Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Relato de Experiência Do Estágio Específico De Intervenção No Cotidiano - Ambulatório De Saúde Mental Infanto-Juvenil
Tayane Virgínia Alcântara, Thalita Borges Calegari, Layane Buosi

Última alteração: 29-06-19

Resumo


RESUMO

Este trabalho trata-se de um relato de experiência referente ao estágio específico de intervenção no cotidiano, realizado no contexto do ambulatório de saúde mental infanto-juvenil realizado no 9° semestre do curso de Psicologia, no Centro Universitário de Várzea Grande, cujo objetivo foi concomitante ao desenvolvimento do projeto, realizar a prática do estágio. Para isso, foram realizados atendimentos semanais no Ambulatório de Saúde Mental da Clínica do UNIVAG, sendo que ao longo do nono semestre foram atendidos dois pacientes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Visando elaborar e propor intervenções específicas para se utilizar com esses pacientes, tivemos como referencial teórico tanto em campo, quanto na elaboração do projeto a Análise do Comportamento, abordagem psicológica que como um de seus objetivos modificar e ampliar o repertório comportamental infantil, bem como busca a compreensão do ser humano a partir da interação com seu ambiente. Vimos que o conceito de ambiente para a Análise do Comportamento refere-se ao mundo físico, mundo social, história de vida e a nossa interação com nós mesmos. Assim, a tentativa da Análise do Comportamento é de identificar como as pessoas interagem com seus ambientes para tentar prever e controlar o comportamento. Como metodologia interventiva utilizamos a Análise do Comportamento Aplicada, mais conhecida como (ABA - Applied Behavior Analysis), sendo que esta é também uma abordagem científica que pode ser usada para tratar muitas questões diferentes além de cobrir muitos tipos de intervenções, mas que tem sido notoriamente utilizada como estratégia para Educação Especial, direcionadas para crianças com TEA. Dentre as técnicas utilizadas pela ABA, apropriamo-nos de DTT (Discrete Trial Teaching), ou seja, o Ensino por Tentativas Discretas, que é caracterizado por dividir as sequências complicadas de aprendizado em passos discretos (separados), ensinando um passo de cada vez no decorrer de uma série de tentativas (trials), juntamente com o reforço positivo e o nível de ajuda (prompting) que são fundamentais para que se chegue ao objetivo final. À priori buscamos compreender o contexto ambiental que os pacientes com TEA estão inseridos, identificando seus reforçadores, a fim de elaborar intervenções individuais que reduzam e auxiliam no desenvolvimento de repertórios de habilidades sociais relevantes. A sessão de ABA com DTT é individual, e um dos fundamentos do programa é a não utilização do controle aversivo, ou seja, rejeita punições, concentrando-se apenas na utilização de reforços ao comportamento desejado. O currículo ou programa de ensino pode ser amplo, podendo treinar desde habilidades acadêmicas, linguagem, habilidades sociais, até cuidados pessoais e habilidades motoras. Foi utilizado no decorrer das intervenções o Protocolo ABLLS, que pode ser entendido como uma avaliação, um guia de estudos e sistema de acompanhamento de habilidades para crianças que possuem atrasos de linguagem. Dentre as atividades que foram desenvolvidas em atendimento com o paciente V. R. N. iniciamos com o treino de tato, sendo que o paciente reagiu de forma satisfatória aos estímulos/atividades elaboradas. Na sessão seguinte, treinamos o mando, nesta ocasião tivemos algumas dificuldades de pôr em prática as atividades preparadas devido a agitação e ausência de atenção do paciente. Nas sessões seguintes, realizamos a aplicação do Protocolo ABLLS no quesito linguagem receptiva, para melhor poder localizarmos o atual repertório do paciente e consequentemente ter um respaldo no que diz respeito aos próximos passos na terapia. Na conclusão dos atendimentos decorrentes do encerramento do semestre letivo, observamos uma evolução do paciente no que se diz respeito ao cumprimento das regras estabelecidas em sessão, uma vez que a princípio o paciente saía várias vezes da sala, tendo esse comportamento diminuído em frequência até sua extinção. O mesmo também teve uma evolução no que se refere pedido para guardar os brinquedos, comportamento que não ocorria durante os atendimentos anteriores. Concluímos que a ABA é de grande importância para o desenvolvimento e ampliação de atividades que anteriormente os pacientes não faziam, enquanto estagiárias observamos a importância e os benefícios que as crianças com TEA podem ter ao estar em contexto de terapia.

PALAVRAS-CHAVES: Analise do Comportamento, Analise do Comportamento Aplicada, Transtorno do Espectro Autista.

BIBLIOGRAFIA

FONSECA, R. P.; PACHECO, J. T. Análise funcional do comportamento na avaliação e terapia com crianças. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. v. XII, n° 1/2, Campinas-SP, 2010. p. 1-19.

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LEAR, K. Help Us Learn: A Self-Paced Training Program for ABA Part I: Training Manual. Toronto, Ontario – Canada, 2° edição, 2004. Comunidade Virtual Autismo no Brasil. Distribuição Interna. Tradução: WINDHOLZ, M. H et al.