Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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A TEORIA DA PERSONALIDADE E DO DESENVOLVIMENTO SEGUNDO A ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA
Bruna Tondin, Janaine Silvestre de Paula

Última alteração: 30-06-19

Resumo


Resumo: Neste minicurso será apresentada a teoria de personalidade e do desenvolvimento da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) de Carl Ransom Rogers (1902-1987), considerando a necessidade de fortalecer este conhecimento teórico através de divulgação científica. Além disso, a necessidade de refletir sobre os processos de organização e de desorganização da personalidade se faz importante, considerando que os índices de adoecimento no Brasil são alarmantes, como evidencia a exposição do relatório Depression and Other Common Mental Disorders, divulgado em 2017 pela Organização Mundial da Saúde, de que a depressão atinge 5,8% da população brasileira, representando mais de 11,5 milhões de pessoas (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2017). Ponderar sobre as necessidades básicas constituintes da organização de personalidade é uma ação que visa promover saúde na medida em que embasa teoricamente profissionais em suas ações de prevenção dos adoecimentos. A ACP está fundamentada na compreensão de que toda pessoa possui um sistema inato de motivação e controle (respectivamente, a tendência à atualização e os processo de avaliação “organísmica”) que, por meio de comunicação interna automática, mantém o organismo a par do nível de satisfação das necessidades que emanam da tendência à atualização, formando a noção do eu (ROGERS & KINGET, 1977). Para que estas tendências expressem o seu potencial máximo, são necessárias algumas condições que dizem respeito à qualidade das relações estabelecidas entre criança e a pessoa que participa ativamente de sua primeira infância (pessoa critério/referência). Com isso, a proposta é responder alguns questionamentos, tais como: Como acontece a organização da personalidade? Qual é a influência da família? Como são estabelecidas as condições de valor intra e interpessoais? Como são percebidas as repreensões de comportamento? Quem é a pessoa critério/referência? Como é formada a noção de EU/SELF na infância? Como a noção de EU é percebida na vida adulta? Como se dá o desenvolvimento da consciência das emoções?  Como ocorre a desorganização da personalidade? A fim de responder a essas e outras questões, a apresentação será estruturada em três eixos: a organização do desenvolvimento; a desorganização; a reorganização. Na organização da personalidade tem-se como fundamental a determinação acerca das condições que fazem uma pessoa ocupar o lugar de pessoa critério na vida da criança e a importância da qualidade da relação estabelecida entre pessoa critério e criança, uma vez que esta relação constrói as principais condições de valor e, por consequência, o desenvolvimento do EU real e ideal. A desorganização da personalidade por sua vez, ocorre quando há desacordo entre o EU e a experiência, quando age-se sem ter consciência dos pensamentos e sentimentos, quando não são simbolizados de maneira congruente, quando não atualiza-se o organismo de maneira positiva (ROGERS & KINGET, 1977) A reorganização da personalidade se dá na medida que quanto mais uma experiência favorecer a tendência à atualização mais será capaz de suscitar um comportamento correspondente acompanhado de processo contínuo de avaliação “organísmica”, atribuindo valor positivo às experiências que percebe como favoráveis à preservação e à valorização do organismo, e atribui um valor negativo as experiência que percebe como contrárias à preservação e à valorização do organismo (ROGERS & KINGET, 1977). Essa reorganização pode ser observada com base em uma escala chamada de continuum do processo terapêutico, que começa em uma extremidade, descrevendo um funcionamento psicológico rígido e superficial e evolui para um funcionamento psicológico mutável, fluido, com expressões mais próximas dos sentimentos pessoais, confiando nas potencialidades organísmicas. Esta escala possui três níveis (inferior, médio e superior), e propõe mudanças em 07 tópicos: Relação a Sentimentos; Modo de vivenciar; Concepções pessoais; Comunicação do EU; Posicionamento frente a problemas; Relações interpessoais; Extremidade superior do continuum (ROGERS, C. R. e WOOD, 1974).  O minicurso será apresentado utilizando recurso multimídia, como data show e aparelho de som e para finalizar, será realizada uma dinâmica dinâmica para ampliar o entendimento do conceito de EU ideal e real. Com isso, conclui-se a proposta de apresentar a teoria da personalidade/desenvolvimento da ACP, aprofundando a compreensão desta abordagem, que por vezes é entendida de maneira simplista pela falta de conhecimento mais sólida nas teorias que compõem a Abordagem. Acredita-se que este mini curso contribuirá para este fim e ainda para a reflexão acerca dos sofrimentos emocionais decorrentes da desorganização da personalidade.

Palavras-Chaves: ACP, Personalidade, Desenvolvimento.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ROGERS, C. R.; KINGET, G. M. Teoria da personalidade e da dinâmica do comportamento. In: ROGERS, C. R., KINGET, G. M. Psicoterapia e Relações Humanas: teoria e prática da terapia não diretiva. Belo Horizonte: Interlivros, Vol. 1, 1967/1977. (cap. 10)

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Depression and other common mental disorders: global health estimates. 2017. Pag. 08, 09, 10 e 21. Disponível no sítio: http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/254610/WHO-MSD-MER-2017.2-eng.pdf?sequence=1 em 25 de dezembro de 2018.

ROGERS, C. R. e WOOD, J. K. Teoria centrada no cliente: Carl Rogers. In: BURTON, A. Teorias operacionais da personalidade. Rio de Janeiro:Imago, 1974, p. 192-233.