Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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A PSICOLOGIA NO PREPARO PARA O PARTO: CONSTRUÇÃO DE VÍNCULO E RELAÇÃO HUMANIZADA
JORDANA LUZ QUEIROZ NAHSAN, Bruna TONDIM, Melissa Grazielly BARRETTA, Fernanda CÂNDIDO MAGALHÃES

Última alteração: 01-07-19

Resumo


O Brasil adotou como políticas públicas para saúde da mulher as recomendações para o parto, propostas pela Organização Mundial de Saúde, as quais incentivam o parto vaginal, o aleitamento materno no pós-parto imediato, o alojamento mãe e recém-nascido no mesmo quarto, a presença do acompanhante no processo, a atuação de enfermeiras obstétricas na atenção aos partos normais e também a inclusão de parteiras leigas (BRASIL, 2002). Em 2014, aproximadamente 2.979.259 milhões de crianças nasceram no Brasil, destes 57% consistiam em partos cesáreos. O Mato Grosso apresenta prevalência de 61% desse parto, sobre os realizados por via vaginal (UNICEF,2017). Tais estatísticas reforçam a necessidade de aprofundamento e pluralidade de estudos científicos que possam contribuir para a sensibilização da sociedade, na tentativa de mitigar esses indicadores.  Historicamente, na ocasião do parto a mulher era assistida, primeiramente pelas parteiras, que por experiência ou vocação faziam esse acompanhamento, diante das complicações, o médico passou a ser chamado para solucioná-los, com o aperfeiçoamento do conhecimento constrói-se a especialidade médica obstétrica. Desse advento, o acompanhamento tornou-se ofício médico, a partir do século XX, em que a medicalização dos procedimentos se deu com a finalidade de controle de possíveis intercorrências. Outros conhecimentos foram sendo incluídos tornado a assistência ao parto multiprofissional, ao passo que a parteira foi sendo retirada de cena, levando consigo seus saberes e cuidados (BIO, 2015). O Brasil tem conseguido expandir o sistema de apoio às gestantes, uma das ações constitutivas aplicadas pelo Ministério da Saúde é a Rede Cegonha, programa que tem como premissa o cuidado com o binômio materno-fetal, tais ações tentam assegurar o direito reprodutivo, ao atendimento humanizado para ambos, desde o preparo, no parto, até o pós-parto – garantindo o nascimento seguro e ao desenvolvimento correto das crianças, que são assistidos no sistema público de saúde. Trata-se de uma mudança de mentalidade cultural que está em constante alteração e debate, que não se reduz somente às normativas públicas e internacionais que direciona essa conduta ante ao nascimento. Com essa perspectiva, pretende-se inserir lançar um olhar sobre a temática do parto humanizado, podendo ser compreendido como uma reunião de ações que antevêem ao momento do parto, iniciando no preparo até após nascimento, estabelecendo cuidados, práticas e procedimentos que buscam adequar o processo de parto dentro de uma perspectiva mais integrativa do ser humano. Assim, compreende-se a humanização do parto como o ato de deixar o bebê chegar ao mundo, aceitando o nascimento de uma criança, nas condições possíveis a cada particularidade e com o acolhimento de outros seres humanos. Nesse caminho, em busca de ampliar os conhecimentos da Psicologia acerca do parto humanizado, do preparo e do vínculo com a equipe será propiciado, juntamente com o Curso de Fisioterapia, na Clínica Escola da Universidade de Várzea Grande, espaço de escuta psicológica para grupos de gestantes e equipe de assistência multiprofissional, que realizam atendimentos às gestantes. Estão previstos 32 encontros, com realização semanal com as parturientes e a equipe de apoio, tendo como intuito a sensibilização e orientação para os cuidados e preparos, para além do fortalecimento pélvico das grávidas. A metodologia a ser empregada é a pesquisa-intervenção, em que será agregada contribuições ao cenário estudado, tendo como base o fazer da equipe junto às gestantes e a preparação da equipe enquanto grupo. Buscando compreender de que forma a reunião dessas mulheres grávidas se constituem em um saber e um fazer que influencia no vínculo com estes mesmos profissionais. O modelo compreensivo da escuta na pesquisa será o da experienciação, tendo como base os constructos emocionais, de sentimentos e dos vínculos estabelecidos durante o período de estudo de campo (MESSIAS, 2001). O referencial teórico que embasa esse estudo é a Psicologia Humanista, tendo como alicerce a Abordagem Centrada na Pessoa, que surge em meados da década de 50, nos Estados Unidos. Essa nova corrente contrapunha à visão patologizante sobre o humano existente à época, trazendo um olhar integrativo. Os trâmites acadêmicos da pesquisa estão avançados, no tocante ao estabelecimento dos vínculos institucionais e submissão do projeto de pesquisa ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário UNIVAG, aguardando sua finalização para realização do estudo de campo, dentro da Clínica Escola.

Palavras-chave: Abordagem Centrada na Pessoa, Parto Humanizado, Preparação para o parto, Vínculo com Equipe.

 

Bibliografia:

 

AMATUZZI, M.M.. Por uma psicologia humana. Campinas. Ed. Alínea, 2008.

BIO, Eliane. O corpo no Trabalho de Parto: O resgate do processo natural do nascimento. São Paulo, Ed. Summus, 2015.

MAIA, MB. Humanização do parto: política pública, comportamento organizacional e ethos profissional. Rio de Janeiro, Ed. FIOCRUZ, 2010.

MESSIAS, J. C. . Psicoterapia centrada na pessoa e o impacto do conceito de experienciação. 2001. 142 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica) – Instituto de Psicologia e Fonoaudiologia, Pontífice Universidade Católica de Campinas, Campinas.

UNICEF. Quem, Espera, Espera. Unicef, Brasil, 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Humanização do parto e do nascimento. Ministério da Saúde. Universidade Estadual do Ceará. Brasília: Ministério da Saúde, v.4, 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Humanização do parto: Humanização no Pré-natal e nascimento. Secretaria Executiva. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.