Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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FATORES DE RISCO DO CÂNCER DO COLO DE ÚTERO E SAÚDE MENTAL
Wheverton Rhenan Teixeira Resende, Hemilly Vanessa Prado Queiroz, Sue Ellen Ferreira Modesto Rey de Figueiredo, Verônica Betsabá Mattos

Última alteração: 26-06-19

Resumo


As causas de câncer são variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo, estando ambas inter-relacionadas. As causas externas relacionam-se ao meio ambiente e aos hábitos ou costumes próprios de um ambiente social e cultural. As causas internas são, na maioria das vezes, geneticamente pré-determinadas, estão ligadas à capacidade do organismo de se defender das agressões externas. O surgimento do câncer depende da intensidade e duração da exposição das células aos agentes causadores de câncer e a maioria dos casos de câncer (80%) está relacionada ao meio ambiente (INCA, 2018). O objetivo deste estudo é sinalizar por meio de referências bibliográficas as existências desses fatores ambientais e psicológicos que podem causar e interferir no diagnóstico e tratamento do câncer do colo do útero. O presente estudo foi uma revisão integrativa de bibliografias, realizada com busca de artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais indexados no PubMed e SciElo. Foram selecionados 10 artigos específicos com a palavras-chave “Câncer do Colo de Útero”, “Saúde Mental” e “Meio Ambiente”; os critérios de inclusão foram as palavras “estudos em humanos”. Foram excluídos estudos em animais. O câncer de colo de útero é uma lesão intrauterina, sendo uma doença de evolução lenta, podendo levar de 10 a 20 anos para se desenvolver. É um dos poucos tipos de câncer com acontecimento e mortalidade crescentes nos Estados Unidos, refletindo, em parte, o aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade desde a década de 1980. É o quarto câncer mais comumente diagnosticado e a sétima causa mais comum de morte por câncer entre mulheres americanas (Henley, SJ et al.2016). No Brasil, o câncer de colo uterino está fortemente associado à atividade sexual, mais especificamente, ao número de parceiros e à idade da primeira relação sexual. Nos últimos anos, maior atenção vem sendo dada ao papilomavírus humano (HPV) este pode se manifestar através de verrugas na mucosa da vagina, pênis, ânus, laringe e do esôfago (INCA, 2019). Estima-se que cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas irão adquiri-la ao longo de suas vidas. Ou seja, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA) a infecção pelo HPV é um fator necessário, mas não suficiente, para o desenvolvimento do câncer uterino. Enfrentar o tratamento do câncer de útero pode afetar de uma forma negativa alguma das crenças nucleares que as mulheres possam ter sobre elas mesmas, o mundo e as outras pessoas. De acordo com a teoria cognitivo comportamental, nós formamos como pessoa através das nossas construções cognitivas, onde criamos nossas crenças centrais, que faz com que temos nossos pensamentos automáticos. Nossos pensamentos guiam nossas emoções, portanto quando as mulheres se encontram em um momento de enfermidade pelo câncer de útero pensamentos negativos como “vou morrer”, “estou feia” e “nunca vou me livrar dessa doença” as fazem enfrentar um pensamento de finitude (BECK, 2013). Com isso, ao realizar tratamento cirúrgico, quimioterapia ou radioterapia, muitas das mulheres apresentam perca de cabelo e quando o tratamento requer a retirada total do útero, relatam ficarem com um humor alterado, com baixa autoestima e depressivas, prejudicando o desenvolvimento do tratamento e sua melhora, sendo necessário muitas vezes o tratamento com o do uso de antidepressivos. Há várias décadas a utilização massiva do agrotóxico vem trazendo, incalculáveis prejuízos ao ambiente e ao homem. Em certas áreas agrícolas, o simples fato de “respirar” pode se tornar uma fonte de exposição, tendo em vista que, durante a atividade de pulverização, existe a dispersão desses produtos no ambiente (GARCIA,1991; MOREIRA,2002; PIGNATTI,2007).  Em um artigo de revisão publicado em 2017, foi descrito como propriedades cancerígenas muitos agrotóxicos com uso permitido no Brasil (HESS, S.C. (org.). 2018). Diversos agrotóxicos são considerados iniciadores, promotores e aceleradores da mutação que origina um tumor, sendo muito relato essa exposição câncer-doença em mulheres com câncer de mama, e em homens com câncer de próstata (HESS, S.C. (org.). 2018). Diante das revisões integrativas de bibliografias observamos o quão escasso é, sobre as informações referente a causas e fatores relacionados ao Câncer do Colo de Útero, baseando-se muitas vezes nos fatores sexualmente transmissíveis (HPV), tabaco e  uso continuo de anticoncepcionais, no entanto, estudos nacionais e internacionais já nos permite basear influências causadas pela utilização de agrotóxicos na população, principalmente nos trabalhadores rurais, não deixando isentos os que residem na zona urbana, pois com a contaminação ocupacional, alimentar e ambiental todos estão expostos, seja direta ou indiretamente ao veneno. Contudo estudos são importante e necessário já que Matogrosso é forte na agroindústria, por ser uma região com alto uso de pesticidas e herbicidas, apresenta a incidência de câncer acima da média nacional e até mesmo mundial entre mulheres e homens (HESS, S.C. (org.). 2018).

 

Palavras Chaves: Câncer do Colo de Útero, Saúde Mental, Meio Ambiente.

 

Referências:

1.Beck, Judith S. Teoria cognitivo-comportamental: teoria e pratica / Judith S. Beck; tradução: Sandra Mallmann da Rosa; revisão técnica: Paulo Knapp, Elisabeth Meyer. -2. Ed. –Porto. Alegre: Artmed, 2013.

2.DOSSIÊ ABRASCO: Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde. Organização de Fernando Ferreira Carneiro, Lia Giraldo da Silva Augusto, Raquel Maria Rigotto, Karen Friedrick e André Campos Búrigo. – Rio de Janeiro: EPSJV; São Paulo: Expressão Popular, 2015.

3.HESS, S.C. (org.). Ensaios sobre poluição e de doenças no brasil. 1 ed. São Paulo.; Outras Impressões 2018. Disponível em: file:///E:/Area%20de%20Trabalho/LIVRO%20PUBLICADO%20PRONTO.pdf. Acesso em: 13 de junho de 2019.

4. HENLEY SJ at al. Uterine Cancer Incidence and Mortality – United States, 1999- 2016. MMWR Morb Mortal Wkly Rep.2018; 67 (48). 1333-1338. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30521505.  Acesso em: 13 de junho de 2019.

5. INCA. Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional do Câncer. Estimativa 2018 incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: 2018.

6. INCA. Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional do Câncer. Fatores de Risco. Rio de Janeiro, 2019