Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DO JOGO TERAPÊUTICO: “SINTO SAUDADE DE ALGUÉM QUE AMO”
Bruna Gattass Crepaldi, Pablo Diego Ferras Monteiro, Tânia Mara Busetto, Larissa Franco, Elisangela Fátima Silva

Última alteração: 23-06-19

Resumo


Há muitas formas de se perceber a morte, mas, ao falar em luto, independentemente da idade em que o indivíduo o vivencia ele é causa de sofrimento. Especialmente para crianças, este processo pode ser influenciado por diversos fatores, tais como: a fase do desenvolvimento em que se encontra, sua capacidade psíquica, mental e emocional e os vínculos afetivos estabelecidos por ela. A criança pode demonstrar reações variadas frente à morte e isto depende diretamente de como recebeu a notícia e das explicações que recebe sobre isso. É essencial que a informação aconteça de forma clara e adequada, apresentando a causa da morte, seguida de explicações referentes aos processos naturais da vida, estimulando o entendimento e a capacidade de expressão referente aos sentimentos associados à morte, como a tristeza, culpa, ansiedade, revolta, entre outros, que comumente vem à tona. Quando a família ou pessoas próximas percebem que a criança não está lidando de forma adequada com o luto é comum que ela receba encaminhamento para frequentar terapia. Para ela, pode ser difícil falar sobre a morte, sendo necessário que o terapeuta infantil use de criatividade para acessar cognições, emoções e comportamentos associados ao luto. É comum que na terapia elas representem a perda através do lúdico (jogos, gestos e desenhos), expressando sua curiosidade e sofrimento. Pensando no processo terapêutico com crianças enlutadas, foi realizada uma revisão da literatura nacional objetivando um levantamento de jogos voltados para o público infantil que intervissem nesta temática. Esta revisão foi conduzida em setembro e outubro de 2018, onde foram buscados, tanto artigos científicos na base de dados Scielo, quanto em jogos ou recursos comercializados em sites de editoras. Constatou-se a inexistência de um jogo de tabuleiro voltado para intervenção terapêutica de crianças enlutadas. A partir disso, foi elaborado pelos autores deste estudo o jogo de tabuleiro chamado “Sinto saudade de alguém que amo”, cujo objetivo é compreender e intervir em pensamentos, emoções e comportamento da criança frente ao luto, trabalhando com faixa etária entre 7 a 12 anos. O tabuleiro contém 25 casas, que deverão ser percorridas pela criança, apresenta imagens ilustrativas repetidas em diferentes fases, por exemplo, árvores em cada estação do ano, nuvens acompanhada de sol e chuva, mostrando indiretamente à criança que tudo tem um tempo e uma fase. Para que a criança avance, terá que responder 10 questões, contendo respostas alternativas, expressões livres e desenhos. A cada resposta, o controle de casas, avançadas ou não, ficará apenas sob o controle do terapeuta. O psicólogo saberá o número de casas que serão andadas através da “Ficha de Questões”, seguindo uma sequência de cartas. A atividade não deve ser iniciada sem que seja explicado claramente para a criança o tema que será tratado. Após a revisão na literatura e a criação do instrumento, o mesmo foi submetido a profissionais com pacientes enlutados, a fim de verificar sua aplicabilidade e eficácia e, de acordo com resultados preliminares foi indicado que as perguntas a serem trabalhadas no instrumento terapêutico são adequadas para intervenções em psicoterapia, ressaltando que, por se tratar de um jogo visualmente cheio de detalhes e colorido, tanto o tabuleiro quanto as cartas, estimulam a criança a participar do que está sendo proposto. Foi importante para descobrir em que nível está à elaboração do luto da criança, pois evocou muitos pensamentos sobre a morte, trazendo à tona lembranças dolorosas, pelo que torna possível ser trabalhado. É importante reconhecer que a psicoterapia realizada com crianças enlutadas possibilita meios de compreensão e expressão, promover a construção de uma nova imagem do seu ente querido, por meio da recordação e sentimentos positivos de experiências vividas, além de buscar apoio de toda a rede de relacionamento social.

 

Palavras-chave: Infância, Luto, Jogo de tabuleiro, Terapia Infantil.

 

Referências Bibliográficas

HEEGAARD, Marge. Quando alguém muito especial morre.

KOVÁCS, M. J. Educadores e a morte. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, v. 16, n. 1, p. 71-81, São Paulo. 2012.

PAIVA, Lucélia Elizabeth. A arte de falar de morte para as crianças. Ed. Ideias & Letras, Aparecida – SP. 2011.

TORRES, Wilma da Costa. A criança diante da morte: desafios. 2. Ed. São Paulo: Casa do Psicólogo. 1999.