Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Preparação o Parto Centrado na Gestante: Psicologia e Possibilidades de Promoção de Saúde
Cintia Souza Abreu, Rodrigo Alves Caldeira, Pâmela Thais Delmonde, Fernanda Cândido Magalhães

Última alteração: 14-07-19

Resumo


Historicamente, o parto passou por modificações no âmbito social, práticas de assistência ao parto e maneira de parir, no século XVII, o parto era assunto de domínio das mulheres, com o passar do tempo e o desenvolvimento da medicina, aconteceu a entrada dos cirurgiões e retiradas das parteiras da cena do parto. Acrescido a isso, no século XX efetivaram-se a hospitalização e institucionalização do parto, o que antes era um processo natural, fisiológico, agora é tido como resultado de intervenções médicas.  Gradualmente as práticas médicas foram aprimoradas e novas tecnologias inseridas, como o procedimento cirúrgico para os casos em que não era possível o nascimento pela via natural de parto. De início, o risco cirúrgico era elevado e a realização da cesariana implicava em muitos casos, na morte da mulher; tinham-se taxa de mortalidade materna de 90% em casos de sua realização. A alta taxa de mortalidade materna começou a cair com o surgimento das técnicas antissépticas de anestesia e solturas, transfusão sanguínea e estancamento de hemorragias. Nos anos 60, a cesariana tornou-se grande aliada das práticas obstétricas, pois assume o lugar de poder trazer a vida, sem provocar a morte materna. Entretanto, a partir dos anos 1970, a cesariana começou a ser usada de forma abusiva, o que a coloca em oposição do objetivo de sua criação e prática. O alto índice de cesariana realizado no Brasil se tornou questão de saúde pública; atualmente ocupa o ranque de segundo lugar mundial, com índice de 56% de realização de parto cesarianos, sendo que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde é de 10% a 15%, quando ultrapassando este índice não há indícios de vantagens ou contribuições para a redução de morbimortalidade, pelo contrário, o que se tem é uma exposição desnecessária da mulher e bebê a riscos. Diante deste número exorbitante de nascimentos por via cirúrgica, constata-se a retirada da autonomia e protagonismo da mulher do parto, há a desconsideração dos aspectos subjetivos e potenciais danos identitário da mulher em trabalho de parto, resultando em relações empobrecidas e danos psicológicos e emocionais. Todas estas questões demandam ações e práticas humanizadas, e é diante deste cenário que se realizou uma pesquisa de mestrado, que se encontra aprovada com o Número do Parecer: 2.510.397 e CAAE: 74421417.0.0000.8124, com o intuito de avançar nas proposições da psicologia inserida na atenção básica, para a promoção de saúde e preparo para o parto, tecendo as possíveis contribuições da psicologia para humanização e assistência integral à mulher na gestação, parto e puerpério. Trata-se de um estudo experiencial de natureza qualitativa, caracterizada como pesquisa do vivido, que por estes contornos é compreendida como um estudo psicológico fenomenológico. Nestes tipos de estudos prioriza-se o mergulho subjetivo do pesquisador, para além da via intelectual, portanto, privilegiou-se a experienciação das relações intersubjetivas, entre pesquisadora e gestantes. Ainda sobre o percurso metodológico, salienta-se adoção da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) como referencial teórico e método experiencial. Este estudo foi realizado em duas Unidades Básicas de Saúde, da cidade de Cuiabá-MT. As participantes da pesquisa foram 12 gestantes que estavam no primeiro trimestre da gestação que participaram de grupos psicoeducativos, com uma frequência de encontros quinzenais, facilitados por equipe multiprofissional. O processamento e compreensão dos resultados aconteceram em cinco etapas, através da busca do sentido do vivido gestar, o vivido corresponde ao sentimento primeiro, imediato. Após a transcrição, realizou-se a identificação prévia dos vividos, em seguida a fragmentação das narrativas individuais, para se chegar ao vivido do gestar e parir, em seguida identificou-se quais os contextos destes vividos, e por fim, acrescentou-se as observações da pesquisadora diante disto. Este processamento resultou em cinco contextos do vivido gestar e parir, sendo eles: Sentidos do gestar e parir; Práticas de atenção e cuidado no gestar e parir; Sentidos e significados da maternidade; Pré-natal centrado na gestante. Das análises iniciais destes contextos, salienta-se a importância da escuta centrada na gestante para a preparação do parto, sendo possível proporcionar a aprendizagem significativa, troca de experiência, apoio e suporte. Sublinha-se ainda a importância da construção do vínculo, entre equipe e gestante para autonomia e confiança da gestante em si e no processo de parturição.

 

PALAVRAS CHAVE: Preparação do Parto, Grupo Centrado na Gestante, Promoção de Saúde.

Bibliografia

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Declaração da OMS sobre taxas de cesárea. Genebra, 2015.

MALDONADO, Maria Tereza. Psicologia da Gravidez: Gestando Pessoas para uma Sociedade Melhor. São Paulo: Ideias e Letras, 2017.

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