Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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SUPERVISÃO CENTRADA NA PESSOA: RELATOS DE EXPERIÊNCIA DE APERFEIÇOANDAS
Luana Aparecida xavier Ribeiro, wislene da silva cortez moraes, Dra Fernanda Cândido Magalhães

Última alteração: 30-06-19

Resumo


A Psicologia centrada na singularidade do homem envolve toda a subjetividade, afetividade e emoções que cada sujeito traz consigo em cada contexto, história e vivências que são inerentes tão somente a ele. Da mesma maneira, cada psicólogo tem suas experiências e percepções que se desenvolvem ao longo da formação em Psicologia e, posteriormente, durante sua prática, neste processo destacamos a necessidade da supervisão, para conseguir aprimorar a escuta como meio de segurança e cuidado com sua prática clínica. As supervisões mostram-se importantes momentos de aprendizagem com experiências de intervisão das vivências relatadas, possibilitando reflexões conjuntas sobre os atendimentos, tendo o supervisor como facilitador das vivências com os clientes e consigo mesmo. A supervisão pode oferecer partilha entre profissionais psicólogos que se fundamentam na teoria e na prática, sendo possível rever atuação e atentar sobre a forma como ocorre, favorecendo o desenvolvimento de atitudes dos profissionais, ofertando espaço de compreensão da prática, provocando reflexões sobre o vínculo terapêutico estabelecido com o cliente e como o profissional se sente em cada atendimento. Nessa direção, destacamos a relevância da supervisão na formação, bem como, ao Psicólogo iniciante e o mais experiente, pois esta tem como função auxiliar o psicólogo na sua relação como o cliente, em espaço no qual o supervisor exerce o papel de facilitador no desenvolvimento de habilidades ou atitudes que são necessárias na relação psicoterapêutica. Desse modo, a supervisão não se trata de um encontro em que ocorrem apenas trocas de experiências, o que nesse caso, não se descarta sua relevância, mas no que se refere a função da supervisão de psicoterapia, o papel do supervisor consiste em facilitar a relação entre o cliente e o psicoterapeuta podendo intervir  de modo experiencial, didático ou teórico-técnico, não se trata de conceder sugestões de manejo, mas poder facilitar o crescimento do aperfeiçoando na construção de seu estilo pessoal. Sendo assim, o presente trabalho visa apresentar relatos de experiências em supervisão de atendimentos na modalidade Psicoterapia e Plantão Psicológico, fundamentados na Abordagem Centrada na Pessoa, fruto do Curso de Aperfeiçoamento em Psicologia Clínica, ofertado em sua oitava edição, pelo Departamento de Psicologia, da Universidade Federal de Mato Grosso. A Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Carl Rogers, tendo entre os pressupostos fundamentais desta abordagem, a existência de uma tendência inerente aos organismos vivos para o crescimento e desenvolvimento, com  atualização das potencialidades numa direção positiva e construtiva, a Tendência Atualizante. Segundo este referencial, existem atitudes que podem facilitar a manifestação dessa Tendência Atualizante, sendo elas:  a) congruência – a pessoa está congruente quando ela está sendo livre e profundamente ela mesma, quando está vivenciando abertamente os sentimentos e atitudes que estão fluindo de dentro dela; b) consideração positiva incondicional – Ter uma experiência de consideração positiva incondicional em relação a outra pessoa significa aceitar calorosamente cada aspecto da experiência do mesmo; c) compreensão empática – compreender empaticamente significa perceber acuradamente o quadro interno de referência da outra pessoa como se fosse o seu próprio, com os seus significados e componentes emocionais, sem, contudo, perder a condição de “como se”. A prática dessas atitudes facilitam a atualização do indivíduo em qualquer relação, seja ela terapeuta e cliente, pai e filho, líder e grupo, professor e aluno, administrador e equipe, isto é, em qualquer situação cujo objetivo seja o desenvolvimento da pessoa. Entre as experienciações vivenciadas no espaço de supervisão, a partir dos relatos de experiência de cinco supervisandas, destacamos as seguintes percepções: compreendem  a supervisão como espaço de reflexão, que lhes possibilitaram um crescimento tanto profissional quanto pessoal. Descrevem como espaço de acolhimento do seu Jeito de Ser, levando  em consideração o sentimento das terapeutas, antes mesmo que a própria intervenção que tenha realizado no atendimento. Diante dos relatos, foi possível observar semelhança nas percepções das aperfeiçoandas da supervisão como lugar para dizer de si, pois, ao longo das  nossas vidas e em nossa atuação profissional, somos atravessados por sentimentos de insegurança, angústias, medos, fragilidades e limitações e, as supervisões acabam por se transformar no espaço de acolhimento e ressignificação. Assim, a formação tem proporcionado momentos únicos de crescimento pessoal, profissional e a convicção de que a prática, se traduz no Jeito de Ser Psicólogas com seus clientes, consigo mesmas e, nas relações interpessoais.



Palavras-Chave: Supervisão,  Jeito de Ser, Prática Clínica, Abordagem Centrada na Pessoa.


Bibliografia

BUYS, Rogério Christiano. Supervisão de psicoterapia na abordagem humanista centrada na pessoa. 1. ed. São Paulo: Summus Editorial, 1987

ROGERS, Carl R.; KINGET, Marian. Teoria da personalidade e da dinâmica do comportamento. In: Psicoterapia e relações humanas: teoria e prática da terapia não-diretiva. 2.ed. Belo Horizonte: Interlivros, 1977.

ROGERS, Carl. Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

______. Um Jeito de Ser. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária Ltda.,1983.