Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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O Tornar-se Psicólogo e o Plantão Psicológico: Relatos de Experiência
Rodrigo Alves Caldeira, Thais Juchem Juchem, Fernanda Cândido Magalhães

Última alteração: 08-07-19

Resumo


O presente resumo objetiva relatar a experiência adquirida durante a inserção no Serviço de Plantão Psicológico do Estágio Específico Supervisionado I e II - Intervenções em processos de saúde e sofrimento psíquico, referente ao curso de Psicologia, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), realizado no Serviço de Psicologia Aplicada (SPA), sob a ótica da Abordagem Centrada na Pessoa. O SPA, além de prestar serviços psicológicos à comunidade interna e externa à UFMT, propõe-se a promover também a formação acadêmica dos estudantes. A modalidade de atendimento imediato, denominada Plantão Psicológico, encontra-se disponível em dias e horários nos quais o/a estagiário/a fica à disposição para atendimento das pessoas que procuram espaço de escuta e acolhimento. O plantão não se caracteriza como psicoterapia, mas como intervenção imediata e breve, sem necessidade de agendamento, acolhendo a demanda espontânea da pessoa, no momento em que necessita de ajuda. São disponibilizados para os clientes que procuram o SPA até três atendimentos, podendo ele/a usufruir dos mesmos no momento em que precisar. Este espaço de acolhimento auxilia as pessoas a terem uma maior autonomia emocional, bem como, ressignificação acerca de sua realidade vivenciada. A pessoa atendida é a protagonista do processo, cabendo a ela fazer escolhas e exercer suas potencialidades. Para tanto, teoricamente o plantão se ancora nos fundamentos da Abordagem Centrada na Pessoa e nos princípios que respaldam a mesma, como a Tendência Atualizante, na qual se acredita que todo ser vivo luta, mesmo nas condições mais desfavoráveis, para crescer, se desenvolver e pela manutenção da vida. Na existência de um clima facilitador de desenvolvimento, o qual possui três atitudes fundamentais, sendo elas a congruência, a compreensão empática e aceitação incondicional. A congruência refere-se à autenticidade, a transparência, é uma correspondência entre o que está sendo vivido em nível profundo, o que está presente na consciência e o que está sendo expresso pelo cliente. A compreensão empática versa sobre a capacidade de captar com precisão os sentimentos e significados pessoais que o cliente está vivendo e comunicá-lo sobre essa compreensão. Já a aceitação incondicional é uma atitude positiva, aceitadora, em relação ao que quer que o cliente seja naquele momento. Neste contexto, nosso propósito é apresentar o processo de construção do terapeuta centrado na pessoa, enquanto plantonista, que age como facilitador para que a pessoa possa refletir e ressignificar suas vivências. Assim, realizou-se, a partir dos relatos dos atendimentos, a Versão de Sentido, que tem por objetivo registrar suas impressões sobre si mesmo, sobre o cliente ou sobre a sua relação com ele, expressando sua experiência imediata enquanto pessoa naquele atendimento. Caracteriza-se por ser livre e espontânea, numa narrativa que fornece aos que participam de seu compartilhamento a oportunidade de explorar, junto com o psicoterapeuta, as rotas percorridas no processo terapêutico. Através da Versão de sentido expressa-se o vivido autêntico do plantonista e permite-se maior aproximação dos sentimentos vivenciados no momento do atendimento, favorecendo o aqui e agora. Isto posto, a princípio sentimos dificuldade de entrar em contato com nossas experiências e as do cliente. Se fazer presente para o inesperado e defrontar-se ao que se aflora, permeou a insegurança, medos e anseios. Destarte, uma necessidade em ter a resposta para aquilo que o cliente nos solicitava. A expectativa de que este voltasse no plantão posterior era latente; e o sentimento de frustração e/ou culpa quando o mesmo sinalizava retorno e isso não ocorria, também. No entanto, após os primeiros plantões, começamos a sentir maior segurança e confiança no espaço que temos para oferecer, por estar em modo mais experiencial com os mesmos, ter respaldo teórico e prático e podermos ser congruentes durante a supervisão. Ademais, é uma vivência que suscita a reflexão sobre a importância de, enquanto plantonistas, sairmos da zona de conforto que a psicoterapia oferece e a possibilidade de arriscar-se em diferentes atuações, buscando assim construir e fortalecer novos modelos de atendimento.

Palavras-Chave: Plantão psicológico, Abordagem Centrada na Pessoa. Versão de sentido.

Referências:

VERCELLI. L. C. A. Versões de Sentido: um instrumento metodológico. Cadernos de Pós-Graduação – educação, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 191-195, 2006.

Amatuzzi, M. (2001). Por uma Psicologia Humana. São Paulo: Alínea.