Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Câncer do Endométrio e Fatores Ambientais
Fernanda Barbosa Siqueira, Luiz Emídio de Miranda Silva, Verônica Betsabá Mattos, Sue Ellen Ferreira Modesto Rey de Figueiredo

Última alteração: 05-07-19

Resumo


O presente resumo tem como objetivo demonstrar de forma sucinta as principais causas do câncer ginecológico do endométrio e a importância dos estudos sobre essa patologia que afeta a saúde ginecológica da mulher. Trata-se de uma revisão de bibliografias realizada com a busca de artigos científicos publicados em periódicos internacionais incluídos no PubMed e SciELO. Foram pesquisados artigos em inglês de 2014 a 2019. Os termos de busca foram: câncer de endométrio, neoplasias endometriais e câncer ginecológico. O Câncer do Endométrio (CE) é uma das principais causas da morbidade e mortalidade na mulher. O CE tem maior incidência em países desenvolvidos em comparação com os países em desenvolvimento, contudo, associou-se a maior mortalidade pelo câncer em países em desenvolvimento [1]. Segundo pesquisas americanas, o câncer de endométrio é o mais prevalente entre os tipos de câncer ginecológico, afetando 24/100.000 mulheres, em comparação ao câncer de ovário que é o menor entre eles, cerca de 12/100.000 [2].  Em 2012, foram 527.600 mil mulheres no mundo inteiro que foram diagnosticadas com câncer de endométrio, tendo como taxa de mortalidade 1,7 a 2,4 por 100.000 mulheres [3]. No passado, o CE tinha a maior incidência em mulheres na menopausa, com maior associação a reposição hormonal, entretanto, nos últimos 10 anos, a incidência de câncer endometrial aumentou drasticamente em mulheres jovens como resultado da obesidade precoce [3]. Os principais fatores de risco implicados com o CE são obesidade, dieta hiperlipídica, nuliparidade e ainda a terapia de reposição hormonal (TRH) [2]. Outros fatores que influenciam no desenvolvimento do câncer de endométrio é a menarca precoce, menopausa tardia, tumores produtores de estrogênio e infertilidade, particularmente devido à síndrome do ovário policístico, com um risco três vezes maior [4]. No Brasil, a estatística não é diferente, com a população de mais de 206 milhões de pessoas, houve 6 mil casos de câncer do endométrio em 2016, e existe uma previsão que em 2018, haverá 6,22 novos casos de câncer de endométrio para cada 100.000 mil mulheres brasileiras, e além disso a GLOBOCAN, uma importante plataforma que faz levantamentos estatísticos sobre o câncer, prevê um crescimento em 2025 para 9.372 e para 11.963 em 2035 [5]. A obesidade é a principal causa do câncer endometrial, sendo que 81% do diagnóstico em câncer do endométrio é feito em pessoas obesas com IMC maior que 30. A relação entre a obesidade e CE está associada a variações no metabolismo do estradiol, resposta à inflamação e alterações no metabolismo da insulina [6][3]. O sedentarismo e o estado de saúde também estão associados ao CE. Um estudo [3] comparou a aptidão física em mulheres obesas com e sem câncer do endométrio e constatou que as mulheres obesas com câncer demonstraram uma aptidão consideravelmente pior e níveis mais altos de glicose do que as mulheres obesas sem CE [3]. Inicialmente, acreditava-se que a prevalência do câncer de endométrio acometia mulheres no pós-menopausa, no entanto, nos últimos anos estudos mostram que com a obesidade precoce a incidência de câncer de endométrio em mulheres jovens vem aumentando dramaticamente [3]. No estudo de Colombo et al tanto a menarca precoce como a menopausa tardia estão associadas a um aumento de 2 vezes mais o risco relativo de desenvolver câncer de endométrio. O risco relativo é de 2,4 para mulheres de 12 a 15 anos e de 1,8 para mulheres de 50 a 55 anos [7]. Próximo a menopausa, as mulheres devem ser fortemente encorajadas a reportar qualquer sangramento vaginal, corrimento ou mancha para o seu médico para garantir o recebimento apropriado de um tratamento para distúrbio pré-canceroso do endométrio [7]. Contudo, é necessário desenvolver estudos mais aprofundados e específicos que evidenciam esses problemas com o objetivo de disseminar as informações para os pacientes para a busca de um tratamento eficaz.

 

Palavras-Chave: câncer de endométrio; neoplasias endometriais; câncer ginecológico.

Bibliografia

1.Chu D, Wu J, Wang K, et al. Effect of metformin use on the risk and prognosis of endometrial cancer: a systematic review and meta-analysis. BMC Cancer. 2018;18(1):438. Published 2018 Apr 18. doi:10.1186/s12885-018-4334-5

 

2.Sanches Marcos Paulo R., Matsubara Anderson, Grande Marco Aurélio A., Collaço Luiz M.. Peritoneal washing in gynecological neoplasias. J. Bras. Patol. Med. Lab.  [Internet]. 2019  Feb [cited  2019  June  14] ;  55( 1 ): 20-31. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-24442019000100020&lng=en.  Epub May 09, 2019.  http://dx.doi.org/10.5935/1676-2444.20190010.

 

3.Kathleen Moore, MD, and Molly A. Brewer, DVM, MD, MS. Endometrial Cancer: Is This a New Disease?. American Society of Clinical Oncology Educational Book 37 (October 29, 2018) 435-442. DOI: 10.1200/EDBK_175666.

 

4.Rei Mariana, Pedrosa Sofia, Sousa Rita, Raposo Sofia, Sá Luís. Pregnancy after endometrial carcinoma: case report and literature review. Acta Obstet Ginecol Port  [Internet]. 2019  Mar [citado  2019  Jun  14] ;  13( 1 ): 50-53. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-58302019000100009&lng=pt

 

5. Paulino Eduardo, Nogueira-Rodrigues Angélica, Goss Paul E., Faroni Lilian, Guitmann Gustavo, Strasser-Weippl Kathrin et al. Endometrial Cancer in Brazil: Preparing for the Rising Incidence. Rev. Bras. Ginecol. Obstet.  [Internet]. 2018 Oct [cited 2019 June 14]; 40 (10): 577-579. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032018001000577&lng=en.  http://dx.doi.org/10.1055/s-0038-1673644.

 

6.Van Weelden WJ, Fasmer KE, Tangen IL, et al. Impact of body mass index and fat distribution on sex steroid levels in endometrial carcinoma: a retrospective study. BMC Cancer. 2019;19(1):547. Published 2019 Jun 7. doi:10.1186/s12885-019-5770-6

 

7.Colombo N, Creutzberg C, Amant F, et al. ESMO-ESGO-ESTRO Consensus Conference on Endometrial Cancer: Diagnosis, Treatment and Follow-up. Int J Gynecol Cancer. 2016;26(1):2–30. doi:10.1097/IGC.0000000000000609