Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

Tamanho da fonte: 
Reflexões sobre a felicidade e bem-estar no trabalho do professor do ensino fundamental
Fernando Denis Assunção Leite, Rita Eliana Masaro, Alessandro Vinicius de Paula, Jaqueline Correa Rocha

Última alteração: 27-09-19

Resumo


Felicidade e bem-estar no trabalho vêm ganhando notoriedade como tema de investigação, sobretudo, como mensurar o valor que as pessoas atribuem à vida profissional ao longo de sua carreira e seu impacto na vida pessoal. O conceito de felicidade mudou durante a história e tem sido substituído por bem-estar subjetivo em muitas pesquisas, justamente por ser um conceito muito amplo e por ter sofrido muitas modificações (CAMALIONTE; BOCCALANDRO, 2017). O bem-estar ainda é um construto muito diverso e encontra-se na literatura dificuldade em estabelecer uma definição principal para ele. Ressalta-se a importância de mais pesquisas sobre esse tema com a população brasileira para que se possa conhecer melhor as diferenças e similaridades das ideias de felicidade e bem-estar e também da Psicologia Positiva no Brasil e em outras culturas.  (CAMALIONTE; BOCCALANDRO, 2017) Embora a felicidade seja um construto com elementos subjetivos, contribuições da Psicologia positiva permitem uma nova forma de ver o ser humano, de como as emoções positivas podem colaborar na promoção de uma vida saudável. A profissão docente, especificamente, a que trata da interlocução que o profissional da educação tem com as práticas docentes nos anos iniciais, tem como prioridade mediar os conteúdos que abrangem a escolarização do estudante. Entre as particularidades das atividades atribuídas a esse profissional da educação, encontra-se a formação da base do processo educacional que se inicia na educação infantil e vai até o quinto ano do ensino fundamental. Considera-se que este professor é um profissional com condições de confrontar-se com problemas complexos e variados, estando capacitado para construir soluções em sua ação, mobilizando seus recursos cognitivos e afetivos, rejeitando a posição missionária ou de ofício (GATTI; BARRETTO; ANDRÉ, 2011) Entretanto, percebe-se que há uma fragmentação do trabalho docente diante das inúmeras funções extras que este profissional está sendo obrigado a assumir em seu contexto de trabalho. Tais exigências extras podem gerar sobrecarga de trabalho, desgaste emocional e vazio existencial. Isto pode ocorrer pela falta de condições positivas de saúde que esses professores encontram nas instituições. Neste enquadre, o ambiente de trabalho docente que inviabiliza as experiências de bem-estar e felicidade pode gerar casos de absenteísmo, depressão, sensação de impotência e sentimento de baixa autoestima por não encontrar condições que favoreçam o bem-estar e felicidade no trabalho (BATISTA; CARLOTTO; MOREIRA, 2013). Considerando o risco de adoecimento desses docentes, a presente reflexão teórica ressalta a importância que o impacto da percepção do bem-estar e felicidade pode trazer nesses locais de trabalho, no sentido de buscar um enfoque da positividade nas relações de trabalho, num modelo que propõe a vivência de condições de felicidade como possível provedora da saúde mental na vida desse profissional (CAMALIONTE; BOCCALANDRO, 2017). A revisão crítica de literatura que serviu de base ao presente trabalho de reflexão teórica teve caráter exploratório e empregou literatura da última década das áreas de Psicologia, Administração e Sociologia. A análise dos dados sobre a saúde docente demonstra que 51% dos afastamentos dos professores são por causa da depressão/transtorno mental em decorrência do trabalho (BATISTA; CARLOTTO; MOREIRA, 2013). A análise da literatura - contemplando estudos transversais e quantitativos em diversos países (MOSELLI; ASSUNÇÃO; MEDEIROS, 2017) - indica que o absenteísmo se dá, especialmente, por conta dos distúrbios da voz. Vimos que há um considerável aumento de publicações científicas sobre as possíveis causas de adoecimentos e, em casos extremos, afastamentos. É perceptível a importância de investimento nas relações de confiança do empregado nas organizações, o que pode gerar vivências saudáveis nas relações interpessoais (SILVA; OLIVEIRA, 2017). O debate inicial aqui proposto pretende, ainda, sensibilizar mudanças na forma de como a organização pode construir relações de positividade e saúde no ambiente de trabalho. No caso dos docentes do ensino fundamental, em especial, de promover no professor reflexões sobre a sua própria saúde dentro do contexto de trabalho e de como o percebe nesse ambiente considerando o potencial teórico da Psicologia positiva para a área organizacional. O estudo dos aspectos saudáveis e positivos do ser humano podem contribuir para as estratégias preventivas e protetivas quanto à saúde e qualidade de vida das pessoas (PEREIRA, 2018).

 

Palavras-chave: professor do ensino fundamental, bem-estar subjetivo, psicologia positiva, felicidade.

 

Referências Bibliográficas

BATISTA J. B. V, CARLOTTO M. S., MOREIRA A. M. Depressão como causa de afastamento do trabalho: um estudo com professores do ensino fundamental. Psico. 2013; 44:2.

 

CAMALIONTE, Letícia George; BOCCALANDRO, Marina Pereira Rojas. Felicidade e bem-estar na visão da psicologia positiva. Bol. - Acad. Paul. Psicol.,  São Paulo ,  v. 37, n. 93, p. 206-227, jul.  2017 .

 

GATTI, B. A.; BARRETTO, E. S. S.; ANDRÉ, M. E. D. A. Políticas docentes no Brasil: um estado da arte. Brasília, DF: UNESCO, 2011. 300p.

 

MOSELLI, Luciana Daniella Lages; ASSUNÇÃO, Ada Ávila; MEDEIROS, Adriane Mesquita de. Absenteísmo por distúrbios da voz em professores: revisão da literatura, 2005-2015. Distúrbios da Comunicação, [S.l.], v. 29, n. 3, p. 579-587, set. 2017. ISSN 2176-2724.

 

PEREIRA, Douglas da Silveira. Felicidade e significado: um estudo sobre o bem-estar em profissionais da educação do estado de São Paulo. 2018. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. doi:10.11606/D.48.2018.tde-08052018-110949.

 

SILVA, Uanisléia Lima da; OLIVEIRA, Áurea de Fátima. Qualidade de Vida e Valores nas Organizações: Impactos na Confiança do Empregado. Psicol. cienc. prof., Brasília,  v. 37, n. 1, p. 7-17,  Jan. 2017.