Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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UMA INTERVENÇÃO GRUPAL FOI A SOLUÇÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E TRABALHO.
Martha Cejana Diemer Oliveira, Rose Angela Vieira Passos Bueno

Última alteração: 05-07-19

Resumo


UMA INTERVENÇÃO GRUPAL FOI A SOLUÇÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E TRABALHO.

 

O presente trabalho é fruto da vivência de estágio supervisionado específico em Psicologia Organizacional e do Trabalho, realizado entre 2018 e 2019 nos dois últimos semestres do curso de Psicologia de uma instituição de ensino privado do estado de Mato Grosso. Neste foi possível realizar uma observação participante numa organização de construção civil privada na capital do estado de Mato Grosso. Para delimitação da demanda, ofereceu-se um portfólio de serviços e após escuta da demanda trazida pela organização e observação do ambiente, ao qual os colaboradores demonstravam algumas dificuldades relacionadas à falta de diálogo, decidiu-se em comum acordo, intervir através da metodologia de Rodas de Conversa sobre temas específicos. O método é semelhante às reuniões de grupo, com um moderador para facilitar a participação das pessoas e produz um ambiente mais informal, promovendo o diálogo entre os participantes (MOURA; LIMA, 2014). Objetivou-se tratar de temas relacionados ao comportamento, valores e atitudes que influenciam no desempenho individual e coletivo dos colaboradores, com impacto direto na qualidade de vida no trabalho. A execução do projeto teve início pela elaboração e envio do convite aos trabalhadores para participarem, ressaltando a importância do diálogo e apresentando os temas delimitados para os encontros: relacionamento interpessoal no trabalho, empatia, comunicação e qualidade de vida no trabalho. A delimitação dos dias e horários dos encontros foi procedida pela realização de pesquisa interna com os colaboradores a partir dos temas escolhidos. Ao todo, foram realizadas quatro Rodas de Conversa, cada qual com aproximadamente sessenta minutos de duração, das quais participaram cerca de sessenta colaboradores dos setores administrativos e de manutenção, sendo divididos em dois horários. Após o encerramento do ciclo de encontros, todos os participantes receberam uma ficha de avaliação acerca da realização e participação nas Rodas de Conversa, para obter feedback ficando assim estipulado: respostas  individualizadas, aos seguintes quesitos: quantidade de encontros em que participou; se gostou de participar das Rodas de Conversa; qual nota atribuiria às Rodas de Conversa; se considera que as mesmas acrescentaram algo em seu trabalho ou em sua vida; se gostaria que elas continuassem; e, por fim, qual o tema de que mais gostou, o que menos gostou e qual sugeriria para ser abordado em outras Rodas de Conversa.  Os resultados obtidos foram os seguintes: 46 colaboradores responderam a enquete acerca das Rodas de Conversa. Destes, 12 participaram das quatro Rodas de Conversa realizadas, nove participaram de três encontros, sete de dois encontros, nove de apenas uma e nove deles não participaram de nenhuma Roda de Conversa. Todos os que participaram, independente de quantas vezes, afirmaram ter gostado da experiência, conferindo-lhe, na média, a nota oito. O tema preferido foi a comunicação e quatro participantes declararam todos os temas como favoritos. O tema que menos agradou a maioria dos colaboradores foi “empatia” e neste quesito, 16 participantes declararam ter gostado de todos os temas abordados. A grande maioria dos participantes (89%) declarou que as Rodas de Conversa acrescentaram algo ao trabalho ou em sua vida, sendo que 85% também afirmou que gostaria que as Rodas de Conversa continuassem a ser realizadas, demonstrando assim a grande importância do diálogo no ambiente de trabalho e da necessidade de dar-se voz aos colaboradores para que eles se sintam incluídos no ambiente organizacional e obtenham um maior bem-estar e um melhor desempenho. Nota-se, portanto, que apenas uma pequena parcela dos colaboradores acredita que as Rodas de Conversa não acrescentaram nada (10,5%) e não gostariam que os encontros continuassem (15%). Tal trabalho mostrou-se relevante por proporcionar um ambiente de acolhimento e escuta dentro de um ambiente ao qual muitas vezes o lado humano torna-se esquecido, podendo demonstrando aos envolvidos que todos têm muito que aprender e muito que ensinar, tendo trazido um grande aprendizado não somente aos colaboradores que participaram das Rodas de Conversa, mas também aos gestores que acreditaram no projeto e a estagiária que comandou as Rodas, podendo a mesma afirmar ter evoluído não só como profissional, mas como ser humano durante todo o período. Levando para a experiência profissional o aprendizado de que todos têm algo para dizer e que a oferta de um lugar de fala e escuta é sempre enriquecedor.

 

Palavras chave: Psicologia organizacional e do Trabalho, estágio supervisionado, intervenção.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BASTOS, Antonio Virgillio Bittencourt; GALVÃO-MARTIS, Ana Helena Caldeira. O que pode fazer o Psicólogo Organizacional. Psicologia Ciência e Profissão.

MELO, R. H. V. de. et al. Roda de conversa: uma articulação solidária entre ensino, serviço e comunidade. Revista brasileira de educação médica, 2016.

MOURA, A. F.; LIMA, M. G. A reinvenção da roda: roda de conversa: um instrumento metodológico possível. João Pessoa: Revistas Temas em Educação, v. 23, 2014.

ORLICKAS, E. Consultoria Interna de Recursos Humanos. 4 ed. São Paulo: Futura, 2001.

ROBBINS, Stephen P. Comportamento organizacional. São Paulo: Prentice Hall, 2010.

ZANELLI, José C.; BORGES-ANDRADE, Jairo E.; BASTOS, Antônio V. B.. Psicologia, Organizações e Trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2004.