Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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CORPO E IMAGINÁRIO SOCIAL: A HISTÓRIA QUE NINGUÉM PERCEBE
Luara de Souza Fernandes, Kathiany Sayuri Maeda Petraglia, Giulia Carvalho Pessoz, Larissa Carvalho de Oliveira, Stephany Theresa Ramos Neves, Eryka Patricia Fernandes de Souza Paula, Layane Machado Buosi

Última alteração: 28-06-19

Resumo


O presente trabalho se desencadeou por meio de discussões originárias na disciplina Corpo e Imaginário Social ministrada no 4º semestre do curso de Psicologia do UNIVAG, na qual foram abordados conceitos como: ascese, bio-ascese, sexo e gênero. A partir da leitura da bibliografia da referida disciplina e das discussões feitas em sala de aula, diversos trabalhos foram realizados e a partir destes, este resumo produzido. Temos por objeto apresentar nossa apropriação do processo de construção da subjetividade e como seu desenvolvimento foi moldado através dos tempos. Para tal, partimos da definição e conceituação das práticas ascéticas, executadas na antiguidade com o intuito de fortalecer o corpo e a mente ou o espirito, sempre com um fundo moral filosófico ou religioso, com um propósito de um bem maior que refletia diretamente na pólis. Chegamos então, as práticas bio-ascéticas, realizadas na atualidade, que reproduzem no foco subjetivo as regras da biossociabilidade. Ou seja, uma forma de sociabilidade apolítica constituída por grupos de interesse privados, visando o procedimento de cuidado com a saúde, sejam eles estéticos, higiênicos, longevidade, dentre tantos outros, sempre voltado para o cuidado corporal no sentido que o eu pericia o seu próprio corpo, com a finalidade de se formar uma bio-identidade, onde o sujeito se autocontrola, autovigia e autogoverna. O corpo torna-se o lugar de moral, sendo este o seu fundamento último e matriz da identidade pessoal, assim, a aparência virou essência, onde há constrangimento na liberdade de criação e anula a espontaneidade do ser, são práticas individualistas que não possuem preocupação com o outro ou com o bem comum. Nesse contexto, poucas pessoas têm realmente acesso ao imaginário social e sabem a influência deste na construção da imagem do corpo. Corpo este que é tanto ferramenta que eu tenho para me localizar nas relações de poder da sociedade quanto invólucro do eu, que se coloca na frente de batalha entre o eu e o mundo. Sabemos que o individuo que não se encaixa fica à margem, impossibilitado de fugir do padrão previamente estabelecido, o seu “corpo” é transformado em um “corpo político”. A partir das literaturas pesquisadas, percebe-se um caminho de desconstruções baseadas no entendimento social sobre a construção da identidade, apresentando a concepção de que somos seres sexuados, definidos pelos nossos corpos e cujas identidades são essencializadas na coerência entre sexo e gênero, resultando na criação de uma representação de “verdadeiro sexo”, a qual, incentiva os jovens a fazerem um exercício de autoanálise sobre sua sexualidade. Além disso, percebe-se uma quebra da sexualidade binária (homem e mulher), a qual a importância sexual formaliza a relação de heterossexualidade e, assim, abrindo espaço para a pluralidade de gêneros que penetra os espaços binários, sendo a prática da sexualidade que organiza o “eu” e faz do indivíduo uma identidade que não se submete, sendo postulado como identidades incompletas ou incorretas. Dessa forma, foi possível compreender que o sexo é entendido como corpo biológico natural (o indivíduo nasce XX ou XY), sendo diferente do gênero por esse ser um esquema de atribuições atrelado a ele e definido em um esquema binário criado em torno da norma que é de inclusão e, também, de rejeição; distinguindo da orientação sexual por ser relacionado a atração afetiva do indivíduo não definida pelo biológico. Em outras palavras, a identidade de gênero é a maneira pela qual o sujeito se reconhece frente aos gêneros feminino e masculino culturalmente construídos; o sexo é a criação de corpos sexuados que não passa de uma ilusão criada e reprisada para manter sua própria instituição, não definidor da identidade e não investido pela sexualidade; e a orientação sexual é uma construção de definição social, a qual o indivíduo direciona o seu objeto de afeto, seja ele qual for. Em síntese, as afirmações dos autores estudados demonstram o poder das construções sociais em que somos expostos, relacionando o arcabouço social com a constante transformação da identidade, assim como a constituição de gênero se constrói mediante o meio social em que somos inseridos.