Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Inserção do profissional de Psicologia nas políticas públicas e seus desafios na contemporaneidade
Erika Aparecida Oliveira, Guilherme Tomas Santana Junior

Última alteração: 26-06-19

Resumo


A inserção de profissionais nas políticas públicas ocorreu por meio da efervescência das lutas de trabalhadores organizados e movimentos sociais pela redemocratização da saúde, a exemplo da reforma sanitária, que aliada ao movimento da reforma psiquiátrica trouxe outro olhar para o cuidado em saúde mental. Juntamente com a regulamentação da Constituição Federal (CF) com garantia de direitos e acesso a saúde pública por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Posto isto, podemos considerar a inserção do profissional de Psicologia no campo das políticas públicas como um acontecimento recente, e que ainda suscita muitas dúvidas nas psicólogas e psicólogos após a formação e a entrada no mercado de trabalho. Qual atuação é mais indicada? Quais orientações seguir? Estão entre os questionamentos mais frequentes. Para auxiliar na busca por algumas respostas, propomos este mini curso que possui como objetivo geral: Apresentar as principais referências e resoluções para inserção nas políticas públicas, ampliando o olhar da psicologia para o sistema de garantia de direitos. E específicos: Explanar sobre a história da inserção do profissional de Psicologia nas políticas públicas, e seus desafios na contemporaneidade; Promover reflexão sobre a importância da Psicologia em políticas públicas; Auxiliar em dúvidas quanto a atuação profissional em políticas públicas; Suscitar debates sobre a inserção em diferentes contextos; Apresentar temas políticos fundamentais e transversais no exercício da profissão. Utilizaremos como proposta metodológica Roda de conversa sobre o tema com estudo e debate com documentos do Sistema Conselhos de Psicologia, por meio do CREPOP - Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas. Vale ressaltar que além de um papel técnico, o CREPOP tem um importante papel ético e político. Ético no que tange a qualificação profissional, orientando um fazer alinhado com a garantia de direitos e a transformação de vidas. Político por se tratar de um espaço que demarca as contribuições da Psicologia para o campo das políticas públicas, voltadas para transformação social.  Mais do que respostas, queremos suscitar reflexões conforme o CRP/RJ, apesar de estarem presentes na vida de todos os cidadãos brasileiros, são raros os debates sobre as políticas públicas. Muitos as veem como concessões de um governo, quando, na verdade, são conquistas alcançadas a partir da interação da sociedade com o Estado. Nesse contexto, como a Psicologia pode se inserir nas políticas públicas, de forma a ajudar na produção de demandas, na sua efetivação e no seu monitoramento? Percebemos uma necessidade de reinvenção de diferentes estratégias no reconhecimento de que os indivíduos-alvo das políticas sociais também são sujeitos de sua história e, portanto, agentes de transformação de seu modo de vida como também das comunidades em que transitam. Tal constatação coloca a necessidade de que as(os) psicólogas(os) reflitam teoricamente (bem como vivencialmente) sobre a cultura e modos de vida que se desenham nas classes populares, sem classificá- las, a priori, como inferiores e/ou desviantes. Neste sentido, a construção de uma Psicologia que se afirme como crítica à problematização do imbricamento das dimensões macro e microssociais na totalidade histórica da vida cotidiana, bem como a consideração da importância e potência da participação cidadã na construção de condições verdadeiramente democráticas de existência. Assim, o diálogo com os usuários e suas comunidades, a construção de ações conjuntas e solidárias, o fortalecimento de redes de solidariedade com o foco na articulação de projetos coletivos e o fomento da investigação-ação-participante são desafios que dimensionam a prática psi. Logo, é fundamental escaparmos de leituras totalizantes, que insistem em empreender análises uniformizadoras e moralistas das condutas daqueles a quem a ação do profissional psi é direcionada. Assim, entendemos que as práticas psicológicas nos campos conflituosos das políticas públicas implicam a problematização de diretrizes e normativas sociais que, de diferentes formas, tentam interditar a produção e visibilidade de configurações plurais de existência. Esperamos com este mini curso contribuir na formação de estudantes de graduação, pós-graduação, profissionais participantes da VIII Semana de Psicologia e I Encontro do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Congregando desta maneira junto ao Grupo de Trabalho 12 - Psicologia Social e Psicologia Comunitária reflexão sobre a atuação, os desafios e as conquistas das práticas psicossociais na interface com Direitos Humanos, Movimentos Sociais e Políticas Públicas.

Palavras-chave: Psicologia, Políticas Públicas, Atuação Profissional.


REFERÊNCIAS

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FREITAS, Maria de Fátima Quintal. Intervenção psicossocial e compromisso: desafios às políticas públicas. In A. M. Jacó- Vilela &L. Sato (Orgs.). Diálogos em psicologia social (pp. 329-341). Porto Alegre: Evangraf, 2007.

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