Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Indisciplina escolar e Adolescência: Concepções de adolescentes em Várzea Grande/Mato Grosso.
GLEICE KELLY CAMPOS BARBOSA DA SILVA, Jane Teresinha Domingues Cotrin

Última alteração: 27-06-19

Resumo


A indisciplina escolar tornou-se um dos grandes problemas no processo educativo de jovens alunos. A desordem em sala de aula e em outros contextos envolvendo adolescentes são compreendidos como algo normal da adolescência, portanto, é comum a crença de que todo adolescente é “aborrecente”, inconsequente, problemático e difícil de lidar. Nessa direção, as alternativas usadas como forma de se relacionar com o adolescente tanto na escola como em outros espaços, por vezes, terminam em embates e conflitos intermináveis resultando em sofrimento de ambas as partes. Em razão disto, este trabalho tem por finalidade apresentar dados parciais de uma pesquisa realizada com adolescentes em duas escolas de ensino fundamental, sendo uma pública e outra privada, na cidade de Várzea Grande, Mato Grosso. Os objetivos consistiram em investigar os sentidos e significados que jovens alunos e alunas atribuíam a adolescência e a indisciplina escolar. Além disso propõe-se apresentar aportes teóricos da psicologia histórico-cultural para a compreensão desses fenômenos. A hipótese deste trabalho é a de que a indisciplina escolar, não se trata de um fenômeno inerente a adolescência tampouco algo naturalizado. Diante deste contexto, destaca-se a relevância deste estudo nesta perspectiva teórica, pois, dos estudos que há sobre este tema, são ressaltados apenas as transformações biológicas, como por exemplo a puberdade, sendo estas, as causas e características de todos os problemas emocionais ou a origem de comportamentos patológicos que perpassam esse período. Na concepção da psicologia histórico-cultural, a adolescência é um período desenvolvimento humano construído, historicamente e culturalmente, por meio das relações sociais e da linguagem mediada. Neste período, novas funções psicológicas superiores passam a operar no plano psicológico do adolescente. Considera-se esta nova operação psicológica, um salto qualitativo que inaugura esse momento que é denominado em nossa sociedade de: Adolescência. Nesse sentido, seu aspecto determinante é o desenvolvimento do pensamento por conceitos que por meio dela direciona os interesses do adolescente em direção a cultura em que estiver inserido. Diante deste contexto convém enfatizar que a psicologia histórico cultural se propõe criticar as construções teóricas a-históricas, pois, além de afetar a construção subjetiva dos adolescentes, contribuem para uma demanda de sofrimento psíquico das quais por vezes são interpretadas pela abordagem histórico cultural como sendo as crises decorrentes deste processo de intelectualização e do seu lugar ocupado nas relações com o outro. Em linhas teóricas naturalizantes da adolescência a indisciplina é algo dado e determinado biologicamente.. Assim, a pesquisa em questão assume natureza qualitativa e utilizou-se da técnica de grupo focal para a produção de dados. O processo metodológico consistiu na formação de dois grupos, um em cada escola, composto por adolescentes de ambos os sexos, negros e brancos, com a idade de 14 anos. Os grupos foram operacionalizados por meio de seis encontros, com eixos temáticos definidos. Para o tratamento dos dados utilizou-se a técnica da Análise Temática. Sendo assim, a concepção adotada para a compreensão de adolescência e indisciplina escolar se fundamenta na perspectiva de que a adolescência é uma construção social, histórica e cultural, passível de significações e interpretações. Com os resultados esperamos contribuir para a consolidação de políticas públicas ou atividades no contexto escolar que viabilize o desenvolvimento de suas potencialidades. No momento, esta pesquisa se encontra na fase de transcrição dos dados coletados e conta com apoio financeiro da CAPES/FAPEMAT.

Palavras-chave: Adolescência, Desenvolvimento Humano, Indisciplina Escolar, Psicologia Histórico-Cultural.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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