Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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RELATO DE EXPERIÊNCIA DO ESTÁGIO EXTERNO SUPERVISIONADO EM PSICOLOGIA ESCOLAR REALIZADO EM UMA ESCOLA ESTADUAL DE CUIABÁ – MT.
tassia rejane duarte bezerra, Layane Machado Buosi

Última alteração: 24-06-19

Resumo


O Estágio Externo Supervisionado Específico I e II em Psicologia Escolar do Centro Universitário de Várzea Grande – UNIVAG, realizado nos nono e décimo semestres da graduação em Psicologia, apresentou-se em um primeiro momento como uma proposta de observação que visou a elaboração de um projeto que em um segundo momento viria a operacionalizar um plano de ação junto à comunidade escolar. Uma vez cientes de que a Psicologia Escolar trata de assuntos concernentes à instituição escolar como um todo, e demonstrando que o compromisso do Psicólogo deve ser com as mudanças que a educação brasileira apresenta, seja afirmando seu comprometimento com a participação consciente e ativa, bem como visando a promoção e efetivação de transformações no contexto da escola e tudo que ela abrange, este plano de ação foi elaborado de acordo com as demandas observadas em uma escola estadual localizada na cidade de Cuiabá-MT. Com o amadurecimento da ciência psicológica, a Psicologia Escolar também passou por inovações quanto aos enfoques teóricos e seus modos de atuar. Agora a Psicologia Escolar tem se mostrado cada vez mais voltada para os diferentes âmbitos sociais, levando em consideração todo o contexto do aluno, e não mais focando somente no indivíduo em si. Para a realização deste estágio, utilizou-se à priori como método, a observação participante, a qual tem por objetivo fazer com que o pesquisador possa visualizar, compreender e identificar como a escola e seus integrantes atuam e se relacionam em seu contexto, para que frente às necessidades apresentadas, pudéssemos elaborar um projeto e plano de ação que propiciaram a melhoria da comunidade escolar, dando novos significados para as relações ali vivenciadas. Diante disto, notou-se a relevância em abordar temas como, depressão, relacionamentos interpessoais, respeito às diversidades culturais, religiosas, raciais e sexuais, como também questões relacionadas ao assédio sexual. De posse destes elementos colhidos por meio da observação participante, foi possível desenvolver o projeto, no qual as ações supracitadas foram executadas em 05 encontros com 20 alunos do 2º ano I em uma escola da Rede Pública Estadual de Ensino na cidade de Cuiabá – MT. A direção da escola mencionou a necessidade de auxílio psicológico, tendo em vista as inúmeras carências de ordem psicológica, como ideação suicida, automutilação, depressão e ansiedade, que imperam no ambiente escolar. A prática deste estágio ocorreu de modo satisfatório e dinâmico, levando em conta que os participantes eram adolescentes, se fez necessário o dinamismo para apreender a atenção e a participação de todos, os mesmos relataram que os temas, as conversas e discussões foram importantes, pois sentiram que tiveram seu espaço respeitado, foram ouvidos sem julgamentos e utilizaram este momento para dialogar acerca das temáticas acima citadas. Dentre um dos temas, em formato de roda de conversa, evidenciou-se o desejo de falar acerca do assédio, sendo assim, foram elaboradas frases de baixa calão que denigrem e rebaixam as mulheres, estas frases foram expostas para a turma ler e responder como se sentiam ao ouvi-las e  como se sentiam pronunciando tais frases às meninas, esta atividade gerou discussão, o que foi fundamental para esclarecimento, como também conscientizá-los do quanto isto é prejudicial para as relações. Ao passo que os encontros semanais iam ocorrendo foi preciso repensar algumas atividades, para que melhor correspondessem às necessidades e expectativas da turma, o que torna-se de total relevância para a atuação profissional, pois em meio aos desafios que são impostos, é necessário utilizar-se de flexibilidade e agilidade para desenvolver outras ações, são atitudes como essas que requerem do profissional em sua prática cotidiana, pois nem sempre as coisas sairão como planejado, ainda mais se tratando de sujeitos com suas subjetividades e singularidades, com isso é necessário estarmos atentos e prontos para modificarmos a rota, se for preciso, no intuito de buscar o melhor para o outro. A presença de um psicólogo escolar neste espaço é mais que necessário para auxiliá-los em seu engajamento pessoal, sua autonomia, tornando-se geradores de mudança em seu contexto de vida. Enquanto profissionais psicólogos, precisamos lutar a fim de adquirirmos nosso espaço de atuação no contexto escolar das Redes Públicas, já que nossa inserção neste ambiente é irrisória, sendo mais notória em escolas particulares, portanto há uma certa urgência de nossa presença em escolas públicas de ensino.

 

Palavras-chaves: Psicologia Escolar, Autonomia, Diálogo, Relações.

 

Referências bibliográficas:

MARTINEZ, A. M. Psicologia escolar e educacional: compromissos com a educação brasileira, Psicologia Escolar Educacional, v.13, n. 01, Campinas, 2009.

 

MALUF, M. R.; CRUCES, A. V. V. Psicologia Educacional na contemporaneidade. Boletim Academia Paulista de Psicologia, v. 28, n. 01, p. 87-99, 2008.

 

MARTINS, J. B. Observação participante: uma abordagem metodológica para a psicologia escolar. Semina: Ci. Sociais/Humanas, v.17, n. 3, Londrina, p. 266-273, 1996.