Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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RESSIGNIFICANDO DIFICULDADES E VIVÊNCIAS ESCOLARES: UMA EXPERIÊNCIA DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NO APOIO ESCOLAR
KAMILLA Clausen da SILVA, Júlia Maria Florentino da Mota, Victória Oliveira Santos Barbosa Mendes, Jane Teresinha Domingues Cotrin

Última alteração: 25-06-19

Resumo


Alunas e alunos que apresentam dificuldades para se apropriar dos conteúdos acadêmicos e culturais como a leitura e escrita têm sido um grande desafio para as escolas, para o sistema educacional e, também, para a Psicologia. Nesse sentido, múltiplas teorias tomam conta das escolas e dos cursos de Psicologia buscando explicar tais situações desafiadoras. Este trabalho apresenta um relato de experiência acerca de um projeto de extensão desenvolvido por graduandas do curso de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá.  O referido projeto teve como proposta a realização de intervenções com crianças do 4º ano do ensino fundamental que frequentavam, no contraturno, o Apoio Pedagógico em uma unidade escolar da rede municipal de ensino fundamental da cidade de Cuiabá, estado de Mato Grosso. O projeto foi realizado no ano de 2018. O Apoio Pedagógico configura-se como uma estratégia das escolas para que alunas e alunos que não estão acompanhando o ritmo de desenvolvimento das turmas consigam potencializar o aprendizado. A abordagem teórica na qual o projeto se ancorou foi a psicologia histórico-cultural com referência em obras de L.S.Vigotski que defende que as crianças precisam vivenciar situações mediadas com conteúdos escolares, como a leitura e a escrita, para que possam se apropriar deste conhecimento. Dessa forma, o conhecimento primeiro ocorre entre as pessoas para depois ser internalizado por cada criança. Nessa perspectiva, o projeto objetivou a ressignificação dos conteúdos acadêmicos em relação à sua função social e a apropriação do espaço da escola. Participaram do projeto cinco graduandas, uma professora da graduação do curso de Psicologia e doze crianças. Eventualmente teve a participação da professora do Apoio. Foram realizados cinco encontros com as crianças em grupo e entrevistas com os responsáveis familiares, professores e com a própria criança individualmente. As entrevistas foram realizadas com o objetivo de compreendermos diferentes pontos de vista sobre a queixa escolar. Os encontros em grupo tiveram a duração de aproximadamente duas horas cada e tiveram as seguintes temáticas: No primeiro encontro “Quem sou eu?  Quem sou eu na escola? Qual a minha dificuldade? O que faço no apoio?” objetivou construir vínculos com as crianças e conhecer, a partir da perspectiva delas, a realidade escolar e a relação das mesmas com o Apoio. O segundo encontro: “A trajetória da criança na escola e, para quê serve ler e escrever?” proporcionou conhecer os espaços da escola a partir do olhar da criança, bem como possibilitou ressignificações acerca da função social das palavras. No terceiro encontro: “Onde tem números? E o que faço com eles?” buscou-se familiarização com as significações construídas pelas crianças sobre a função social dos números e proporcionou ressignificações sobre esta. No quarto encontro: “Histórias de heróis de origem africana”, trabalhou-se a temática do racismo e, por fim, o último encontro tratou-se de uma confraternização com as crianças e encerramento do projeto. As metodologias que facilitaram os encontros descritos foram o uso de jogos, leitura compartilhada, desenhos e diálogos sobre as temáticas supracitadas. Por fim, realizou-se entrevistas devolutivas com as crianças, familiares e professores. No que tange aos resultados alcançados, foi possível compreender as potencialidades e dificuldades que tangenciam as vivências escolares das crianças e a partir disso auxiliar na sua ressignificação. Dessa forma, a partir de tal experiência, foi possível apreender a importância de dialogar com a criança acerca do motivo de sua ida ao Apoio Pedagógico. Também foi possível dialogar com os professores sobre as dificuldades das crianças. Ademais, pensar a queixa escolar e sua significação para a (o) professor regente, para os alunos (as) e para as famílias contribuiu para uma análise mais ampla do fenômeno, possibilitando assim diversas discussões que poderiam ser abarcadas em novos projetos.

 

 

Palavras-chave: Queixa Escolar, Apoio Pedagógico, Psicologia Escolar e Educacional, Mato Grosso

 

Referências:

VIGOTSKI, Lev S. A construção do pensamento e da linguagem. 2º Ed. WMF Martins Fontes, 2009. 520 p.


VYGOTSKY, Lev. Imaginação e criatividade na infância. WMF Martins Fontes, 2014. 144 p.