Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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DINÂMICA FAMILIAR E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA AUTISTA: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Mariana Rodrigo do Vale Costa e Silva, Rauni Jandé Roama Alves, Talita Meneses de Almeida Bastos, Joseline Cristina de Paula

Última alteração: 24-06-19

Resumo


O Transtorno do Espectro Autista é um transtorno que compromete duas grandes áreas do neurodesenvolvimento: a comunicação social e o comportamento. Os primeiros sintomas costumam aparecer a partir dos seis meses de idade, contudo muitas crianças só recebem o diagnóstico no período escolar. Pode-se apresentar em três níveis, que variam segundo a exigência de apoio, sendo dividido em três níveis. Em geral, pode-se dizer que a prevalência de diagnósticos do Transtorno do Espectro Autista cresce consideravelmente em todo o mundo. Uma criança diagnosticada com autismo requer mudanças na dinâmica familiar, e impacta o cotidiano dos cuidadores por conta da necessidade de atenções especiais e específicas. O ambiente familiar é o primeiro em que a criança é inserida socialmente, então a família se torna parte fundamental para o seu desenvolvimento. No que se refere às crianças diagnosticadas com algum tipo de transtorno, essa interação se torna ainda mais importante. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi investigar e analisar a importância da dinâmica familiar para o desenvolvimento da criança com Transtorno do Espectro Autista no Brasil por meio da revisão sistemática da literatura nacional. Buscou-se identificar a quantidade de estudos publicados em relação a esse tema e quais seriam os principais resultados encontrados sobre as dinâmicas destas famílias e sua influência para a criança autista. Quanto à metodologia, primeiramente foi realizada uma busca nas bases de dados Scielo, Pubmed e PEPsic, utilizando as palavras-chave “autismo”, “transtorno do espectro autista”, “relações familiares”, “dinâmica familiar”, “relação familiar”, “relacionamento familiar” e “relação parental”, mediadas pelos conectivos “AND” e “OR”, formando um total de vinte combinações com as limitações de tempo de janeiro de 2012 a dezembro de 2018. Os critérios de inclusão utilizados foram: a publicação ter como objetivo investigar a dinâmica familiar de crianças com autismo e estar em português. O critério de exclusão foi o de repetição entre as bases de dados. Para a aplicação destes critérios, foi realizada a leitura dos títulos e de seus resumos. Foram encontrados, à princípio, um total de 4.879 estudos. Após a aplicação dos critérios de inclusão, o número baixou para 561. Na sequência, ao ser aplicado o critério de exclusão, foi para 29 estudos. Os resultados indicaram que as publicações aumentaram nos últimos dois anos, pois foram encontradas duas do ano de 2012, duas em 2013, cinco em 2014, três em 2015, cinco em 2016, cinco em 2017 e sete em 2018. Cerca de 55% dos artigos selecionados concluíram sobre a importância de conhecer e começar a lidar com o diagnóstico e sintoma do filho autista precocemente; 52% investigaram temas relacionados com a sobrecarga emocional/estresse/de cuidado, em especial por parte da mãe, e sobre a importância da aceitação e adaptação da família diante da criança com transtorno autístico e das estratégias de enfrentamento empregadas por elas; 79% abordaram a necessidade de rede de suporte, seja ela familiar, social e/ou profissional; 55% trabalharam a importância de intervenções centradas nos pais/família; e 45% debruçaram sobre a percepção das mudanças alcançadas na dinâmica familiar e no desenvolvimento da criança autista. É possível apreender, a partir dessa revisão, informações importantes e impactantes sobre a realidade das famílias pesquisadas acerca do percurso diagnóstico, de suas vivências sociais, da sua reorganização, e das necessidades de suporte e adaptação, aceitação, estratégias de enfrentamento e de mudanças em relação ao desenvolvimento da criança autista. Ainda assim, é desejável que novas pesquisas sejam feitas para melhor compreensão deste contexto. Fica em evidência a importância de se investir em identificação e intervenção desses aspectos junto ao grupo familiar para o favorecimento de melhores condições domésticas e sociais para que a família possa atuar de forma mais contundente no desenvolvimento da criança com autismo.

Palavras-chave: autismo, família, dinâmica, desenvolvimento

 

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