Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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ESTRESSORES ACADÊMICOS E COPING EM UNIVERSITÁRIOS: UMA ANÁLISE COMPARATIVA
Oscar Kennedy da Cruz Gonçalves, Felipe Douglas Pereira França, Tatiane Lebre Dias

Última alteração: 02-07-19

Resumo


O ingresso no ensino superior tem sido o objetivo de grande parte dos jovens brasileiros, o que pode ser confirmado ao se observar o aumento dos cursos e das instituições de ensino superior no Brasil. Por outro lado, o aumento no número de estudantes de graduação no Brasil também tem refletido no aumento do interesse dos pesquisadores em como esses alunos lidam com a rotina do ensino superior, que, de certa forma, exige mais responsabilidade com relação a prazos, dedicação às disciplinas altamente específicas e ainda flexibilidade e maturidade para lidar com as expectativas próprias e de outrem. Porém, considera-se o número de pesquisas ainda modesto apesar do aumento na quantidade de publicações de trabalhos concluídos que levam esses fatores em consideração. Lidar com o estresse exige em todos os contextos que o indivíduo adote estratégias que possibilitem que os danos causados sejam minimizados. Nesse sentido verifica-se a importância em identificar as estratégias de enfrentamento adotadas por estudantes universitários, visto que elas não são limitadas a resolução de episódios de estresse, mas atingem também a saúde, o desenvolvimento e o relacionamento entre indivíduos e grupos. Considerando esses aspectos, este trabalho teve como principal objetivo investigar as situações percebidas como estressoras e as estratégias de coping adotadas por estudantes universitários do curso de Engenharia Civil de uma universidade pública de Mato Grosso, comparando quantitativamente as respostas dos alunos do primeiro e do terceiro ano do curso para analisar se e como as percepções dos alunos com relação ao estresse e a rotina universitária evoluem ao longo da graduação. Para isso, foram aplicados um questionário socioeconômico e um questionário de estratégias de enfrentamento em 76 universitários, sendo 40 do primeiro ano do curso e 36 do terceiro ano. De acordo com as respostas, 62,2% (n=23) dos alunos do primeiro ano que responderam afirmaram já terem se sentido infelizes durante o curso, enquanto que no terceiro ano esse número foi de 91,67% (n=33). Com relação aos estressores acadêmicos, 47,5% (n=19) dos alunos do primeiro ano indicaram as atividades acadêmicas e 27,5% (n=11) a falta de recursos na universidade como principais fatores estressores. No terceiro ano, 52,9% (n=18) indicaram as atividades acadêmicas e 23,5% (n=8) os relacionamentos na universidade. Sobre as estratégias adotadas no enfrentamento ao estresse, os alunos do primeiro ano indicaram que: a) 70% (n=28) quase nunca ou ás vezes se sentem confiantes; b) 77,5% (n=31) nunca ou quase nunca buscam ajuda; e c) 72,5% (n=29) às vezes, quase sempre ou sempre se sentem “no limite”. Dentre os alunos do terceiro ano: a) 76,5% (n=26) quase nunca ou ás vezes se sentem confiantes; b) 73,5% (n=25) nunca ou quase nunca buscam ajuda; e c) 85,29% (n=29) às vezes, quase sempre ou sempre se sentem “no limite”. Diante desses dados, percebe-se que existem diferenças importantes entre os alunos do primeiro e do terceiro ano com relação ao curso, aos estressores e em como lidam com eles, indicando que, apesar de os alunos mais experientes se sentirem mais infelizes com o curso, eles apresentam maior tendência em buscar ajuda diante dos estressores, além de valorizarem de maneira diferenciada os relacionamentos interpessoais. Os resultados desta pesquisa permitem observar que existem limitações com relação aos dados analisados, permitindo estudos mais aprofundados e diversificados sobre o mesmo tema, no entanto, é possível também identificar a importância das instituições de ensino no processo de manutenção da saúde mental do estudante universitário, oferecendo programas de atenção em saúde mental e monitorando casos graves de adoecimento mental para oferecer suporte adequado aos alunos que, com o passar do tempo, se sentem cada vez mais exaustos diante do contexto universitário e sua miscelânea de potenciais situações estressoras.

 

Palavras-chave: estresse; enfrentamento; universidade.

 

Referências bibliográficas


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