Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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ACOMPANHAMENTO ACADÊMICO DE ESTUDANTES ASSISTIDOS(AS) PELA SUPERVISÃO DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL (SAE/UFMT-CUR)
João Paulo dos Santos de Oliveira, Jéssica Matos Cardoso, Jeyce Caroline Oliveira Camargo, Maria Carolina Kovaleski Ferreira, Márcio Alessandro Neman do Nascimento

Última alteração: 28-06-19

Resumo


Resumo: O Programa Nacional de Assistência Estudantil – PNAES (2010) prevê que sejam garantidos, por meio de diversos serviços que buscam combater situações de reprovação e evasão, a permanência e o êxito acadêmico de estudantes vulneráveis socioeconomicamente matriculado(a)s em cursos de graduação presencial nas instituições federais de ensino superior (IFES). De acordo com o Decreto n° 7.234/2010 (PNAES), dentre as diversas ações a serem desenvolvidas pela assistência estudantil encontra-se o apoio pedagógico. Nesse sentido, o acompanhamento acadêmico realizado na Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT/ Campus Universitário de Rondonópolis surge como plano de ação apoiado por essa política nacional e tem como público-alvo estudantes assistido(a)s pela Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PRAE) que não tiveram desempenho acadêmico solicitado, como previsto em edital. Portanto, cabe ressaltar que a PRAE é responsável pelas políticas de assistência estudantil e de ações afirmativas, bem como pelo atendimento das necessidades socioassistenciais, além de contribuir para a permanência, em sua integralidade, de todo(a)s o(a)s estudantes matriculados na instituição. Dessa forma, o trabalho foi desenvolvido pela equipe da Supervisão de Assistência Estudantil (SAE) do Campus Universitário de Rondonópolis, em conjunto com alunos(as) bolsistas do Programa de Apoio à Inclusão e um supervisor/professor do curso de Psicologia, tendo, as ações sido realizadas, com o aporte do Código de Ética dos profissionais de Psicologia (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2005), bem como outros documentos produzidos pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). O projeto também é apoiado pela tríade teoria-prática-supervisão, sendo norteado pelo arcabouço teórico-metodológico esquizoanalista e de autores pós-estruturalistas – sendo que estes distanciam-se de uma conduta cristalizada sobre a visão de sujeito. Assim, no período de novembro de 2018 a abril de 2019, vinte estudantes foram atendidos(as), tendo apresentado, entre as principais demandas, dificuldades referentes às disciplinas de exatas, como também vulnerabilidades nos vínculos familiares, afetivos e sociais, além de dificuldades econômicas e pouco convívio acadêmico. Dessa forma, entende-se que o desempenho acadêmico é reflexo de atravessamentos de diversos âmbitos, desde o familiar ao social. A quantidade e frequência de atendimentos variou de acordo com a demanda do(a) estudante assistido(a), e tiveram duração média de 40 minutos. Os conteúdos trazidos e abordados nos atendimentos eram pensados e discutidos nas supervisões pelo supervisor/professor responsável em conjuntos com os(as) bolsistas do projeto. A partir disso, foi desenvolvido um plano individual de acordo com as demandas, dificuldades, potencialidades e fragilidades apresentadas por cada estudante, por meio de uma escuta sensível. O trabalho desenvolvido compreende que os sujeitos são atravessados por agenciamentos sociais que produzem modos de subjetivação (DELEUZE & GUATTARI, 1996), e que muitas dessas características da composição da diversidade humana podem ser condições que favorecem processos de estigmatização, e subsequentemente, sofrimento psíquico intenso (FOUCAULT, 1972). Diante disso, dentre as atividades que foram planejadas e propostas em conjunto com os(as) discentes, pode-se apontar a elaboração de cronogramas de estudos, a organização dos horários do dia (cronograma), projeção para os semestres posteriores, bem como um mapeamento e fortalecimento das redes de solidariedade e de proteção do(a) estudante. A partir disso, também foram realizados encaminhamentos para os serviços de saúde, assistência social e serviços com atendimentos psicológicos prolongados, como o Centro de Práticas Psicológicas (CEPRAPSI), da UFMT/ Campus Universitário de Rondonópolis. No seu período de realização, o acompanhamento acadêmico mostrou-se um plano efetivo de ação, uma vez que, em sua maioria, o(a)s apoiado(a)s tiveram um desempenho superior/acima da média em relação ao que era esperado e solicitado em edital. Em relação à devolutiva do(a)s assistido(a)s, pode-se indicar que o serviço oferece uma visão e um acompanhamento mais próximo do(s) acadêmicos – até a implementação do serviço, o acompanhamento acadêmico ocorria por meio de um relatório eletrônico –, além de ser apontado como um trabalho minucioso, uma vez que aborda e lida com os mais diversos fatores que contribuem para o desempenho acadêmico.

Palavras-chave: Assistência Estudantil; Apoio à Inclusão; Acompanhamento Acadêmico; Psicologia.

Referências

BRASIL. Decreto Nº 7.234, de 19 de julho de 2010. Dispõe sobre o Programa Nacional de Assistência Estudantil - PNAES. Brasília, 2010. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7234.htm>. Acesso em 05 de junho de 2019.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de ética profissional do psicólogo. Brasília, 2005. Disponível em <https://site.cfp.org.br/legislacao/codigo-de-etica/>. Acesso em 01 de junho de 2019.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. “Micropolítica e segmentaridade”. In: ______. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia, v.3. Trad. Suely Rolnik. São Paulo: 34, 1996, p. 83-115.

FOUCAULT, Michel. Médicos e Doentes. In:____. História da Loucura. São Paulo: Perspectiva, 1978. cap.9, p. 329-375.

UNIVERSIDADE Federal de Mato Grosso. Pró-Reitoria de Assistência Estudantil. Disponível em <http://www1.ufmt.br/ufmt/un/prae>. Acesso em 05 de junho de 2019.