Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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O uso de ABA durante a realização do estágio em saúde mental no atendimento a crianças com TEA
Stephany Moraes Ramires, Aparecida Alves Ferreira, LAYANE MACHADO BUOSI

Última alteração: 26-06-19

Resumo


O objetivo deste trabalho é descrever as experiências relacionadas ao Estágio Externo Supervisionado Específico II: Intervenção no Cotidiano que se deu no decorrer do 10º semestre do Curso de Psicologia, e foi realizado no Ambulatório de Saúde Mental Infanto-juvenil da Clínica do Univag. Tendo como referencial teórico a Análise do Comportamento (AC), em dupla as estagiárias realizaram atendimentos semanais a dois pacientes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante a realização do estágio, tivemos como objetivos: observar e mensurar os comportamentos que já faziam parte do repertório das crianças atendidas, utilizando para isso a Avaliação de Linguagem Básica e Habilidades de Aprendizado (ABLLS); e partir disso, definui-se as intervenções necessárias a fim de acrescentar algumas habilidades ao repertório comportamental destes. Sabendo que a AC configura-se como uma abordagem que busca a compreensão do ser humano a partir da interação com o ambiente em que este está inserido, o conceito de ambiente para a AC refere-se tanto ao mundo físico, mundo social, história de vida, quanto a nossa interação com nós mesmos. Assim, a intenção da AC é identificar como as pessoas interagem com seus ambientes para tentar prever e controlar seu comportamento. Nesse sentido, buscamos compreender o contexto ambiental em que os nossos pacientes com TEA estavam inseridos, identificando seus reforçadores, para que a partir disso, a intervenção pudesse ser planejada e executada atenciosamente. A metodologia interventiva utilizada foi a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), que é um termo advindo do campo Behaviorismo Radical, uma filosofia da ciência Análise do Comportamento. ABA é um termo “guarda-chuva”, descreve uma abordagem científica que pode ser usada para tratar muitas questões e cobrir muitos tipos diferentes de intervenções, mas atualmente tem sua utilização intensificada na Educação Especial direcionadas crianças com TEA. No que se refere a técnica, utilizamo-nos do Treino por Tentativas Discretas (DTT), que caracteriza-se por dividir sequencias complicada de aprendizado em passos muito pequenos ou “discretos” (separados) ensinados um de cada vez durante uma série de “tentativas”, tendo como consequência sempre o reforçamento positivo, e para auxiliar na execução das tarefas fomos variando o grau de “ajuda” que fosse necessário para que os objetivos pudessem ser alcançados. A sessão de ABA com DTT é individual, e um dos procedimentos mas importantes do programa é a não utilização de punição, ou seja, rejeita-se o controle aversivo, concentrando-se apenas no reforço do comportamento desejado. O currículo a ser efetivamente seguido depende de cada criança em particular, mas geralmente é amplo; cobrindo as habilidades acadêmicas, de linguagens, sociais, de cuidados pessoais e motoras. Como dito anteriormente, foi utilizado no decorrer das intervenções o Protocolo ABLSS, que pode ser entendido como uma avaliação, um guia de estudos e  sistema de acompanhamento de habilidades para crianças que possuem atrasos de linguagem. Em meio às atividades que foram desenvolvidas em atendimento com o paciente M. D. S. P., iniciamos com o treito de tato, sendo que o paciente respondeu satisfatoriamente aos estímulos/e atividades propostas. Na sessão seguinte, treinamos o mando, onde tivemos algumas dificuldades em executar a atividade elaborada, pois o mesmo estava esquivo e desatento. Ao percebermos que estava disperso propomos uma troca com o paciente, dissemos que se ele prestasse atenção a atividade, depois o deixaríamos ir buscar o “trator”. Assim, conseguimos fazer o manejo e realizar a atividade. Na outra sessão, continuamos com o treino do mando, onde o paciente respondeu com contentamento atentamente. Na sessão seguinte, aplicamos o protocolo ABLSS no quesito linguagem receptiva, para poder localizar o atual repertorio do paciente e, por conseguinte ter um respaldo no que diz respeito aos próximos passos da terapia. Concluímos os atendimentos e observamos a evolução do paciente a respeito ao cumprimento de regras estabelecidas em sessão, uma vez que o paciente a princípio não aceitava a voz de comando, tendo este comportamento diminuído à frequência até a sua extinção. Portanto, ABA é de grande importância para o desenvolvimento e aplicação de atividades que anteriormente os pacientes não executavam. Ressaltamos que a intervenção precoce é de extrema importância, mas essas técnicas também podem beneficiar crianças maiores e/ou adultos, uma vez que as sessões normalmente são individuais, podendo tanto diminuem quanto auxiliar no desenvolvimento de repertórios de habilidades sociais relevantes.

Palavras-chaves: ABA, Crianças com TEA, Análise do comportamento, Saúde Mental.

Referências:

LEAR, K. Help Us Learn: A Self-Paced Training Program for ABA Part I: Training Manual. Toronto, Ontario – Canada, 2° edição, 2004. Comunidade Virtual Autismo no Brasil. Distribuição Interna.

MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios básicos de análise do comportamento. Artmed, Porto Alegre, 2007.

PARTINGTON, J. W.; SUNDBERG, M. L. A avaliação de linguagem básica e habilidades de aprendizado (A ABLLS): instruções de conquista e guia de desenvolvimento de PEI. Behavior Analysts, Inc., 1998.