Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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A ESCUTA PSICOLÓGICA NO HOSPITAL GERAL: Um relato de experiência
Bianca Sangalli de Andrade, Bruna Cristina de Souza Silva, Hayanne Christine Teixeira Paz Azanki, Fabiane Espíndola de Assis, Sue Ellen Ferreira Modesto Rey de Figueiredo

Última alteração: 25-06-19

Resumo


A intensificação da atuação da psicologia voltada ao campo da saúde biológica se deu no final do século XX, quando foi incluída no escopo da prática médica. A atenção que fora voltada às doenças psicossomáticas teve substancial peso na inserção da psicologia nos hospitais gerais (GORAYEB; GUERRELHAS, 2003). Compreende-se que a Psicologia Hospitalar segue o modelo de visão biopsicossocial, enfatizando o entendimento e o tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento do indivíduo. Geralmente o sujeito chega ao hospital com objetivo de tratar e curar uma doença orgânica, porém, observa-se que é possível encontrar por trás de patologias problemas de desordem psicológica que, não poucas vezes, acabam por ser o agente causador da patologia orgânica apresentada, assim como encontramos problemas psíquicos que sejam resultantes da enfermidade biológica e do processo de hospitalização (SIMONETTI, 2013). No hospital, para além da doença, o que se torna objeto de interesse são os aspectos psicológicos, definidos por Simonetti (2013) como manifestações subjetivas mediante o adoecimento, sentimentos, desejos, pensamentos, atitudes, fantasias, memórias, sonhos e conflitos são fatores de manutenção da doença, ou até mesmo, agentes desencadeadores desse processo. Conforme aponta Angerami-Camon (2010), a doença é vivenciada de maneira singular por cada indivíduo, não há diretrizes que enquadrem o sofrimento humano. Nesse sentido, a observação e compreensão de cada caso permite que através de uma escuta qualificada, seja possível captar manifestações psíquicas passíveis de intervenções possibilitando a amenização do sofrimento. Este estudo trata-se de um relato de experiência de estágio no âmbito hospitalar envolvendo as dificuldades encontradas, questionamentos e reflexões acerca da relevância dessa vivência na formação acadêmica do psicólogo. Os diferentes tipos de adoecimento e o modo subjetivo de lidar de cada sujeito proporcionam aos estagiários muito mais do que um espaço de interlocução da teoria com a prática, proporciona um espaço de desenvolvimento de sensibilidade na compreensão dos aspectos subjetivos da vivência de cada paciente, habilidades para lidar com situações inusitadas e muitas vezes, o enfrentamento de momentos de frustrações mediante as especificidades do âmbito hospitalar. A escuta psicológica nesse contexto é permeada por uma série de intempéries, desafios e surpresas que exigem manejo daquele se coloca no lugar de escuta, diante disso, busca-se através desse relato expor a experiência advinda de um semestre de estágio hospitalar no Hospital Geral de Cuiabá. O atendimento psicológico inicial em uma unidade de atendimento hospitalar especializado é de grande impacto pela contextualização entre a teoria e a prática para um estagiário, em detrimento do sigilo tanto do atendimento psicológico quanto frente ao preenchimento de prontuário que é disponibilizado a equipe. O Art. 9º do código de ética do psicólogo expõe que é nossa obrigação “respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional (CFP, 2005, p.13).” Ao adentrar em uma enfermaria hospitalar que subjuga vários leitos possibilitando que o paciente seja ouvido por outrem, faz-se assim necessário manejo do estagiário e do próprio paciente em permanecer no local ou encontrar outro local quando o paciente pode se locomover para que se estabeleça um ambiente silencioso e sigiloso para o atendimento. A todo momento é demandada a maleabilidade do estagiário frente à atuação em um local com exposição a ruídos, afecções e interconsulta de diversas ordens. Sette e Gradvohl (2014) inferem que a possibilidade de conversar com o estagiário a respeito de assuntos que extrapolam o dia a dia com a doença, possibilita ao paciente o trabalho de questões psicológicas emergentes. Outro aspecto do âmbito hospitalar é estar aberto as variadas formas de realidade psíquica e demandas, no ambiente hospitalar, em que o indivíduo ao ser internado se depara com um demasiado de estímulos adversos que promovem a realocação da sua vida frente a doença. Afirma Camargo (2005) que a doença tem efeito no indivíduo conforme sua organização psíquica, e como é elaborado suas fantasias e emoções. O estagiário de psicologia está presente no hospital para promover saúde e um espaço de fala para o sujeito, na qual, através da fala a “nossa tarefa será demonstrar que esses conceitos só adquirem pleno sentido ao se orientarem num campo de linguagem, ao se ordenarem na função da fala (LACAN, 1998, p.247).”

 

Palavras-chave: Liga Acadêmica; Lapsih; Psicologia Hospitalar; Psicologia da Saúde.

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