Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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OFICINAS PSICOSSOCIAIS ENQUANTO ESTRATÉGIA DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA INFANTIL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Clécia Lino da Silva, Izadora Mendonça de Melo, George Moraes de Luiz

Última alteração: 26-06-19

Resumo


O presente trabalho é caracterizado por ser um relato de experiência desenvolvido no Estágio Básico (EB) II em contexto socio comunitário, inserido como grade curricular do 4º semestre do curso de psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT. A experiência foi realizada em uma unidade do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) na cidade de Cuiabá - MT, especificamente com um grupo de crianças e adolescentes entre as faixas etárias de 6 aos 15 anos de idade, em que estavam inseridos no projeto de aulas de artes marciais de Jiu Jitsu. Como referencial teórico o EB II pautou-se na Psicologia Social e na Psicologia Social Comunitária, que se preocupa em potencializar as comunidades, lhes empregando independência em suas relações, da mesma forma que trabalha as problemáticas levantadas coletivamente. Na qual, propõe - se analisar as interações grupais sob perspectivas de como se manifestam entre si, com o objetivo de tornar estas relações mais justas e empoderadas. Segundo Lane (2006) afirma que a Psicologia Social estuda o comportamento relacionado ao social, ou seja, como as influências sociais determinam os comportamentos do indivíduo inseridos em sociedade. No que condiz a metodologia, objetivou a observação participante acompanhada de intervenções em formato de oficinas psicossociais, na qual, entende-se as oficinas como ferramenta que possibilita a significação de práticas de forma estratégica e coletiva afim de promover a consciência que envolve as problemáticas. A partir dos levantamentos e demandas do processo de observação participante foi possível identificar a naturalização e práticas das violências, tanto físicas como verbais entre o grupo de crianças e adolescentes, assim como, abuso de autoridade naquele contexto, visto que algumas relações se estabeleceram com preceitos pouco viáveis pelo respeito na relação com o outro no ambiente ao qual se encontravam. Após análise interpretativa dos conteúdos acessados pela observação participante, foram elaboradas duas oficinas psicossociais sobre os contextos das violências partilhadas entre o grupo e em sociedade, sendo a primeira através de comportamentos de mímicas, imitar práticas de situações de violência vivenciadas em sociedade, e assim trazer o intuito de proporcionar esclarecimento sobre os direitos que possuem enquanto pessoas, com embasamento nos direitos humanos. Na segunda oficina psicossocial foi trabalhado com um passeio sinérgico com os pés amarrados afim de objetivar o trabalho em equipe, e também foram abordados conteúdos relacionados as ações afirmativas referentes a questões sociais como violência, racismo e discriminação, com a finalidade de tornar consciente esses processos, assim como trabalhou-se e a existência de órgãos como o CRAS, como lugares de apoio social. A título de resultados destacam-se como estratégias de enfrentamento as oficinas psicossociais em que favoreceu a possível reelaboração de conceitos e práticas vivenciadas pelo contexto da violência, propiciando ao grupo de crianças e adolescentes aprendizagem e desenvolvimento. Na primeira intervenção observou-se a relutância em interpretar e nomear situações de violência, pois o conceito trabalhado fora pouco debatido naquele meio, sendo representado pelo grupo de crianças e adolescentes como comportamentos distantes das suas práticas, à medida que aprenderam a nomear as situações de violência, foram desnaturalizando práticas construídas socialmente. Na segunda intervenção notou-se melhora significativa dos dados apresentados, em que desconstruíam justificativas de suas atitudes, em um processo de comunicação intersubjetivo de aprendizagem. Após as realizações das intervenções foi perceptível a incorporação do conhecimento dos temas nas brincadeiras e nas falas das crianças e dos adolescentes. Conclui-se a necessidade de intervenções sociais que visem a identificação e a compreensão de práticas sobre os conceitos de violência no modo amplo, visto que no contexto social há a naturalização dessas práticas, assim como, a emergência de informações para se tomar conhecimento sobre os direitos e deveres frente a essas situações que são partilhadas socialmente.

Palavras chave: Oficinas psicossociais, violência infantil, naturalização.

 

REFERÊNCIAS

 

SARRIERA, J. C.; SAFORCADA, E. T. (orgs). Introdução à Psicologia Comunitária: bases teóricas e metodológicas. Porto Alegre: Sulina, 2014.

 

CRUZ, L.R.; FREITAS, M.F.Q. de; AMORETTI, J. Breve história e alguns desafios da Psicologia Social Comunitária. In: SARRIERA, J. C.; SAFORCADA, E. T.(orgs).

 

LANE, Silvia T. Maurer. O que é psicologia social. Brasiliense, 2017.

AFONSO, Lúcia et al. Oficinas em dinâmica de grupo: um método de intervenção psicossocial. Belo Horizonte: Edições do Campo Social, 2002.