Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Contra a Interpretação
Natanael Alexandre Palazin, Silas Borges Monteiro

Última alteração: 28-06-19

Resumo


A análise do ensaio Against interpretation, tem o objetivo de propor uma discussão sobre os conjuntos de normas que são utilizados para extrair algum conteúdo, de uma obra. A partir de uma ressignificação da palavra interpretação, a autora discorre sobre a construção de uma necessidade por algum tipo de sentido, que permeia o mundo ocidental, e, muitas vezes, é utilizada como palavra final, para designar o que seria, ou não, arte. Além disso, a utilização desse ensaio enquanto base teórica, pode ser muito útil para a operacionalização de termos, que podem ser, futuramente, usados em pesquisas acadêmicas. Contra a interpretação, um dos ensaios da autora, Susan Sontag,  questiona a arte como representação da realidade (mimese), necessariamente possuindo algum significado que seria gerado através da interpretação, restringindo a arte ao seu conteúdo. Ademais, a interpretação, nesse contexto, não é a mesma de Nietzche que afirma a inexistência de fatos, havendo apenas interpretações. Por interpretação, entende-se: “uma elucidação de determinados códigos e normas, para significar a obra em análise”. Ou seja, a compreensão, através da interpretação, se tornou uma condição de existência para a arte. Por se tratar de um ensaio, a autora expõe o tema de maneira pessoal, avaliando a utilização da interpretação enquanto um conjunto de regras, que serviria para nortear a compreensão de um determinado objeto histórico (arte). Porém, a título de organização, se pode dividir o texto em: contextualização histórica da arte por representação e consequências da interpretação enquanto instrumento de análise desses objetos histórico-culturais. Enquanto a experiência mais antiga da arte se dava a partir de relações místicas, a primeira teoria (da arte),  se consolidava como imitação da realidade (mimese), tornando o ato de justificar uma espécie de essência do universo artístico. A teoria mimética, exige um valor significativo, exige da arte uma utilidade para ser classificada como tal. Platão, propositor da teoria, considerava os elementos materiais como imitações de formas transcendentais, assim, o retrato mais fiel de um objeto seria nada mais que uma imitação da imitação, portanto, não era de utilidade alguma, nem mesmo, verdadeira. Já Aristóteles, apesar de não questionar a ideia de imitação, questiona a ideia da inutilidade da arte, que constituiria um forma de terapia, em que ela despertaria e purgaria emoções perigosas. Logo, tanto em Platão, quanto em Aristóteles, a teoria mimética parte do pressuposto de que a arte é, exclusivamente, figurativa, e no mundo ocidental a consciência sobre arte se mantém o dentro desses limites fixados pela teoria grega. A arte, sempre vista como figurativa, não pode desconsiderar a existência de uma similar abstrata. No Ocidente, como a consciência e a reflexão sobre a arte mantém a representação como parâmetro para críticas, gera-se a distinção entre a forma e o conteúdo. Porém, o conteúdo seria hierarquicamente superior a forma. Independente das diferentes concepções de modelos de obra de arte (retrato,  representação e afirmação), o conteúdo ainda é retratado como sendo a arte. Sendo assim, o ato de interpretar reforça a ilusão de que algum conteúdo, implícito, realmente exista. Desse modo, a interpretação pressupõe que entre o significado do texto e os leitores, posteriores ao momento em que a obra foi concebida, haja uma discrepância, que em alguns casos deve ser suprimida e rearranjada, seja para estabelecer uma ordem ou unificar um povo. Em suma, a interpretação tem sido usada como um projeto reacionário e tirano, que empobrece e esvazia o mundo com perspectivas únicas, que levantam significados e não apenas transpõe valores, mas condicionam a obra e sua existência. De certo, o problema não é a interpretação que promove analogias, mas a que cria mecanismos para um condicionamento, que pode vir a deturpar a criação.

 

Palavras-chave: Arte, interpretação, análise, filosofia.

 

Referências Bibliográficas

SONTAG, S. Contra a Interpretação. 1. ed. São Paulo: L&PM, 1987.