Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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ABUSO SEXUAL INTRAFAMILIAR E REAÇÕES MATERNAS – ESTUDO DE CASO
Andressa Bruceze Martins, Rosangela Kátia Sanches Mazzorana Ribeiro

Última alteração: 25-06-19

Resumo


ABUSO SEXUAL INTRAFAMILIAR E REAÇÕES MATERNAS – ESTUDO DE CASO

A violência sexual infantil consiste em qualquer ato ou manipulação realizados por um agressor que esteja em seu estágio psicossexual mais adiantado que a criança ou adolescente. Varia desde atos de voyeurismo, exibicionismo, exploração sexual, pornografia e contatos com ou sem penetração que podem se constituir em linguagens sexuais não adequadas a criança.  Além disso, o abuso sexual pode ocorrer no âmbito intrafamiliar, ou seja, entre pessoas que tenham laço afetivos, e no âmbito extrafamiliar. As consequências geradas na criança em relação ao ato de violência dependerão dos aspectos cognitivos, afetivos e relacionais, e que são vários os fatores que influenciam nas consequências da VS na vida da criança, como a experiência sexual a qual ela foi colocada, além do uso da força e poder que foi exercida pelo violentador, e se ele faz parte da família.  O presente trabalho trata-se de relato de experiência de uma acadêmica do Curso de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso, realizado no Estágio Supervisionado Específico I (ESE I) – da ênfase em saúde, referenciado na abordagem psicanalítica. O acompanhamento psicológico foi realizado no Programa de Atendimento a Vítimas de Violência Sexual (PAVVS) do Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM), que atende crianças vítimas abuso sexual, na qualidade de referência estadual no atendimento dessas vítimas. Deste modo, o acompanhamento psicológico da paciente, aqui referida pelo nome fictício de Jéssica, de 11 anos, filha de pais separados, discute sobre a violência sexual intrafamiliar e função materna na constituição psíquica da criança. Como história pregressa, Jéssica morava com sua mãe, dois irmãos e seu padrasto e não tinha proximidade com o pai, pois a mãe a mantinha afastada, na época do suposto abuso. A paciente foi encaminhada ao PAVVS, pois teria relatado para a professora que o padrasto estava abusando dela e que o fato já acontecia há alguns dias, pois, a mãe trabalhava a noite e o padrasto aproveitava desses momentos para abusar da criança. Diante de tal relato a escola fez notificação e acionou o conselho tutelar. A mãe não acreditou na filha pois dizia que ela mentia muito. A genitora visitou a filha somente duas vezes no período em que a mesma ficou em situação de abrigamento, na Casa Lar, em razão do possível abuso sofrido. A partir desse estudo de caso, é possível discutir um pouco sobre a cegueira materna frente ao abuso sexual intrafamiliar. Mesmo após a revelação muitas mães se colocam impedidas de acreditar no fato e acabam destituindo a fala da filha, colocando-a muitas vezes como responsável pelo abuso. Vale ressaltar que não se trata da condição da mãe não querer proteger seus filhos, e sim, tal situação a coloca em contato com a relação com sua própria mãe, repetindo sua história, possivelmente, e essa relação pode não ter sido tão gratificante. Fuks (2006, como citado em Hug & Cavalini, 2011, p.12) relatam que as investigações clínicas tem mostrado que a mãe tende a recusar o abuso da filha como forma de negar para si mesma que falhou em sua proteção. A partir desse relato de experiência pode-se pensar o quanto a função materna é importante na constituição do psiquismo infantil. Por meio dos cuidados maternos que o bebê se constitui nessa relação primária. Costa (2011, p.34) explica que em relação a menina, há um período de maior vinculação com a mãe que é de suma importância no seu desenvolvimento. Essa condição interna é revivida ao adentrar o início da adolescência, como um processo de reedição desses sentimentos primários que podem ser conflituosos. Essencialmente quando os sentimentos vão de encontro ao abandono real sofrido pela mãe e o descrédito de sua palavra frente ao abuso sofrido pelo padrasto, levando-a a sentir-se abandonada pela figura materna.

 

Palavras chaves: ABUSO SEXUAL INFANTIL; VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR; FUNÇÃO MATERNA; VIOLÊNCIA SEXUAL

 

REFERÊNCIAS

 

Costa, T. (2010). Psicanálise com crianças. Zahar.

 

Huh, D. M. J., & Cavalini, S. F. S. (2011). Consequências do abuso sexual infantil no processo de desenvolvimento da criança: contribuições da teoria psicanalítica. VII Jornada de Iniciação Científica.