Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

Tamanho da fonte: 
OS TRABALHADORES RIBEIRINHOS E O PROCESSO DE ADOECIMENTO
LEOCÁDIA PIO SAES, Luis Henrique da Costa LEÃO

Última alteração: 26-06-19

Resumo


A presente pesquisa trata das questões de adoecimento mental de trabalhadores ribeirinhos da baixada cuiabana, tais acometimentos ligam-se a fatores de risco e periculosidades encontrados nos modos de trabalho que os mesmos exercem.    Esta pesquisa procura analisar a vinculação entre trabalho e saúde, em duas comunidades ribeirinhas - Santo Antônio de Leverger e Barão de Melgaço, verificando por meio de relatos de pescadores, a presença de fatores adoecedores e os caminhos percorridos por estes. Estas populações enfrentam jornadas extenuantes de trabalho, e estão diariamente condicionadas e expostas a mudanças de ordem ambiental e climáticas. A atenção primária em saúde comumente recebe queixas de ordem física, porém tais afecções aparecem já como quadros crônicos de doenças nestes. As queixas psíquicas são pouco investigadas ou formuladas pelas equipes de saúde. O objetivo do trabalho centra se na idéia criar escutas e reflexões, acerca destes processos, podendo contemplar a proposta de um Grupo que Sana, como forma de trazer o acesso a novas redes de cuidados também em âmbito coletivo. Existe a necessidade de se desenvolver estudos para esta área em referência aqui a um microssistema, pois a maioria das bibliografias são de populações de água salgada , havendo pouco estudo em regiões de água doce. Trata-se de um estudo de metodologia Cartográfica, com modo Rizomático de produção de conhecimento. Serão realizados cinco encontros para  discussões e falas acerca de fenômenos voltados aos aspectos de saúde e a pesca, tendo como material a exposição de um curta metragem denominado Mulheres das águas. Com o surgimento de diálogos poderá se selecionar, voluntários na faixa entre 40 a 60 anos que possam responder a uma entrevista semi-estruturada em suas residências (em torno de 30 a 40 entrevistados as). Em outro momento irá se propor um modelo de grupo para levantar dúvidas acerca de novos modos em se lidar com os aspectos de adoecimento. Espera-se poder propor como criação e conseqüência da pesquisa uma idéia semelhante a Renast, ou Rede Nacional de Atenção Integral a Saúde  do Trabalhador, gerando uma idéia de núcleo desta rede presente. O contexto de pesquisa e o contato em âmbito comunitário com os pescadores se dá em um território feito de mobilidades e processualidades que pode tomar forma em termos de conexão e desconexão. Diante o panorama atual do mercado de trabalho no Brasil, sabe-se que há uma predominância de riscos que apontam para um trajeto que provêem de formas agressivas de organização de trabalho, que remonta aos regimes Coloniais. Em contraponto, percebe-se que há recursos presentes na prática da pesca, que promovem a aproximação e a especificação das atividades, como a troca de diálogos durante a prática, considerando as diversas horas em que encontram-se à deriva. O fator tempo neste panorama é redimensionado, sendo percebido de acordo com a quantidade de pescado e com o que o ambiente tem a oferecer no dia presente. O desenvolvimento da fala durante o trabalho na proa da canoa, traz traços da  integração, delineando aspectos de uma ligação intrínseca, que auxilia e demarca as especificidades de cada prática, e de acordo com a pesca de cada espécie com suas peculiaridades, modos de aplicação de força ou instrumentos exigidos. A construção destes elos afetivos, durante o intervalo de espera da fisga do peixe, também configura a experiência e a amplitude do laço ali criado. Através da primeira etapa do projeto com o levantamento bibliográfico, pude  ver  em diferentes regiões pesqueiras do Brasil, que as modalidades de pesca variam podendo ser exercidas em cima de árvores, com camuflação na pesca do Pirarucu, e também em barcos de pequeno e grande porte. A pesca de cócoras exercida pelas mulheres marisqueiras, é uma modalidade gerada em movimento perpétuo continuum de cadências infernais que levam a lesões musculares. Estudos demonstram a necessidade de uma maior cobertura nos mecanismos de Vigilância em Saúde do Trabalhador, para poder evitar a precarização nestes modos de trabalho, diminuindo assim iniqüidades em saúde, e gerando uma maior representatividade dos denominados povos das águas através de abordagens mais integradoras para a Vigilância, de acordo com cada cadeia produtiva presente.

Palavras-chave: Adoecimento Mental, Pesca Artesanal, Vigilância em Saúde.

CARVALGO, IGS. et al, REGO, R. Por um diálogo de saberes entre pescadores artesanais, marisqueiras e o direito ambiental do trabalho. Artigo Rev. Ciência e Saúde Coletiva n 19, 2014

 

PENA, P. Trabalho artesanal, cadências infernais e lesões por esforço repetitivo : Estudo de caso em uma comunidade de mariscadeiras na Ilha da Maré Bahia. Artigo em Revista Ciência e Saúde Coletiva n. 16 , 2011.

 

GALÚCIO, D. Amazônia Pescadores contam histórias, Manaus;Ibama\ Provárzea-   2004

 

MENEZES, L. S. Psicanálise e Saúde do Trabalhador : Nos rastros da precarização do trabalho. Primavera editoriais 2012.

 

SOUZA,S. O; FRANCISCO, A. Método da Cartografia em  Pesquisa Qualitativa: Estabelecendo princípios desenhando caminhos. Rev. Investigação Qualitativa em Saúde, vol 2 -  2016