Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

Tamanho da fonte: 
“A APAE TEM QUE CRESCER”: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE NARRATIVAS NA APAE DE MIRASSOL D’OESTE
Lucas Andre Simione, Jeysson Ricardo Fernandes da Cunha

Última alteração: 05-07-19

Resumo


O presente trabalho trata de experiências a partir do Estágio Básico III: contextos sociais, saúde e comunitários, no decorrer do oitavo semestre de Psicologia da Faculdade de Quatro Marcos. A instituição lócus de estágio foi a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Mirassol D’Oeste/MT. Parte do princípio que o processo narrativo faz parte da existência humana e que revela conteúdos de sentidos e significados construídos ao logo da vida do sujeito. Como ancoragem teórica, utilizou-se a Teoria Histórico-Cultural (VIGOTSKI, 2009; 2010) a partir dos conceitos de criação e imaginação, além da importância do meio. Em adição, tem-se a narrativa como fenômeno psicológico de Bruner (1997). Assim, o ser é constituído além do saber empírico e sua narrativa é a expressão de sua realidade. Tem-se como objetivo compreender como a narrativa pode proporcionar processos terapêuticos de cuidado em saúde mental. Para tanto, adotou-se como metodologia interventiva a observação participante que busca a atuação ativa no grupo dos sujeitos observados e promove a inserção do estagiário na instituição com o intuito de ambientar-se aos espaços e aos clientes. Como estratégia de geração de narrativas, optou-se pela elaboração de oficinas socioafetivas que fomenta aos clientes o acesso as vias de criação através do lúdico e libera suas expressividades e apresentando ao grupo suas percepções de mundo. As oficinas criadas foram intituladas: “Dia de artista”; “Era uma vez”; “Desenhos projetivos”; e “Sentidos e significados”. Para fins deste estudo, optou-se como recorte de análise as oficinas “dia de artista” e “era uma vez”.  Os dados gerados foram analisados segundo a noção de análise compreensiva que se dá em compreender os sentidos, significados e valores que os sujeitos atribuem a suas compreensões de mundo, olhando para os processos humanos em sua totalidade. As oficinas proporcionaram a utilização do lúdico como instrumento de apoio para o processo narrativo pois juntos, clientes e estagiário, se tornaram sujeitos e produtores das ações coletivas que viabilizaram o discurso compreensivo dos clientes. A Oficina Socioafetiva “Dia de artista”, participaram seis sujeitos e teve como instrumento uma tela de um metro quadrado e buscou proporcionar aos clientes o acesso à via de criação, utilizando da imaginação para guia-los na pratica da pintura. Pode-se perceber uma rede de coletividade que os membros dos grupos desenvolvem na instituição, já que a dinâmica durante a criação da tela foi coparticipativa. As narrativas elucidadas nesse processo baseou-se na satisfação da realização de uma pratica não dirigida, propiciando as expressões autenticas dos alunos, corroborado ao desenvolvimento psíquico dos sujeitos.  A oficina Socioafetiva “Era uma Vez” gerou narrativas de pertencimento sobre a APAE; a proposta se originou a partir de uma caixa de fantoche, os alunos foram convidados a narrar a história de sua vida, utilizando do espaço ofertado para mostrar suas experiências como sujeitos. Esse espaço narrativo demonstrou o quanto a instituição está aplicada no processo de desenvolvimento dos alunos, pois em suas a fala, o lugar se encontra marcado como algo integrado a identidade dos clientes. Observou-se como o olhar da sociedade sobre a APAE, está inserido no discurso, e a implicações nas relações interpessoais dos alunos. No processo narrativo, os sujeitos parecem demonstrar toda construção social de si e de seus pares que influenciam em seus processos de desenvolvimento, sobretudo, os estereótipos vivenciados que aprisionam as capacidades dos sujeitos.

Palavras-chave: narrativas; oficinas socioafetivas; Apae.

 

REFERÊNCIAS

MARTINS, J.B. Observação participante: uma abordagem metodológica para a psicologia escolar. Semina: Ci. Sociais/Humanas, Londrina, v. 17, n. 3, p. 266-273, set. 1996.

VIGOTSKY, L. S.; COLE, M. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998

SQUIRE, C. Dossiê: Narrativas: O que é narrativas. Disponível em:  <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/civitas/article/view/17148/11473> Acesso em: 08 de novembro de 2018.