Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Assédio sexual de professores universitários contra estudantes da UFMT
Aline Benites Borges Virmieiro, Lígia Maria Menezes Carneiro, Marcella Cristina Martinello Fank, Fernanda Prado, Lucas Guerra

Última alteração: 28-06-19

Resumo


O presente estudo foi realizado por estudantes de graduação em Psicologia da UFMT durante o quinto semestre, nas disciplinas de Psicologia nos Contextos Educacionais II e Psicologia Institucional. O objetivo principal desta pesquisa foi conhecer e revelar os relatos de assédio sexual praticado por professores contra as estudantes da UFMT – Campus Cuiabá e Várzea Grande. Esta experiência possibilitou às estudantes a compreensão de parte da área educacional e institucional, por meio da atuação em pesquisa. A pesquisa se fez necessária pelo fato de haver casos de assédio sexual, praticados por professores da UFMT, e que, na maioria das vezes, são silenciados. Em um estudo que analisa assédio moral na educação superior (COLETA E MIRANDA, 2001), revela-se, primeiramente, a importância de pesquisas sobre assédio em situações de trabalho; destacando em seguida que as instituições de ensino também não podem ser esquecidas quanto ao assunto, visto que o meio da educação é um dos mais afetados por tais práticas. Além disso, grande parte das vítimas são submetidas a uma convivência diária com os professores assediadores, ocasionando situações constrangedoras e prejudiciais na rotina acadêmica. Ressalta-se também que a maioria das estudantes vitimadas não recebem apoio psicológico, muito menos resoluções jurídicas efetivas em casos de busca por denúncia. Tal questão torna-se uma justificativa para se referir ao assédio praticado por professores na UFMT como algo relacionado diretamente às disparidades de gênero, pertinente às análises de SAFFIOTI (1987), sobre como o homem em posição de poder subjuga sexualmente a figura feminina. Com esse trabalho, além de demonstrar o quanto as situações expostas são decorrentes do machismo legitimado, também buscamos apontar para o assédio sexual enquanto atividade criminosa que fere direitos humanos fundamentais. O direito à integridade física e psicológica, o direito a uma vida livre de violências e o direito à liberdade, igualdade e segurança, não são suficientes quando apenas declarados, vez que as instituições devem fornecer recursos para assegurá-los (DALLARI, 1984), garantindo que todas as pessoas tenham a mesma possibilidade de desfrutá-los. O método utilizado se deu pela criação e desenvolvimento de um formulário online, o que possibilitou o acesso a um grande número de relatos sobre os casos de assédio sexual, respondidos anonimamente. A escolha por utilizar o formulário online, para a coleta de dados, foi devido ao acesso fácil das pesquisadoras, visando alcançar muitas estudantes e abranger ambos os Campus de forma simples e imediata. Desse modo, o formulário chegou até a vítima, ou até mesmo em alguém que sabia de algum caso, por meio das conexões entre as estudantes dos cursos dos Campus, método denominado “bola de neve” (VINUTO, 2014). Os resultados da pesquisam foram variados, uma vez que as tentativas de denúncia são insatisfatórias, os professores se mantêm protegidos sob os próprios recursos administrativos da instituição e amparo dos demais docentes. A pesquisa permitiu, também, a comprovação de que essas situações existem na Universidade Federal de Mato Grosso (Campus Cuiabá e Várzea Grande) e, infelizmente, persistem em suas ocorrências; mostrando que a universidade não se trata de um ambiente impermeável a determinadas práticas machistas. Além disso, foi observado que os relatos eram desde o primeiro até o último semestre de diversos cursos, mostrando que a situação em questão ocorre independentemente do período da graduação. Logo, foi possível estabelecer uma reflexão paralela, sobre o quanto se torna prejudicial para uma instituição de ensino que suas alunas estejam sofrendo com violência moral e sexual; impactando na saúde das mesmas. Para que a universidade seja produtora de conhecimento, faz-se necessário eliminar as condições aversivas que corroboram para o desgaste de seus próprios estudantes; ou seja, torna-se inviável a postura de conivência que costuma adotar.

Palavras-chave: Assédio, Professores, Estudantes, Violência.

REFERÊNCIAS

COLETA, J. A. D.; MIRANDA, H. C. N. de. O Rebaixamento Cognitivo, A Agressão Verbal e Outros Constrangimentos e Humilhações: O Assédio Moral Na Educação Superior. 2001.

DALLARI, D. de A. O que são DIREITOS DAS PESSOAS. Editora Brasiliense, 1984.

SAFFIOTI, H. I. B. O poder do macho. Editora Moderna, São Paulo. 1987.

VINUTO, J. A amostragem de bola de neve em pesquisa qualitativa: um debate aberto. Revista Temáticas, Campinas. 2014.