Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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PARTO HUMANIZADO E ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA: VIVÊNCIAS DA GESTAÇÃO E PUERPÉRIO
Bruna Tondin, Melissa Grazielly Barretta, Jordana Luz Queiroz Nahsan, Fernanda Cândido Magalhães

Última alteração: 08-07-19

Resumo


Resumo: O presente trabalho refere-se a um projeto de pesquisa que será desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Psicologia, da Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá, em parceria com o Curso de Fisioterapia, no Serviço de Clínica Escola do Centro Universitário de Várzea Grande (UNIVAG), articulando o tema de interesse das duas áreas de atuação, a Humanização do Parto. O referencial teórico em Psicologia utilizado será Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), uma das principais correntes humanistas da Psicologia, que tem como princípio a crença na capacidade do ser humano de desenvolver-se e conviver harmonicamente com o seu meio, levando a pessoa a ser ela mesma. Pode-se dizer que em cada organismo vivo, há um fluxo inerente de movimento em direção à realização construtiva do desenvolvimento maturacional da vida. A expressão utilizada para nomear esse processo é "tendência realizadora” presente em todos os organismos vivos (Rogers, 1983 p.40). Nesse aspecto, entendemos que tais conceitos estão estreitamente ligados às relações que permeiam o cuidado humanizado às gestantes e seus familiares. O presente estudo encontra-se no campo dos cuidados em saúde e das relações humanas, e intenta-se realizá-lo baseado nos preceitos ACP por entender que essa abordagem teórica colaborará nas discussões, uma vez que acredita no potencial de desenvolvimento e crescimento dos indivíduos em direção ao processo chamado crescimento, maturidade, enriquecimento da vida. Segundo Sartori e Van Der Sand (2004), a gestação caracteriza-se como um período de transição, o qual demanda constantes adaptações com objetivo de tornar a gravidez parte da elaboração e da reorganização do ciclo vital da mulher. Por não se tratar de um evento isolado, tampouco descontextualizado dos demais processos que envolvem a estrutura familiar, este processo é influenciado na maioria das vezes pelas experiências prévias dos envolvidos, por seu sistema de crenças, valores, educação, cultura e ainda pelo contexto existencial, assistencial e socioeconômico em que ocorre. Considerando as informações expostas, a ACP vem ao encontro nessa forma de atuação do Parto Humanizado, pois confia na capacidade de desenvolvimento dos organismos, neste caso, no da mulher de passar pelo parto e pós-parto, lançando mão anteriormente de tudo que possa favorecer o momento do parto, informações sobre a gestação, parto, pós-parto, acolhimento afetuoso e compreensivo de conflitos que surgirem nesse período, abertura para liberdade de expressão da mãe, para que ela aceite, compreenda e sinta de forma genuína essa experiência. Lembrado que a experiência da gestação é um momento único e particular para cada mulher, assim como o parto e o puerpério (Maldonado, 2002). Considera-se, portanto, Parto Humanizado aquele que ocorre em ambiente respeitoso e acolhedor, com o consentimento e autonomia da gestante para qualquer procedimento necessário no processo do parto, que tenha confiança no tempo biológico e psíquico de cada mulher, utilizando o mínimo de intervenções médicas e farmacológicas possíveis (Carneiro, 2011). Sendo assim, este estudo tem por finalidade oferecer escuta psicológica para mulheres no período da gestação, parto e puerpério, buscando compreender as vivências pessoais das gestantes a partir de suas próprias percepções, bem como, oferecer apoio a elas na relação com a equipe de assistência ao parto. Para tanto, será oferecido grupos centrados nas gestantes, para mulheres em acompanhamento Fisioterápico, no Serviço de Clínica Escola do UNIVAG. Trata-se de pesquisa em andamento, com início dos grupos previsto para agosto de 2019, tendo duração de um semestre. Os grupos serão baseados no método Experiencial da Abordagem Centrada na Pessoa, e, por isso, não tem definição de roteiros-prévios para os encontros, o que se pretende com esse método é ampliar as percepções, conhecendo como as mulheres vivenciam suas experiências, mantendo-nos em uma postura de abertura e aceitação na interação baseado nas atitudes facilitadoras da ACP - congruência, consideração positiva incondicional e compreensão empática - possibilitando que as gestantes alcancem a autonomia necessária para uma experiência positiva no parto.

Palavras-chave: Parto Humanizado, Grupo centrado na gestante, Abordagem Centrada na Pessoa, Psicologia Humanista.

 

Bibliografia

CARNEIRO, R. G. Cenas de Parto e Políticas do Corpo: uma etnografia de práticas femininas de parto humanizado. 2011. 341 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, UESP, Campinas 2011.

MALDONADO, M. T. Psicologia da Gravidez. Parto e Puerpério. 6 ed. Petrópolis, Vozes, 2002. P. 88 - 98.

ROGERS, C. R. Um jeito de ser. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, 1983.

SARTORI, G. S.; VAN DER SAND, I. C. P. Grupo de gestantes: espaço de conhecimentos, de trocas e de vínculos entre os participantes. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 06, n. 02, 2004. Disponível em: http://www.fen.ufg.br/revista/revista6_2/gestantes.htm>. Acesso em: 08 jan. 2019.