Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Avaliação psicológica em escolas da rede municipal de Cáceres e suas implicações
Paulo Henryque de Carvalho, Aline Rejane Caxito Braga

Última alteração: 26-06-19

Resumo


No Brasil, inúmero são os desafios enfrentados pelos profissionais da educação, tais desafios perpassam salas de aula superlotadas, baixa remuneração, formação deficitária e a falta de participação na construção das políticas educacionais (PATTO,2005).Esse cenário releva-se ideal para produção de mitos e estigmas como “família desestruturada ”, “agressivos, apáticos e desinteressados” e que auxiliam na rotulação do aluno que não aprende. O presente trabalho visa relatar as experiências obtidas pelo serviço de psicologia da Secretaria Municipal Educação (SME) durante o processo de avaliação psicológica em duas escolas da rede pública no município de Cáceres- Mato Grosso. As solicitações para a avaliação deram se por meio do envio de ofícios das escolas a SME bem como os nomes e relatórios pedagógicos dos alunos que apresentavam dificuldades de aprendizagem. Participaram ao todo 49 alunos cujos responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), esses foram convidados a responderam uma anamnese nas unidades escolares, posteriormente foi conduzida uma entrevista semiestruturada com os professores e um roteiro de perguntas com os educandos e a aplicação dos seguintes testes o Desenho da Figura Humana (DFH) e o Teste Não Verbal de Inteligência para Crianças (R2). Após isso foram confeccionados os laudos dos alunos e entregues as escolas. Por fim foram realizadas devolutivas aos professores e gestores a respeito dos resultados dos testes, das relações institucionais observadas e relatadas pelos participantes e as situações envolvendo bullying e racismo entre os alunos em sala de aula. Na oportunidade, foi proposto um momento de reflexão sobre as relações institucionais com enfoque nas relações de poder e como essas afetam a saúde dos profissionais e o processo de ensino-aprendizagem. Referente aos alunos cujos pais e professores relataram sintomas de transtornos de aprendizagem e/ou comportamento, deficiência intelectual e conflitos emocionais e ratificados durante a avaliação foram encaminhados às unidades de saúde de acordo com as especificidades de cada caso. No âmbito escolar foi proposta a realização de estudos nas formações continuadas sobre as relações étnico-raciais e o bullying com base nas leis 10 639 e 11 645 que tornam obrigatórias e orientam a educação das relações étnico-raciais e ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas e universidades; e a lei 13 431 que tipifica qualquer conduta de discriminação, depreciação ou desrespeito em relação à criança ou ao adolescente mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, agressão verbal e xingamento, ridicularizarão indiferença, exploração ou intimidação sistemática (bullying) como violência psicológica. Além disso, as unidades escolares foram orientadas a construírem projetos sobre as temáticas supramencionadas junto com a comunidade escolar respeitando e ouvindo as ideias e opiniões dos alunos. Ao longo da avaliação psicológica sugiram questionamentos como: Qual é o objeto de analise a ser verificado nesse processo? E quais suas implicações? As respostas para tais perguntas foram encontradas em Machado (1994a) que propõe ao psicólogo abandonar a queixa escolar como um fato e que busque compreender a história escolar da criança. Nessa perspectiva a autora explicita a importância de se entender a dinâmica das relações e o contexto em que surgem as demandas de atendimento para os alunos com o intuito de romper uma visão patologizante/e psicologizante. Dessa forma, a prática da avaliação psicológica no ambiente escolar deve ser em primeiro momento alvo de reflexão por parte do psicólogo dada à complexidade das relações de poder, históricas e sociais estabelecidas nas instituições de ensino. Além disso, romper o paradigma da patologização torna-se importante no combate à legitimação da exclusão escolar e consequentemente ao fracasso escolar. Diante disso, cabe aos profissionais da psicologia agir como agentes de transformação propiciando a emancipação da comunidade escolar e reafirmando o compromisso social da psicologia com a sociedade.

Palavras chaves: Avaliação Psicológica, Compromisso social, Emancipação, Psicologia

Referências bibliográficas


PATTO, M. H. S. Exercícios de indignação: escritos de educação e psicologia. São Paulo: Casa do Psicólogo,2005

Machado A.M. Inventado um intervenção na escola pública. São Paulo:1990. Dissertação de mestrado- IPUSP

BRASIL. LEI n 13431, de 4 de Abr. de 2017. Estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). Brasília, DF, Abr 2017.