducativos
Lara Cristina Estevão da Silva, Lorenna Mirella De Almeida Avelar, Daniela Barros Silva Freire Andrade

Última alteração: 18-06-19

Resumo


A Psicologia caracteriza-se como uma ciência permeada por diversos saberes, correntes teóricas e campos de atuação. Desta maneira torna-se de extrema importância a realização de estágios que permitam aos estudantes vislumbrar o que acontece entre a teoria e a prática profissional nos mais diversos contextos. Sendo assim, o presente trabalho é resultado da realização de Estágio Básico I – Contextos Socieducativos que acontece durante o 3º Semestre do Curso de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso – Campus Cuiabá que tem como objetivo: relatar processos de desenvolvimento das crianças no contexto da primeira socialização educativa ocorrendo sob a supervisão da Profa. Dra. Daniela Barros Silva Freire Andrade. O campo de estágio ocorreu na Creche Municipal Josefa Catarina de Almeida, localizada no bairro Campo Velho na cidade de Cuiabá/MT. Pautados no referencial teórico da Psicologia Histórico-Cultural, utilizamos as obras de Vigotski (2009) e também os estudos de outros autores como Corsaro (2005), Sarmento (2007) e Sayão (2002). As atividades desenvolvidas na primeira etapa foram: observação participante, leitura do (PPP) Projeto Politico-pedagógico da instituição e planejamento da aplicação de intervenção. A creche funciona em período integral, mas por recomendação da professora-supervisora, as observações foram realizadas em um mesmo período e inicialmente em dias fixos na semana. A turma escolhida foi jardim II B, cuja faixa etária das crianças estava entre 3 anos e 3 anos e 11 meses, o ultimo ano na creche. A partir das observações pensamos o projeto “Quando a gente percebe que é um grupo” que teve como objetivo geral: funcionar em rede apoio, contribuindo para o processo de formação em serviço de profissionais, desenvolvendo praticas sociais de apoio e cuidado, bem como privilegiando a produção de narrativas infantis nos diferentes contextos educacionais, e problematizando a realidade do atendimento as crianças; contribuindo também na formação inicial de psicólogos. E como objetivos específicos: Proporcionar um espaço onde as crianças se sintam livres para executar os movimentos que lhes são frequentemente impedidos; Trabalhar a imaginação; Despertar o sentimento do coletivo, através de atividades guias propostas pelas estagiárias; E a promoção do desenvolvimento nos seguintes aspectos: movimento, cuidado, imaginação e colaboração. O projeto foi criado primando a criação de um espaço narrativo próximo a uma abstração, configurando espaços que narram uma ficção para fazer com que o lugar tenha um sentido e um caráter, constituindo a personificação de um lugar. Desta maneira, possibilitando um espaço aberto para desenvolver atividades imprevisíveis, criando uma história que pode ser objeto de interpretação ou ponto de partida para outras histórias. Nesse sentido fazemos o uso da narrativa como um instrumento de emancipação da criança, com um proposito de crianças e adultos desconstruírem uma imagem de poder polarizada, desconstruindo um sistema de pensamento tradicional, fazendo emergir uma lógica binária. (ANDRADE, 2007). Conseguimos fazer, através de atividades guias, que as crianças explorassem melhor suas habilidades sensório-motoras, que por vezes lhe eram impedidas de colocar em prática, já que não se têm grande compreensão sobre a importância disso fora da graduação em psicologia. Ajudamos também a ampliar a ludicidade das crianças, fazendo com que usassem a imaginação e que isso fosse uma experiência divertida para elas. Além de reforçarmos a importância da união e colaboração das crianças em um ambiente como a creche, fazendo com que aprendessem a respeitar não só o colega, como também aquilo que é do colega. Por medições feitas através das oficinas socioafetivas foi possível perceber como grupo, respeitando a diferença da alteridade, lidando com as manifestações e demandas individuais, através de atividades colaborativas. Através deste estágio, vivenciamos o cotidiano das crianças e a interação com os adultos dentro de um espaço dedicado a aprendizagem. Pudemos perceber por meio de nossas observações participantes que esse espaço em alguns momentos acaba por não cumprir algumas premissas da educação, todavia, possui forte potencial para isso, visto que conta com profissionais muitos dispostas. Podendo ressaltar que o estágio não é importante somente para a graduação dos estagiários de psicologia, mas também para a própria creche, entendendo a importância de o projeto funcionar como rede de apoio.

 

Palavras-chave: Infância; Creche; Oficinas Socioafetivas.

 

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