Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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UM ESTUDO SOBRE A RELAÇÃO ENTRE ALCOOLISMO E DEPRESSÃO ENTRE JOVENS E ADOLESCENTES DE 15 A 24 ANOS.
Leticia Vitória Ferreira, Layane Buosi, Felipe da Mata

Última alteração: 30-06-19

Resumo


Este trabalho foi desenvolvido no Centro Universitário de Várzea Grande – UNIVAG, como um dos critérios avaliativos da disciplina de Investigação Científica componente curricular do primeiro semestre do curso de graduação em Psicologia. Esta revisão de literatura tem por objetivo investigar a existência de alguma relação entre o alcoolismo e a depressão tendo como base para essa análise jovens brasileiros de 15 a 24 anos. Para isto, foram estudados artigos científicos disponibilizados pelas bases de dados Scielo e Google Acadêmico que abordassem a sintomatizarão da depressão, a definição de alcoolismo e a ação do álcool como agravador dos sintomas depressivos, bem como, artigos que apresentassem dados sobre como o etilismo em jovens adultos seria prejudicial a sua qualidade de vida, influenciando inclusive no surgimento da depressão. Sabendo que a depressão é uma patologia que traz ao deprimido um longo período de sofrimento, mantendo-o em um estado de frustração, neurastenia e que essa pode ainda lhe causar ataques de agressividade, isso se torna ainda mais problemático quando desenvolvida durante o período da adolescência, por se tratar de um período naturalmente estressante, principalmente em decorrência das mudanças nos aspectos: social, comportamental e biológico dos indivíduos. Ademais, sendo o alcoolismo uma doença crônica caracterizada pelo consumo incontrolável de álcool, podemos dizer que quando a depressão e o alcoolismo caminham simultaneamente, estes se potencializam, uma vez que o álcool pode aumentar o comportamento autodestrutivo, agressivo e a irritabilidade. Por sua vez, os sintomas depressivos estimulam a busca por álcool, na tentativa de “aliviar” o sofrimento causado. Além disso, há indícios de que a depressão estaria relacionada a uma baixa qualidade de vida entre os adolescentes, potencializando seus problemas sociais ao lhes deixar mais inibidos e/ou agressivos, prejudicando suas relações, principalmente com pais e colegas. Além de tudo, a depressão lhes rende também problemas cognitivos, como problemas de memória, distração e perda de concentração e atenção, atrelados a insônia e baixo desempenho escolar. O álcool também pode ser um grande agravador destes problemas, já que na adolescência o consumo de álcool é frequentemente utilizado como uma estratégia de desinibição. Nesse sentido, podemos pontuar uma relação de comorbidade entre alcoolismo e depressão entre jovens brasileiros de 15 a 24 anos. Consequentemente, o alcoolismo seria um potencializador de sintomas depressivos, como frustração e violência, e a depressão como uma das causas para o alcóolatra abusar da substância. Em concomitância, as duas condições podem levar ao agravamento do risco de suicídio, além de aumentar o risco do desenvolvimento de outras doenças ligadas ao abuso de álcool e acidentes causados pelo seu uso imprudente. Em suma, a partir das literaturas pesquisadas, podemos dizer que a depressão e o alcoolismo estão presentes cotidianamente para grande parte dos jovens. Os dramas da juventude são digeridos em boa medida por meio do álcool, que vem ganhando cada vez mais popularidade entre esse grupo, com suas consequências sendo, frequentemente, ignoradas por jovens que comprometem sua saúde por meio do abuso da substância e arriscam suas vidas ao utilizá-la com imprudência. Já a depressão é uma condição que dificulta ainda mais a fase de passagem para a vida adulta ao provocar sensações de desalento e sofrimento, suscitando a agressividade, podendo leva-los a atitudes extremas, como abandono das atividades cotidianas, agressão ao próximo, automutilação, perda das relações sociais e, até mesmo, suicídio. As consequências da coexistência da condição deprimida e do alcoolismo podem ser catastróficas. Como foi evidenciado, a depressão é um dos motivos para a reincidência no abuso de álcool e em um paciente deprimido, o álcool, certamente, estimulará sintomas, e ainda, pode ser um gatilho para, em um ato de desespero, o indivíduo sucumba ao suicídio. Estes dados propiciam mais informações para a busca do tratamento das duas condições, simultaneamente, ao que elas já coincidem ou tratar individualmente e prevenir que uma surja em decorrência da outra.

Palavras-chaves: Depressão, alcoolismo, comorbidade, suicídio.

REFERÊNCIAS

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