Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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ASPECTOS PSICOLÓGICOS DO PROCESSO DE ADOECIMENTO.
Bianca Sangalli de Andrade, Gabriela Pereira Mognon, Sue Ellen Ferreira Modesto Rey de Figueiredo

Última alteração: 02-07-19

Resumo


TENHO INTENÇÃO DE PUBLICAR ARTIGO COMPLETO NOS ANAIS DE ARTIGOS COMPLETOS DESTE EVENTO.

O processo de adoecimento modifica a forma como o individuo se relaciona diante de si, da família e da sociedade, a mobilização de defesas inconscientes decorrentes desse período influenciam na restauração do equilíbrio na vida do ser que adoece. A promoção de saúde não é uma missão simples, exige dos profissionais de saúde um olhar atento aos complexos reflexos da doença na vida do paciente, estudos que abordem tal temática contribuem de maneira significativa com o acesso a informações que ampliem o olhar biopsicossocial dos acadêmicos e profissionais inseridos nesse contexto. Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica com objetivo de discorrer sobre os aspectos psicológicos da doença na vivência do sujeito e a atuação do psicólogo diante disso. Este trabalho foi elaborado a partir da seleção de obras de autores que possuem relevância na aérea acadêmica a respeito do tema proposto. A vivência do sujeito perante o adoecimento apresenta aspectos de perdas e ganhos. Os aspectos de perda consistem na perda da saúde, da autonomia, do tempo que é dedicado ao tratamento, além de perdas subjetivas para cada sujeito e sua doença. Pode ser uma situação de ganhos, pois ganha-se atenção e cuidado, folga do trabalho, e desculpas genuínas para justificar conflitos existenciais, profissionais ou de relacionamentos, é o que se chama de ganho secundário, que pode se mostrar como um fator de manutenção do adoecimento (SIMONETTI, 2013). O corpo, muito mais do que um aglomerado de células, apresenta-se como constituinte da unidade de si de cada sujeito, a noção de indivíduo separado do outro se dá pelos limites impostos por essa estrutura física, tal diferenciação permite que o psiquismo se desenvolva em seus diferentes níveis. No momento que esse corpo adoece pode ocorrer uma cisão narcísica capaz de alterar aquilo que há de mais família, transformando-o em algo desconhecido e hostil. Esse movimento pode provocar na vivência psíquica do sujeito uma intensa sensação de aniquilamento durante a experiência do adoecimento (NIGRO, 2004). Conforme aponta Kubler-Ross (1989) os pacientes geralmente apresentam alguns estágios na vivência da doença, inicialmente reagem às más notícias com choque e descrença, muitos utilizam a negação como mecanismo de defesa por semanas ou meses, depois utiliza-se a raiva ou a revolta dirigida para qualquer tipo de objeto, no momento que conseguem organizar tal sentimento se posicionam no estágio de barganha e posteriormente o estágio da depressão, que apesar do sentimento de impotência e grande tristeza, é uma fase necessária para que se chegue ao estágio de aceitação da doença. O homem, ao se deparar com um corpo doente, invadido pelo real tem a sua subjetividade corrompida, diante disso, se faz necessário a presença de um psicólogo que proporcione um espaço para que o sujeito fale a respeito de si, da doença, da vida ou morte, de seus medos, desejos e angustias. O psicólogo diante do adoecimento busca dar voz à subjetividade do indivíduo para que ele possa se recompor como sujeito que a medicina tradicional afasta ao evidenciar a doença (MORETTO, 2001). Diante desse estudo nota-se que o reconhecimento da ação dos fatores psíquicos como agentes que interagem no processo de adoecimento é fundamental para a inserção do psicólogo nesse contexto.  A compreensão dos fenômenos que agem na vida psíquica do sujeito permite que o acompanhamento, além de uma escuta atenciosa, possua uma base teórica para auxiliar na compreensão desse sofrimento. Portanto, estudos que integrem os saberes à respeito dos aspectos decorrentes da experiência do adoecimento são necessários à comunidade acadêmica e benéfica a sociedade como um todo, visto que a partir da compreensão de tais aspectos possibilita-se um olhar que empregue as diferentes dimensões na construção de uma prática mais integrada e sistêmica no cuidado com os doentes

 

Palavras-chave: Adoecimento; Psicologia Hospitalar; Aspectos Psicológicos.

Referências

1. KUBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer. São Paulo: Summus, 1989.

2. MORETTO, M. L. T. O que pode um analista no hospital?São Paulo: Casa do Psicológo, 2001.

3. NIGRO, M. Hospitalização: o impacto na criança, do adolescente e no psicólogo hospitalar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

4. SIMONETTI, A. Manual da psicologia hospitalar: O mapa da doença. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2013.